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História do Brasil

Bandeira Brasil - AVH
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    Brasil (em inglês Brazil) cujo nome tem origem na madeira cor de brasa da árvore pau-brasil (Paubrasilia echinata), que foi o principal produto comercializado logo após a descoberta da região pelos portugueses, no ano cristão de 1500. No entanto, neste período da descoberta, essa região já era habitada por diversos povos indígenas, cuja história de ocupação se inicia com os primeiros paleoindíos que chegaram na América.

    • Pré-História (14.000 a.C. - 1.500 d.C.):

    - Pleistoceno (14.000-12.000 a.C.):

    A história da colonização humana oriunda da África e que migrou até a América Norte pode ser conhecida através do setor Evolução Humana. A partir da América do Norte esses homens migraram pela ponte de terra entre as américas conhecida atualmente como América Central, chegando nas terras brasileiras há cerca de 14 mil anos atrás, durante o Pleistoceno. Pouco se conhece sobre esses primeiros paleoíndios a chegarem na América do Sul, algumas descobertas importantes como a Luzia, encontrada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire na década de 1970, no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, no município de Lagoa Santa (Minas Gerais). Esse fóssil era de uma mulher pré-histórica que contribui muito para o estudo das origens do homem americano. Conforme estudos realizados pelo paleoantropólogo Walter Neves, que batizou o fóssil, a morfologia do crânio de Luzia é muito similar a dos atuais aborígenes australianos e nativos de alguns povos nativos da África. Estudos realizados com o povo de Luzia monstram que eles desconheciam a cerâmica e que sua indústria lítica era relativamente simples, que não eram mais nômades, enterravam seus mortos e se aproveitavam intensamente de recursos vegetais da região.

Luzia - AVH

    - Holoceno (12.000-4.000 a.C.):

    Durante este período, com a chegada de diversos outros povos paleoindigenas a América do Sul, se inicia a idade paleolítica brasileira. Essas migrações ocorreram em períodos distintos e através de diversos caminhos, alguns povos ao chegar na América do Sul, se aventuraram pelo interior da floresta amazônica, outros se mantiveram pelo litoral até atingir a Terra do Fogo na Argentina e durante estas migrações, esses povos acabaram se dividindo e tomando novos rumos Brasil adentro e parte deles foi se acomodando em locais que considerassem propícios ao sedentarismo. Esses povos viviam baseados na caça, pesca e coleta de frutas, folhas, sementes e raízes, já sabiam também manusear o fogo com maestria, utilizando-o para iluminação, no preparo de alimentos e de utensílios. Estes paleoíndios produziam ferramentas de pedra lascada, como lesmas, furadores, facas e pontas de lanças, bem como de madeira. Praticavam também a arte rupestre, através de desenhos em paredes de pedra e cavernas.

    • Arcaico (4.000 a.C.-1500 d.C.):

    Este período se inicia com a prática da agricultura e o artesanato com cerâmica por diversos povos paleoíndios americanos, iniciando assim, o estilo de vida similar ao adotado por muitas tribos indígenas viviam até o instante do descobrimento do Brasil pelos portugueses e que sobrevive, em alguns raros povos indígenas, até a atualidade.

Arte rupestre - AVH

    => Principais sítios arqueológicos:

    - Alice Boer:

    O sítio Alice Boer se localiza em Ipeúna, município próximo a Rio Claro (SP), onde foi escavado por iniciativa da arqueóloga Maria Beltrão, a serviço do Museu Nacional, com início em 1964. Foram encontrados muitos artefatos antigos como pontas de projéteis, raspadores e lesmas. Amostras de carvão indicaram idades de cerca de 14.200 anos.

    - Abismo da Ponta de Flecha:

    O sítio Ponta de Flecha foi escavado entre 1981 e 1982 por C. Barreto e E. Robrahn, que encontraram pontas de flecha e ossos, que datam das época pleistocênica e holocênica. Alguns ossos de animais encontrados, estavam marcados por instrumentos líticos humanos.

    - Caverna da Pedra Pintada:

    Localizada em Monte Alegre no Pará, na margem esquerda do Rio Amazonas, se localiza a Caverna da Pedra Pintada, onde os brasileiros pré-históricos, também chamados de paleoíndios, daquela região sobreviveram a base de uma economia estável e possuíam uma cultura e tecnologias superiores às média de outros paleoíndios americanos. Em geral, os paleoíndios moravam em cavernas, possuíam uma dieta onívora a base de frutas, folhas, raízes e carne, produziam diversos artefatos como vários tipos de utensílios a base de cerâmica, faziam pinturas rupestres para tentar registrar eventos e confeccionavam pontas de flechas e lanças. Eram típicos caçadores e coletores, que no período de auge de sua civilização, atingiram populações com cerca de 300.000 paleoíndios. Alguns utensílios encontrados, como pontas de lança e cacos de cerâmica, foram datados de aproximadamente 6.000 a 10.000 anos, o que implica na chegada dos paleoíndios na região amazônica há cerca de 11.200 a 10.000 anos atrás.
    Esses habitantes das Américas vieram pelo Estreito de Bering durante a última era do gelo, divididos em diversos agrupamentos pequenos em levas sucessivas, oriundos de diversas etnias asiáticas, as quais acabaram por ocupar os mais remotos cantos das Américas, desde o norte do Candá até a Terra do Fogo no sul da Argentina.

    - Lagoa Santa:

    Na região de Lagoa Santa, estado de Minas Gerais (MG), existe um antigo conjunto de restos, que provavelmente sejam de representantes do antigo grupo linguístico Macro Jê, cujos descendentes mais próximos, seriam os índios cariris e botocudos. Em 1974, durante a escavação da equipe de Annette Laming-Emperaire, foi descoberto um esqueleto humano datado em 11,5 mil anos atrás, que foi apelidado de Luzia. Luzia era uma mulher com características bem distintas dos indígenas atuais, que possuem genotipos da etnia mongoloide. Ela foi investigada pelos bioantropólogos e arqueólogos Walter Alves Neves, André Prous, Joseph F. Powell, Erik G. Ozolins e Max Blum, criando a teoria de que um grupo de homo sapiens de etnia africana, negroide, teria conseguido chegar as Américas e estabelecer comunidades.

    - Pedra Furada:

    O sítio arqueológico de Pedra Furada, que fica localizado em São Raimundo Nonato, no Parque Nacional da Serra da Capivara, Piauí, foi encontrado nos anos 60. E foi estudado, desde os anos 70, inicialmente pela arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon. Os achados, que consistem pedras lascadas e vestígios de fogueiras, datam de aproximadamente 11.000 anos atrás. O sítio também abriga o Museu do Homem Americano, com painéis iluminados e auto explicativos que contam a história da presença do homem na América com desenhos, mapas e textos. Existindo também no espaço urnas funerárias de argila e réplicas de dois esqueletos humanos encontrados nas cavernas da região. Um desses esqueletos, pertencia há uma índia de cerca de 30 anos de idade, que foi encontrado praticamente completo e data de 9,7 mil anos atrás. Nessa região também foram encontrados desenhos na Toca do Boqueirão e na Pedra Furada, que tudo indica, representarem cenas de ataque dos felinos pré-históricos que habitavam a região.

    => Período pré-descobrimento:

    Quando o Brasil foi descoberto pelos portugueses em 1500, estima-se que a região era habitada por aproximadamente 2 milhões de indígenas. Essa população era composta em grandes nações indígenas que possuíam vários grupos étnicos, entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-jê, caraíbas e aruaque.

    - Tupi:

    Um dos grandes grupos linguísticos do Brasil é o grupo tupi, este grupo parece ter se expandido imensamente sobre o território brasileiro antes de 1500. A principal família linguística dentro desse grande grupo é a tupi-guarani. Estudos indicam que estes povos habitaram inicialmente a região das cabeceiras dos rios Madeira, Tapajós e Xingu. A expansão tupi-guarani aconteceu entre 3 mil a 2 mil anos atras, pouco depois desse grupo ter se diferenciado de outros na região entre o Xingu e o Madeira, formando novos subgrupos linguísticos, como os cocamas, omáguas, guaiaquis e xirinós. Os povos de línguas cocama e omágua se dirigiram em direção ao rio amazonas, enquanto os guaiaquis foram em direção ao Paraguai e os xirinós em direção à Bolívia. Tapirapés e tenetearas foram em direção ao nordeste. Os povos de línguas pauserna, cajabi e camaiurá se deslocaram até a região extremo sul do Brasil. Os povos de língua oiampi chegaram até a região das Guianas. A última fase de dispersão dos povos tupi-guaranis ocorreu por volta do ano 1000. Os falantes de línguas associadas à família tupi-guarani estariam já instalados no sul do Brasil (guaranis e outros), na bacia amazônica e também no litoral do Brasil (potiguares, tupinambás, tupiniquins).
    Essas sociedades eram expansivas e estavam em constante movimento. Graças a uma impressionante rede de caminhos fluviais, os povos desse grupo linguístico puderam se difundir e, ao mesmo tempo, manter contato uns com os outros. O uso de canoas para navegar rios facilitava missões militares e diplomáticas de uma região para outra. Muitos artefatos arqueológicos do período cerâmico são filiados a esses antigos povos de matriz linguística tupi-guarani. Os sítios arqueológicos associados a essas populações constituíam-se em aldeias extensas, normalmente localizadas em regiões de planalto ou em terraços. Nesses sítios arqueológicos, de largura média entre 2.000 e 10.000 m², a cerâmica antiga é abundante. As unidades habitacionais são cabanas, que podiam alcançar até 60 m² de diâmetro. Dentro dessas cabanas, foram localizados fogueiras e fornos para cozimento. As áreas dos sítios são definidas em espaço cerimonial, público e residencial. O espaço dos vivos é separado daquele dos mortos (muitos cemitérios antigos foram localizados). A arqueologia identificou sepultamentos em urnas e outros em terra. Artefatos líticos são encontrados junto dos sepultamentos, provavelmente objetos de uso pessoal. A cerâmica gupi-guarani (particularmente abundante no Paraná) é caracterizada pelos desenhos policrômicos de traços lineares.

    - Macro-Jê:
    As línguas associadas à matriz linguística Macro-Jê devem ter sofrido diferenciação por volta de 6 mil anos atrás. Sua expansão se inicia há cerca de 3 mil anos atrás, pela Região Centro-Oeste do Brasil. O grupo Jê propriamente dito é possivelmente originário das regiões das nascentes dos rios São Francisco e Araguaia. Grande parte dos povos de língua Jê se afastaram dos Kaingang e Xokleng, seguindo para o sul da região central brasileira. Alguns grupos devem ter se separado destes últimos e seguido até a região amazônica há pelo menos 1.000 anos atrás. Os povos Jês preferiam se instalar em regiões de Planalto (como a original região do Planalto brasileiro), como nos permite constatar o estudo de suas línguas entre as línguas do tronco Macro-Jê encontram-se: Kayapós, Xerentes, Timbiras, etc.

    - Caraíbas:
    Os povos de língua caraíbas também passaram por um processo de expansão há cerca de 3 mil anos atrás. Essa família linguística é talvez originária da atual região das guianas e do extremo norte do Brasil. Os Yukpa e os Karijona, ramificações dessa família linguística, teriam se diferenciado e migrado para a Colômbia, enquanto os Bakairi teriam seguido para o centro do Brasil. O empréstimo de termos Tupi nas línguas Karib (e vice-versa) aponta para a existência de redes complexas de comércio e tráfico de pessoas entre tais povos.

    - Aruaque:
    As línguas de matriz aruaque se concentram hoje na região sudoeste da Bacia amazônica. A principal família linguística associada a esse grupo é a Maipure, dividida em quatro subgrupos regionais. Existe grande polêmica em relação às origens, às migrações e aos descendentes desses povos, além de suas relações com outros grupos linguísticos do Brasil Antigo. Outros grupos linguísticos menores, sem parentescos com os outros maiores, existem no Brasil: Mura, Chapkura, Pano, Yanomani, etc.


    • Brasil Colonial (1500-1815):

Rio de Janeiro - AVH Brasão colônia - AVH Mapas do Brasil - AVH

    Oficialmente, o Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500 pelo capitão-mor Pedro Álvares Cabral, que estava no comando de uma expedição portuguesa que partiu no dia 9 de março de 1500 saindo de Lisboa. Iniciou viagem para, oficialmente, descobrir e tomar posse das novas terras para a Coroa portuguesa que estava sob o reinado de Dom Manuel I, e depois seguir viagem para a Índia, contornando a África para chegar a Calecute. Ele chegou ao litoral sul da Bahia, na região da cidade de Porto Seguro, no distrito de Coroa Vermelha. Sua frota naval era composta de 2 caravelas e 13 naus (as principais se chamavam: Anunciada, São Pedro, Espírito Santo, El-Rei, Santa Cruz, Fror de la Mar, Victoria e Trindade), que transportavam cerca de 1 500 homens, onde os mais experientes eram Nicolau Coelho, que já havia estado na Índia e Bartolomeu Dias que tinha descoberto o Cabo da Boa Esperança.

    - Dom Manuel I (1469–1521):

    Rei de Portugal que pode ser considerado o primeiro rei do Brasil. Ele incentivou as explorações portuguesas iniciadas pelos seus antecessores, levando à descoberta do Brasil, do caminho marítimo para as Índias e das ambicionadas "ilhas das especiarias" (as Molucas), que foram determinantes para a expansão do império português. Após a sua morte, foi sucedido por seu filho João III.

    No ano de 1501 foi realizada uma grande expedição exploratória a costa brasileira, a primeira frota de reconhecimento, composta por 3 naus. Encontraram como recurso explorável apenas o pau-brasil, de madeira avermelhada e valiosa usada na tinturaria europeia, mas fez um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e findaria com o retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502, depois de percorrer a costa e dar nome aos principais acidentes geográficos.

    Em 1503 foi realizada uma nova expedição ao Brasil, comandada por Gonçalo Coelho, sem qualquer objetivo colonizador, apenas exploratório. Essa expedição teve origem em um contrato da coroa com um grupo de comerciantes de Lisboa para extração de pau-brasil. Ela partiu de Lisboa em maio e passou em agosto na ilha de Fernando de Noronha, seguindo para a Bahia, Cabo Frio e Rio de Janeiro.

    Em 1516 iniciam a implantação de Capitanias do Mar nas ilhas dos Açores e da Madeira, na tentativa de proteger suas colônias de incursões francesas e castelhanas.

    - Dom João III (1521–1557):

    Herdou um império vastíssimo que iniciava em Portugal e nas ilhas atlânticas, costas ocidental e oriental de África, Índia, Malásia, Ilhas do Pacífico, China e Brasil. Para evitar à pirataria nas terras recém descobertas, iniciou a colonização efetiva do Brasil, o qual dividiu em capitanias hereditárias, estabelecendo um governo central em 1548. Seus 10 filhos acabaram morrendo sendo sucedido pelo seu neto Sebastião I.

    O pau-brasil (o qual os índios tupis chamavam de ibirapitanga) era a principal riqueza demandada pela Europa na época. A exploração da madeira era incentivada pela Coroa, que adotava a política de oferecer a particulares, concessões de exploração mediante algumas condições, os quais os concessionários deveriam enviar seus navios para descobrirem 300 léguas de terra, instalar fortalezas nessas terras e mantê-las durante 3 anos. Tudo que levassem para o Reino durante o primeiro ano nada seria cobrado, no segundo ano pagariam apenas um sexto de taxas e somente no terceiro ano é que pagariam um quinto. Os marinheiros costumavam recrutar índios para trabalhar no corte e carregamento da madeira e em troca pagavam aos índios pequenas mercadorias como roupas, colares e espelhos (conhecido como "escambo"). Cada nau conseguia carregar em média cerca de 5.000 toras de madeira.

    Em 1532 o rei decidiu ocupar as terras brasileiras pelo regime de capitanias baseadas em um sistema hereditário (que ficou conhecida como Capitanias hereditárias), onde a exploração seria um direito familiar. O dono das terras ou capitânias recebia o título de capitão e governador, recebendo também amplos poderes, de fundar novos povoamentos, vilas e cidades, bem como, o de conceder sesmarias e administrar a justiça. Foram então criadas 15 divisões de terras vastíssimas no território brasileiro, na forma de faixas longitudinais, que tinham como largura marcos de acidentes geográficos no litoral e de comprimento iam até o Meridiano das Tordesilhas. Essas capitanias foram oferecidas a 12 donatários, nobres e militares importantes da corte portuguesa, os quais, 4 nunca foram ao Brasil, 3 faleceram pouco tempo depois, 3 foram conhecer e retornaram em seguida a Portugal, 1 foi preso por heresia e apenas 2 se dedicaram à colonização e fizeram as capitanias prosperarem (Duarte Coelho em Pernambuco e Martim Afonso de Sousa em São Vicente). Nesse mesmo ano (1532), Martim Afonso de Souza traz as primeiras mudas de cana-de-açúcar ao Brasil, diante de condições climáticas favoráveis, solo fértil, mercado certo na Europa com preço elevado, a cultura prosperou facilmente, elevando o Brasil à posição de monopólio mundial da produção de açúcar, o que acabou criando o “ciclo da cana-de-açúcar”.

    Em 1549, verificando o fracasso do sistema de capitanias, foram unificadas as capitanias sob um Governo Geral do Brasil e foi nomeado Tomé de Sousa como governador-geral. Ele tinha como objetivos tornar efetiva a guarda da costa, auxiliar os donatários, organizar a ordem política e jurídica na colônia, organizar a vida municipal, incentivar a produção açucareira, distribuir terras, abrir estradas e construir um estaleiro. Foi criado em 1548 o Regimento do Governador-Geral, que regulamentava o trabalho do governador e de seus principais auxiliares, o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-mor (Fazenda) e o capitão-mor (Defesa). Tomé de Sousa também trouxe ao Brasil, os primeiros missionários católicos da ordem dos jesuítas, juntamente com o padre Manuel da Nóbrega, em seguida, foram trazidas as primeiras cabeças de gado, oriundas de Cabo Verde. erguidas no Brasil. Em 1553, ele visitou as capitanias do sul do Brasil, e na capitania de São Vicente criou a Vila de Santo André da Borda do Campo, transferida em 1560 para o Pátio do Colégio dando origem à cidade de São Paulo. Ainda 1549 já era possível verificar a cultura da cana-de-açúcar prosperando em terras brasileiras, Pernambuco já possuía 30 engenhos-banguê, na Bahia já existiam 18 e em São Vicente já haviam sido montados 2 engenhos.

    Tomé de Sousa foi exonerado do cargo e substituído por Duarte da Costa (fidalgo e senador) em 1553, juntamente com ele foram também mais 260 pessoas, incluindo o então noviço na época José de Anchieta, jesuíta que seria o pioneiro na catequese dos índios americanos. No entanto, apenas alguns anos depois, uma expedição de protestantes franceses desembarcou e se fixou na Guanabara, fundando a colônia da França Antártica. Este fato foi tratado como uma afronta a soberania e a Câmara Municipal da Bahia culpou Duarte da Costa por negligência e solicitou à Coroa portuguesa a substituição do governador. Já em 1556 Duarte foi exonerado do cargo, sendo forçado a retornar a Lisboa e Mem de Sá foi chamado para ser o novo governador do Brasil.

    - Dom Sebastião I (1557–1578):

    Logo no início de seu reinado, elegeu Mem de Sá como o 3º governador-geral do Brasil, que continuou à política de concessão de sesmarias aos colonos e montou um engenho às margens do rio Sergipe (Engenho de Sergipe do Conde). Para enfrentar os franceses da França Antártica, ele se aliou aos índios da região da baía de Guanabara (tamoios e temiminós), enviando seu sobrinho Estácio de Sá, para comandar a retomada da região, após assumido o controle da região, foi fundada a cidade do Rio de Janeiro em 1565.

    Sebastião I desapareceu em combate no Marrocos contra os mouros após a derrota na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578, na tentativa de estabelecer o controle dessa região extremamente importante e estratégica para Portugal, pois permitia manter o controle do estreito de Gilbraltar, portão de entrada e saída do mar Mediterrâneo. Sem herdeiros diretos, quem sucedesse ao trono é seu tio-avô Henrique I

    - Dom Henrique I (1578–1580):

    Era um cardeal e o quinto filho do rei Dom Manuel I e de sua segunda esposa Maria de Aragão e Castela, tendo servido entre 1562 e 1568 como regente de seu sobrinho neto o rei Sebastião, contudo devido sua avançada idade e saúde já fragilizada, seu reinando não durou muito e como não possuía herdeiros, a sucessão ao trono foi passada ao parente mais próximo, o rei Filipe II da Espanha, que também era tio de Dom Sebastião I, provocando assim a união dos reinos de Portugal e Espanha que ficou conhecida União Ibérica.

    União Ibérica (1580-1640):

    - Filipe I de Portugal e Filipe II de Espanha (1581–1598):

    Filipe I era rei da Espanha e com a morte de Dom Henrique I herdou para seu império todo o reino de Portugal e suas colônias, criando assim um dos maiores impérios da Terra, onde se dizia na época que o sol sempre estaria brilhando em alguma parte do império, "onde o sol jamais se punha". Para o Brasil essa união resultou numa grande oportunidade, pois acabava com linha divisória do meridiano das Tordesilhas, permitindo uma expansão das expedições brasileiras para o oeste. Foram organizadas então Várias expedições exploratórias para o interior do continente, sob ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por caçadores de escravos paulistas ("bandeiras", nascendo o termo "bandeirantes"). Estas expedições duravam anos e os principais objetivos eram de capturar índios para serem utilizados como escravos e a busca por pedras preciosas (esmeraldas, diamantes, rubis) e metais valiosos (ouro e prata). Alguns bandeirantes que se tornaram famosos durante este período foram: Fernão Dias Paes Leme, Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera), Raposo Tavares, Domingos Jorge Velho, Borba Gato e Antônio Azevedo.

    Essa União das coroas também teve seus reflexos negativos para o Brasil, pois ao herdar os aliados espanhóis,o Brasil também herdou os principais inimigos, como Inglaterra e Holanda. A Capitania de Pernambuco que era a mais rica de todas as possessões portuguesas, tornou-se então um alvo cobiçado dos novos inimigos. Em 1595 o almirante inglês James Lancaster tomou de assalto o porto do Recife e saqueou a cidade durante um mês. Após a morte de Filipe I em 1598, ele foi sucedido pelo seu filho Filipe II.

    - Filipe II de Portugal e Filipe III de Espanha (1598–1621):

    Herdara a coroa e os inimigos do pai, principalmente Inglaterra, Holanda e França. Os franceses invadiram o Maranhão em 1612 e criaram a França Equinocial, fundando a cidade de São Luís. Entretanto, em 1615 eles foram derrotados por Jerónimo de Albuquerque. Em 1608 o rei Filipe II de Portugal dividiu a administração da colônia brasileira em duas partes, uma ao sul contendo as capitanias do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Vicente, e outra ao norte, contendo as demais. Em 1612 foi criado o Estado do Maranhão, sendo subordinado diretamente a Lisboa e foi separado do Estado do Brasil em 1618. Nesse mesmo ano foi ordenada a visitação do Santo Ofício ao Brasil. Após a morte de Filipe II em 1621, ele foi sucedido pelo seu filho Filipe III.

    No Brasil em 1610 a cultura da cana-de-açúcar prosperava enormemente, começaram a surgir os engenhos que moíam a cana-de-açúcar e processavam o açúcar, eles já se somavam mais de 400 engenhos, que juntos estavam abastecendo quase toda a Europa e enriquecendo os produtores brasileiros.

    - Filipe III de Portugal e Filipe IV de Espanha (1621–1640):

    Em 1621, o Brasil foi dividido em dois Estados: o Estado do Brasil, com as capitanias ao sul do Rio Grande do Norte atual, e o Estado do Maranhão, do cabo São Roque à Amazônia.

    Para combater o grande poder que o império Espanhol estava acumulando, seus principais adversários (Inglaterra, Holanda e França) adotaram a estratégia de atacar as principais colônias espanholas e portuguesas, para reduzir gradualmente a influência do império. Em 1621 a Holanda cria a Companhia das Índias Ocidentais e começa a atacar as costas brasileiras, inicialmente invadiu a Bahia em 1624, conquistando a cidade de Salvador e permanecendo lá durante quase um ano, e depois em Pernambuco no ano de 1630, onde se fixou por cerca de 24 anos. Em seguida em 1631 foram invadidas Recife e Olinda, que passaram a ser administrados por Maurício de Nassau. Para tentar defender melhor as colônias, a coroa espanhola aumentou a cobrança de taxas e impostos de todos os reinos e colônias do império, levando a um descontentamento geral, principalmente dos portugueses, que começaram provocar tumultos em diversas províncias.

    A aristocracia e a classe média portuguesa, descontentes com o domínio espanhol, começaram a organizar um golpe, que teve início em Lisboa e que espalhou rapidamente pelo país no final do ano de 1640. Portugal conseguiu restaurar sua a independência da Espanha sob o comando do duque de Bragança, que seria em seguida nomeado rei Dom João IV, iniciando uma nova dinastia portuguesa. Filipe IV da Espanha procurou ainda impedir a revolução, iniciando uma guerra contra Portugal que terminou em derrota espanhola no ano de 1668.

      ■ Principado do Brasil (1645–1815):

    - Dom João IV "O Restaurador" (1640–1656):

    Dom João IV era trineto do rei Dom Manuel I de Portugal e foi o líder da Guerra da Restauração pela conquista e reconhecimento da independência de Portugal do controle da Espanha. Assim que Dom João IV foi aclamado rei de Portugal, foi declarado como traidor pelo rei Filipe IV da Espanha e ambas as nações começaram a se preparar para a guerra. Ocorreram os primeiros confrontos em 1641, tanto na península ibérica quanto nas colônias, contudo, em ambos os locais, Portugal recebeu ajuda militar da Inglaterra, da França e da Suécia, pois eram os principais adversários dos espanhóis na guerra dos trinta anos.Foi sucedido pelo seu filho Afonso VI.

    Em 1642, Portugal tenta estreitar laços e concede à Inglaterra a posição de "nação mais favorecida" e os comerciantes ingleses passaram a ter maior acesso ao comércio colonial e a comercialização de produtos brasileiros, principalmente o açúcar.

    Em 1645, reunidos no Engenho de São João, diversos líderes pernambucanos assinaram acordo para lutar contra o domínio holandês na capitania, ocorreram uma série de vitórias dos insurretos perante os holandeses. No final dos combates, os holandeses famintos efetuaram um ataque há uma plantação e acabaram sendo expulsos por mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves. Os holandeses acabaram sendo expulsos da região após a chegada de reforços portugueses em 1654.

    - Dom Afonso VI (1656–1683):

    Dom Afonso VI foi o segundo filho de Dom João IV, nascido como Infante de Portugal, ele não estava destinado a reinar, mas tornou-se herdeiro do trono com a morte do irmão Dom Teodósio em 1653. No testamento de Dom João IV a regência do reino foi passada à sua mulher, Luísa de Gusmão, até que Afonso VI tivesse a habilidade necessária para governar. O fim da guerra entre franceses e espanhóis ocorreu em 1659, liberando os espanhóis a se concentrarem na guerra contra Portugal.

    Em 1661 a Inglaterra se comprometeu a defender Portugal e suas colônias da Espanha, em troca de 2 milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões de Tânger e Bombaim.

    No ano de 1668 Pedro o último filho de Dom João IV, assumiu a regência do reino, devido à instabilidade mental de Dom Afonso VI, que fora considerado mentalmente incapaz de governar. Dom Pedro II, no mesmo ano que assumiu a regência, conseguiu consolidar um tratado de paz com a Espanha, que ficou conhecido como o Tratado de Lisboa. Assim que Dom Afonso VI faleceu em 1683 foi sucedido por seu irmão Dom Pedro II.

    - Dom Pedro II de Portugal (1683–1706):

    Inicialmente formou uma aliança com os ingleses foi decisiva na consolidação de seu poder, concedendo uma grande liberdade de comércio para os ingleses juntamente com Portugal, Brasil e as colônias.

    Na década de 1690, foi descoberto pelos bandeirantes paulistas, ouro nos ribeirões das terras da capitania de São Paulo, essas terras ficariam conhecidas posteriormente como Minas Gerais, dando inicio ao "Ciclo do Ouro". A população das Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil, se tornando a única capitania do interior do Brasil com grande população. Após a descoberta das primeiras minas de ouro, a coroa portuguesa iniciou a organização de sua extração, pois havia grande interesse nesta nova fonte de renda e o comércio de açúcar estava passando por uma crise devido a grande oferta no mundo. Foi iniciada a cobrança do imposto do quinto do ouro, correspondendo ao apgamento de 20% de todo o ouro que fosse encontrado no Brasil. Esse imposto era cobrado nas casas de fundição, que eram responsáveis e detinham a exclusividade de direitos por fundir o ouro.

    Em 1693 foi crada a Capitania de São Paulo e Minas Gerais, para administrar de forma mais detalhada a mineração do ouro. Foi inaugurada em março de 1694 a Casa da Moeda da Bahia, onde foram cunhadas as primeiras moedas brasileiras para uso da própria colônia em 1695, estas moedas eram de 4.000 e 2.000 réis, em ouro e 640, 320, 160, 80, 40 e 20 réis, em prata. Em 1695 ocorreu a destruição do Quilombo dos Palmares em Alagoas. O ouro mineiro começava a chegar a Portugal, em 1697 foi mencionada a chegada de 115,2 kg de ouro a Lisboa, em 1699 este valor já aumentara para 725 kg de ouro, em 1701 a quantidade já era aproximadamente 1.775 kg de ouro. Ocorreu a criação da Intendência das Minas em 1702 para ajudar na administração do ouro. Após a sua morte em 1706, foi sucedido pelo seu Filho João V.

    - Dom João V (1706–1750):

    Dom João V teve um dos mais longos reinados portugueses, que durou cerca de 43 anos e foi dividido em dois períodos distintos, uma primeira parte onde Portugal teve um papel ativo e de destaque político na Europa e no mundo e uma segunda parte, a partir de 1730, onde a aliança estratégica com a Inglaterra teve maior importância e acabou estagnando Portugal. Contudo, a minerção de ouro brasileira estava em seu auge, em certos anos foram enviadas mais de 20 toneladas de ouro a Lisboa e em média, durante os anos de seu reinado, chegaram a Portugal cerca de 8 toneladas de ouro do Brasil, facilitando muito o mantenimento da riqueza e dos poderes da nação portuguesa.

    Foi descoberto próximo do ano de 1720 diamantes e outras gemas preciosas nas terras brasileiras, na região de Diamantina, abrindo um novo mercado de exploração na colônia.

    Dom João V foi quem conseguiu consolidar o Tratado de Madrid de 1750, que estabeleceu as modernas fronteiras do Brasil, após os conflitos sul americanos, no Rio da Prata pela colônia do Sacramento e Montevidéu, na amazônia pelo Forte de São José da Barra do Rio Negro na atual Manaus e o território dos Sete Povos das Missões.

    Durante este período a emigração para povoação do Brasil atingiu o seu auge, devido justamente ao "Ciclo do Ouro", a população do Brasil quase quadruplicou. Todos os anos, 4000 a 6000 portugueses em média, emigravam para o Brasil. Sendo necessário iniciar uma política de emigração. após a morte de Dom João V, ele foi sucedido pelo seu Filho José I.

    - Dom José I (1750–1777):

    O reinado de José I foi marcado pelas políticas do seu secretário de Estado, conhecido como Marquês de Pombal, que reorganizou as leis, a economia e a sociedade portuguesa, transformando Portugal em um país moderno. No entanto, Portugal foi abatida por uma grande calamidade em 1755, quando Lisboa foi abalada por um violento terremoto, com uma amplitude aproximada de 9,0 pontos na escala de Richter. A cidade foi totalmente devastada pelo terremoto, sendo seguida por maremoto e depois por incêndios, como consequências do terremoto.

    Em 1774 Dom José I foi declarado inapto para governar, devido a loucura, sendo sucedido em regência por sua esposa Dona Mariana, até a sua morte em 1777, quando Dona Mariana assume a regência pela sua filha Maria I.

    - Dona Maria I ("a Louca") e seu consorte Pedro III (1777–1815):

    Dona Maria I Rainha de Portugal casou-se com o Infante Dom Pedro III, que era seu tio, para assegurar a continuidade dinástica da Casa de Bragança. Ela é reconhecida tradicionalmente como a primeira Rainha reinante em Portugal, contudo Teresa de Leão já havia sido reconhecida como rainha pelo papa em 1112. Seu primeiro acto como rainha foi a demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, alterando assim a estrutura de governo da nação. Ela era amante da paz, dedicada a obras sociais e havia concedido asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos do Terror da Revolução Francesa (1789-1799). Desenvolveu a cultura e as ciências, enviando diversas missões científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique e efetuou a fundação da Academia Real das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública da Corte. No entanto, em 1785 promulgou um alvará impondo pesadas restrições à atividade industrial no Brasil.

    Durante seu reinado ocorreu a Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira em 1789, que foi uma conspiração de natureza separatista que ocorreu na então capitania de Minas Gerais, liderada pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Os inconfidentes mineiros eram contra a execução da Derrama (confiscação de bens e objetos de ouro dos mineiros, além do imposto quinto de 20%, para atingir valor da meta estipulada pela Coroa de 1,5 toneladas de ouro por ano) e o domínio português, os líderes da Inconfidência foram condenados e executados na forca.

    Tornou-se mentalmente instável em 1792, sendo obrigada a aceitar que seu filho João tomasse conta dos assuntos de Estado. Em 1798 ocorreu na Capitania da Bahia a Conjuração Baiana, que também ficou conhecida como "Revolta dos Alfaiates" e possuía um caráter emancipacionista, os conjuradores foram duramente punidos pela Coroa portuguesa. Em 1799, sua instabilidade mental se agravou, devido algumas ocorrências de grande importância em sua vida, como a morte de seu marido Pedro III em 1786 e seu de filho, o príncipe herdeiro José em 1788 com apenas 27 anos e a Revolução Francesa e execução na guilhotina do Rei Luís XVI de França, país vizinho, culminando na regência do herdeiro João VI de Portugal.

    Após a Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte assumi o poder na França e inicia uma política expansionista de guerra, invadindo os países vizinhos e devido a dificuldade de subjugar a Inglaterra, inicia um bloqueio comercial contra ela, decretando que todos os portos europeus deveriam ser fechados para os navios ingleses. Contudo, Portugal como uma nação amiga da Inglaterra a muitos séculos, não obedeceu a ordem. Napoleão então inicia o processo de invasão de Portugal para fazer cumprir a ordem, aproveita a liberação espanhola para passagem de suas tropas e toma o poder espanhol, colocando seu irmão como governante da Espanha. Em 1807 prevendo a derrota devido o maior poderio militar francês, a família real portuguesa foge para o Brasil deixando Portugal ser conquistada, enviando tropas para tentar reconquistar apenas no ano seguinte. Dona Maria I passou seus últimos anos no Brasil, onde veio a falecer em 1816, sendo sucedida pelo seu filho Dom João VI.


    • Reino do Brasil (1815-1822):

Brasão reino - AVH

    - Dom João VI (1816–1822):

    Dom João VI Era o segundo filho na linhagem sucessória, sendo o príncipe herdeiro ao trono seu irmão mais velho Dom José. Após a morte de José em 1788, Dom João VI assume como herdeiro ao trono e como a rainha sua mãe já dava sinais de insanidade, sendo declarada em 1792 incapaz de gerir o reino, ele assume rapidamente o governo. Após a execução do rei francês Luís XVI em 1793 pelas forças revolucionárias, Portugal aliou-se à Inglaterra e Espanha em um tratado de defesa mutuo contra os franceses, iniciando assim, uma série de combates contra os franceses.

    Secretamente Dom João VI havia estabelecido com a Inglaterra um novo acordo, em que Portugal receberia ajuda para uma eventual fuga da família real para o Brasil. Em outubro de 1807 chegaram informações de que um exército composto de franceses e espanhóis se aproximava, em 1º de novembro Napoleão divulgou uma notícia dizendo que a Casa de Bragança deixaria de reinar em 2 meses, dessa forma, em 6 de novembro uma esquadra inglesa entrou no porto de Lisboa com uma força de 7 mil homens, com ordens de escoltar a família real para o Brasil ou se o governo português se rendesse aos franceses, atacar e conquistar Lisboa. Sem melhores opções Dom João VI, acompanhado de toda a família real, de um grande séquito de nobres, prelados, funcionários de estado e criados, bem como uma grande quantidade de bagagens contendo valioso acervo de arte, arquivos e o tesouro real, partiram para o Brasil, deixando Portugal sob o comando do Conselho de Regência de 1807.

    Em 22 de janeiro de 1808, os navios que levava Dom João VI chegaram no Brasil aportando em Salvador na Bahia. Neste primeiro momento foi decretada a abertura dos portos do Brasil às nações amigas, liberando o Brasil para comercializar com os países europeus. Após um mês em Salvador comemorando a presença da corte portuguesa, Dom João VI prosseguiu viagem para o Rio de Janeiro. Com a chegada da corte portuguesa, foi transferido para o Brasil o essencial para se estabelecer um Estado soberano completo, hierarquias civis, religiosas e militares, aristocratas, profissionais liberais, artesãos qualificados, servidores públicos, entre outros, iniciando assim, a fundação do Estado brasileiro moderno, a transformação da colônia em reino e o começo de sua independência. Dom João VI também fundou o Banco do Brasil em 12 de outubro de 1808, que se tornou o primeiro banco criado em território do Império Português, visando incentivar o desenvolvimento industrial no Brasil. O Banco do Brasil foi instalado no Rio de Janeiro, iniciando suas atividades a 11 de dezembro de 1809 com 1200 contos de réis de capital. Ele foi o quarto banco emissor do mundo, depois do Banco da Suécia (1668), Banco da Inglaterra (1694) e Banco da França (1800). Em 1810 Dom João VI aprova a construção da Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, que foi uma Fábrica de Ferro moderna na época para aproveitar o minério de Araçoiaba, localizada no morro de Ipanema. Foi criado o Distrito do Ipanema para abrigar a fábrica e técnicos e tecnologia foram trazidos da Europa para a construção da fábrica, que custou cerca de 60 contos de réis. A região foi escolhida por que possuía jazidas de magnetita, abundância de madeira para alimentar os fornos e de água que serviria como força motriz. Ela produziu diversos maquinários para engenhos de açúcar e café e durante a Guerra do Paraguai se tornou uma das primeiras fábricas de armas do Brasil, sendo considerada atualmente como o berço da siderurgia nacional.

    Em 1815, após a queda de Napoleão, as potências europeias efetuaram o Congresso de Viena para reorganizar o mapa político, neste evento foi sugerido elevar a condição do Brasil de colônia para reino unido a Portugal, estreitando assim, as relações entre as regiões e justificando a presença da corte e da coroa no Brasil. Em 1816 faleceu a rainha Dona Maria, Dom João VI assume inteiramente o trono e já em 1817 conquista Montevidéu e faz anexação da Província Cisplatina em 1821. Após a ascensão ao trono se iniciou uma grande pressão para o retorno da família real para Portugal, culminando em 1821 na exigência de retorno, sob risco de tomada do poder perante um Conselho de Regência. Pressionado, Dom João Vi pensou em enviar para Lisboa o príncipe herdeiro Dom Pedro I, para outorgar uma Constituição e estabelecer as bases de um novo governo, no entanto, o príncipe se recusou a retornar. Restando apenas a opção de nomear Dom Pedro I regente do Brasil e retornar para Lisboa em 25 de abril de 1821.

    O retorno de Dom João VI ocorreu sob diversas condições, as quais restringiam em muitos seus poderes de governante, a rainha Dona Carlota Joaquina decidiu não assinar as exigências e acabou send destituída da posição de rainha de Portugal. Desde então, ela passou a conspirar com seu filho o infante Dom Miguel, para retomar seus poderes e assumir o trono. Dom Miguel que exercia o comando do exército Português, liderou a revolta Vilafrancada, que instigado por sua mãe, tentava restaurar o absolutismo em Portugal. Dom João VI prevendo que poderia ser destituído do poder por seu filho e pela rainha, resolve apoiar o golpe e juntos, conseguem restaurar o absolutismo, retomando os poderes anteriores e devolvendo a condição de rainha a Dona Carlota. No entanto, a aliança entre Dom Miguel e Dom João VI não vigorou, a rainha com cede de mais poder influenciou Dom Miguel a colocar o pai preso sob custódia, alegando estar protegendo de ameaças de morte de maçons. Alguns dias depois Dom João VI simulou um passeio rotineiro e se refugiou em uma armada britânica que estava ancorada no porto. Com o apoio inglês, Dom João VI chamou o filho Dom Miguel, o repreendeu e o destituiu do comando do exército, exilando-o em seguida. Em 1824 anistiou os envolvidos na revolução, excetuando os oficiais que foram desterrados e recolocou em vigor a antiga Constituição do reino, convocando novamente as Cortes para a elaboração de um novo texto.

    O Brasil somente foi reconhecido independente em 29 de agosto de 1825, Dom Pedro I governaria soberano o Brasil com o título de Imperador Regente, mantendo Dom João VI o título de Imperador Titular do Brasil, assinando documentos oficiais como "Sua Majestade o Imperador e Rei D. João VI". Em 4 de março de 1826, Dom João VI almoçou no Mosteiro dos Jerônimos e ao retornar ao Paço da Bemposta, sentiu-se mal e começou a vomitar e a ter convulsões e desmaios, que duraram 5 dias, quando pareceu que ia melhorar, por prudência designou sua filha, a infanta Isabel Maria, como regente. No entanto, na noite do dia 9 as crises se agravaram, levando-o a morte na madrugada seguinte do dia 10. A infanta Isabel Maria assumiu imediatamente o governo interino e Dom Pedro I foi reconhecido como legítimo herdeiro, sendo nomeado Dom Pedro IV de Portugal e sendo chamado ao retorno do Brasil.


    • Brasil Imperial (1822-1889):

Brasão império - AVH

    - Dom Pedro I do Brasil (1822–1831) ou Pedro IV de Portugal :

    Em 1822 Dom Pedro I foi intimado a retornar a Portugal, desobedecendo a solicitação e decretando oficialmente que ficaria no Brasil, recebe a notícia logo em seguida, que seria rebaixado da regência do Brasil. Ele então lidera uma revolta contra o governo de Portugal, proclamando a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, se tornando o primeiro imperador brasileiro, ao que tudo indica, já com o consentimento do rei Dom João VI, para evitar a perda de influência da família real no Brasil, assim como estava ocorrendo em Portugal. Ele foi aclamado Imperador Dom Pedro I em 12 de outubro de 1822, sendo obrigado a forçar a submissão de várias províncias brasileiras nas regiões sudoeste, nordeste e norte, que ainda eram leais a Portugal e se renderam apenas em 1824. Em 1826 Dom Pedro I recebe a notícia da morte de seu pai Dom João VI e de que ele havia sido aclamado como Rei Dom Pedro IV de Portugal. Ele imediatamente abdicou da coroa portuguesa, pois sabia que não poderia reinar no Brasil e Portugal ao mesmo tempo e possuía preferência pelo Brasil, passando o trono para sua filha mais velha, Rainha Dona Maria II de Portugal.

    Dom Pedro I criou em 1823 o Batalhão do Imperador para combater as tropas portuguesas que leais a Portugal resistentes a independência do Brasil. O Batalhão do Imperador era uma unidade de infantaria de elite, muito bem selecionada, que tinha como como adjunto do comandante da companhia, Luís Alves de Lima e Silva, mais conhecido como "Duque de Caxias o Pacificador" ou "Duque de Ferro", e o comandante era seu tio, o coronel José Joaquim de Lima e Silva. Após o fim do conflito e a vitória sobre as tropas portuguesas restantes, o Batalhão do Imperador retorna vitorioso para o Rio de Janeiro e Luís Alves de Lima e Silva é promovido a capitão em 1824.

    Planejou o casamento da filha com seu irmão mais novo Miguel para facilitar a aceitação do governo da mesma, contudo não contava com a traição do irmão, que assim que assumiu como o governo, anulou a constituição e se nomeou regente de Dona Maria II, apoiado por sua mãe Carlota Joaquina e suas irmãs. Dom Pedro I foi então obrigado a interferir voltando sua atenção para garantir os direitos da filha em Portugal. Em 1825 foi declarada a independência da Cisplatina, iniciando a Guerra da Cisplatina, forçando Dom Pedro I a manter sua atenção no Brasil. Ele enviou o Batalhão do Imperador para Montevidéu junto com o capitão Luís Alves de Lima e Silva e viajou junto para o sul do Brasil em 1826 e tentou resolver o conflito, no entanto, teve que retornar ao Rio de Janeiro devido complicações de saúde e falecimento de sua esposa Maria Leopoldina, filha do imperador Francisco I da Áustria. Incapaz de administrar todos os conflitos aos mesmo tempo, acabou perdendo a Guerra da Cisplatina em agosto de 1828, com a província tornando-se o país independente do Uruguai. Ao final da guerra Luís Alves de Lima e Silva ´r promovido a major devido suas contribuições.

    Dom Pedro I casou-se novamente, com a princesa Amélia de Leuchtenberg, filha do Duque de Leuchtenberg, o que estabilizou sua vida pessoal e juntamente com a desistência da Cisplatina, possibilitaram voltar sua atenção para sua filha e a retomada de Portugal. Após alguns meses planejando, durante uma revolta popular na cidade do Rio de Janeiro, ele resolve abdicar ao trono em 1831, passando-o para seu filho, o príncipe herdeiro Dom Pedro II. Dom Pedro I viajou logo em seguida para a França e para a Inglaterra, tentando arrumar aliados para atacar Portugal, no entanto ninguém se aliou a sua causa. Verificando que apenas o arquipélago de Açores havia mantido lealdade a Dona Maria, Dom Pedro I viaja para os Açores e lá permanece alguns meses planejando e formando uma pequena armada, que em julho de 1932 parte para Portugal. Ao chegar na cidade do Porto, O exército de Dom Pedro I que se encontrava em inferioridade numérica, foi cercado pela forças de Dom Miguel e se iniciou uma luta que duraria mais de um ano.

    Durante o cerco, Antônio Carlos de Andrada, um representante do chamado Partido Restaurador, pediu para Dom Pedro I retornar ao Brasil e governar seu antigo império como regente durante a minoridade do filho. Contudo, verificando que isto serviria apenas de manobra política e sem querer abandonar sua causa, ele efetua exigências quase impossíveis para fosse possível seu retorno. Durante a guerra contra Dom Miguel, Dom Pedro I montou canhões, cavou trincheiras, cuidou de feridos, comeu dentre os soldados e lutou sob fogo pesado. Quando estava quase perdendo a guerra, Dom Pedro I resolveu mudar de estratégia e verificando um ponto fraco no exército inimigo, dividiu suas forças e enviou uma parte de seu exército para atacar o sul de Portugal, na região de Algarve. O ataque foi um sucesso, a região não estava preparada para se defender e caiu diante das forças de Dom Pedro II, abrindo caminho direto para Lisboa, que foi capturada em julho de 1833. Dom Pedro I iniciou a subjugação do restante de Portugal, no entanto, o Conde de Molina, seu tio espanhol irmão de Dona Carlota Joaquina, interveio em auxílio a Dom Miguel. O Conde de Molina já estava tentando usurpar o poder de sua sobrinha a rainha Isabel II de Espanha. Dom Pedro II se aliou com os exércitos espanhóis leais à rainha, derrotando tanto Dom Miguel quanto o Conde Carlos, assinando um tratado de paz em maio de 1834.

    Todo esse conflito minou a saúde de Dom Pedro I e no final de 1834, ele estava sofrendo de tuberculose, que veio a se agravar, levando-o a morte em setembro de 1834, logo após recolocar sua filha Dona Maria II para reinar no Império Português durante longo período até a sua morte e seus descendentes reinaram até o final da monarquia portuguesa em 1910.

    - Dom Pedro II (1831–1889):

    Dom Pedro II nasceu em 1825 na cidade do Rio de Janeiro e foi o filho mais novo de Dom Pedro II, contudo, foi o único filho homem a sobreviver a infância. Além de sua descendência da família real portuguesa, tinha outras descendências reais por parte de mãe, Imperatriz Maria Leopoldina da Áustria, que era filha de Francisco II, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico. Após completar um ano de vida em 1826, sofre a perda de sua mãe a Imperatriz Leopoldina e em 1831 Dom Pedro II abdica ao trono e parte embora para Portugal juntamente com sua irma mais velha e sua madrasta princesa Amélia de Leuchtenberg, perdendo quase totalmente o contato com eles. Essa abdicação de Dom Pedro I resultou na passagem do trono do império brasileiro para Dom Pedro II que estava com apenas 5 anos de idade. Foi então criada uma regência para governar em seu lugar e administrar os conflitos internos até que ele atingisse a maioridade em 1843.

    Sua infância e adolescência foram infelizes e solitárias, passava os dias estudando, das 07:00 até 22:00 horas, com apenas 2 horas livres para recreação. Luís Alves o "Duque de Caxias", foi nomeado instrutor de esgrima e hipismo do jovem Dom Pedro II, criando uma amizade entre eles que levou Luís Alves a ser promovido a tenente-coronel em 1837, a coronel em 1839, a brigadeiro em 1841 e a marechal em 1842, sendo elevado por Dom Pedro II para o título de Barão de Caxias, após suprimir com maestria, em grande parte das vezes utilizando apenas diplomacia, diversas revoltas pelo império. A elevada formação e capacidade de aprendizado de Dom Pedro II, criaram um reputação e preparo, os quais lhe proporcionavam uma figura de autoridade cuja presença era indispensável a sobrevivência do país. Diante de várias crises, a melhor solução encontrada tanto pelos políticos quanto pela população era antecipar a maioridade de Dom Pedro II, tornando-o imperador ainda jovem. Isto ocorreu em 1840, quando possuía apenas 14 anos de idade, este evento colocou-se um fim no período de regência e estabilizou o governo, diante da presença de um legítimo monarca no trono brasileiro. Em 1943 Dom Pedro II se casou com a Princesa Teresa Cristina do Reino das Duas Sicílias, com quem teve 4 filhos: Afonso em 1845, Isabel em 1846, Leopoldina em 1847 e Pedro em 1848, infelizmente os dois meninos morreram ainda na infância, abalando muito Dom Pedro II.

    Em 1848, ocorreu uma intensificação ao confronto de tráfico ilegal de escravos africanos, de acordo com os tratados de extinção do tráfico com a Inglaterra, o tráfico deveria ter deixado de existir, no entanto, continuou de forma oculta, pois o Brasil ainda utilizava fortemente essa mão-de-obra trabalhadora. Desde de Dom Pedro I, a ideia abolicionista vinha ganhando força, porém, os grande produtores rurais brasileiros que sempre possuíram grande influência na política, eram os grandes utilizadores da mão-de-obra escrava e não desejavam perder seus trabalhadores. Em 1850 foi promulgada a lei Eusébio de Queirós que conseguiu combater e eliminar de vez a importação de escravos africanos. Ainda em 1850, tem início a Guerra do Prata, devido a conflitos de interesse de soberania sobre os territórios ao redor do Rio da Prata e sua navegação. O ditador argentino Juan Manuel de Rosas, apoiava rebeliões na região e visava a dominação total da região para sua nação. O Brasil se aliou ao Uruguai e a algumas províncias rebeldes argentinas, conseguindo obter uma vitória na guerra após 2 anos de conflitos, resultando na queda do governante argentino.

    Nesse período o Brasil começou a se destacar internacionalmente, se mostrando como a maior potência da América do Sul. Graças ao modelo de governo baseado na monarquia parlamentarista adotada pela nação e as habilidades de liderança de Dom Pedro II, que era muito tolerante, raramente se ofendia com críticas da oposição, era muito cuidadoso em nomear candidatos, escolhendo somente os altamente qualificados para as posições no governo, baseada na moralidade e mérito, buscando constantemente coibir a corrupção. Ele obrigava políticos e funcionários públicos a seguirem seus exemplos de padrões exigentes de trabalho, Para estabelecer o padrão, ele vivia de forma simples, havendo cortado os gastos com bailes e eventos da corte em 1852, ele também recusou as propostas para aumentarem o valor da cota de seus gatos, que era de 800:000$000 ou 800 contos de réis por ano (equivalente a US$405.000) em 1840, o que representava na época 3% dos gastos públicos e se manteve reduzindo até 1889, quando representava 0,5% dos gastos públicos.

    Nesta mesma época começava a se destacar Irineu Evangelista de Sousa, mais conhecido como Visconde de Mauá, que foi um dos maiores industriais brasileiros, pioneiro em sua época e responsável por implantar a revolução industrial brasileira. Visconde de Mauá construiu o primeiro estaleiro naval do Brasil e fabricou nossos primeiros navios a vapor, muito utilizados para o tráfico de escravos e nas guerras, após decretado o fim do tráfico de escravos ele redirecionou seus negócios para outros tipos de empreendimentos industriais, diversificando seu capital. Em 1852, fundou o Banco Mauá, MacGregor & Cia, com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Paris e Nova Iorque. Criou o segundo Banco do Brasil em 1851 e já em 1853 se fundiu com o Banco Comercial do Rio de Janeiro fundado em 1838, surgindo o novo Banco do Brasil. Criou o projeto de iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro, onde substituiu mais de 30 km de lampiões a óleo de baleia por gás oriundo da fábrica que ele também construiu em 1854. Organizou a Companhia de Navegação do Amazonas composta pelos barcos a vapor construídos por ele. Construiu a primeira linha de trem do Brasil em 1854, ligando o porto de Mauá na baía de Guanabara, a estação de Fragoso, na raiz da serra da Estrela em Petrópolis, com a extensão de 14 km , cuja inauguração contou com presença do imperador Dom Pedro II, que presenteou Irineu com o título de barão de Mauá. Irineu também criou uma companhia de bondes puxados por burros para a cidade do Rio de Janeiro, construiu a segunda ferrovia do Brasil que ligava Recife e São Francisco para o transporte de açúcar, criou o primeiro banco do Uruguai em 1857, chamado Banco Mauá Y Cia, participou como acionista da construção da Ferrovia Dom Pedro II, atual Estrada de Ferro Central do Brasil, participou também como empreendedor da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí em 1867. Uma de suas obras mais fantásticas para a época em 1874, foi o assentamento do cabo submarino telegráfico interligando a América do Sul e a Europa.recebendo em seguida o título de Visconde de Mauá, em homenagem a suas contribuições a nação.

    Tudo isso resultou no inicio de um período de grande prosperidade econômica, o país foi interligado em diversas áreas através de linhas férreas, telegráficas e de navios a vapor. Dom Pedro II também investiu bastante na educação, nas ciências e nas artes, fundando o Colégio Pedro II que serviu de modelo para todas as outras escolas brasileiras, a Imperial Academia de Música e Ópera Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o observatório astronômico do paço, entre outros. Financiou diversos estudantes, cientistas e artistas, acabando por fazer parte de diversas academias de ciências internacionais e sendo reconhecido por diversos cientistas renomados.

    Em 1862 o cônsul britânico no Rio de Janeiro enviou um ultimato contendo exigências abusivas de indenizações devido 2 incidentes ocorridos no Brasil, com soldados e um navio britânico, sem grande importância, mas que ao cerem recusadas pelo governo brasileiro, resultaram e atitudes agressivas por parte dos britânicos, que enviaram navios de guerra para prender navios mercantes brasileiros como forma de indenização. Dom Pedro II apoiou a resistência e incentivou a compra de canhões para defesa costeira e de navios encouraçados para defesa das águas brasileiras, dando ordens para atacar qualquer navio de guerra inglês que se aproximasse de nossas águas. Os ingleses surpreendidos com a atitude, iniciaram acordos de paz, mas que no entanto, resultaram no corte de ralações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra.

    Uma guerra civil se inicia no Uruguai em 1863, levando ao assassinato de brasileiros e ao saque de propriedades de brasileiros no Uruguai, exigindo uma intervenção do governo brasileiro, que enviou tropas lideradas por Luís Alves o "Duque de Caxias", que invadiu o Uruguai, iniciando a Guerra do Uruguai, que terminou no ano seguinte, com a respectiva promoção de Luís Alves para tenente-general e Marquês. Enquanto isso, o ditador paraguaio, Francisco Solano López, se aproveitou da situação dos diversos conflitos em que o Brasil se envolvia e invadiu a província brasileira do Mato Grosso (atualmente o estado do Mato Grosso do Sul), iniciando a Guerra do Paraguai. Na sequencia, invadiram território argentino para depois tentar uma invasão à província brasileira do Rio Grande do Sul. Dom Pedro II, verificando a importancia dos eventos, decide ir à frente de batalha auxiliar na gestão das tropas e leva consigo "Duque de Caxias" como seu ajudante de campo. Diante da recusa do Conselho de Estado, ele decide ir como um "Voluntário da Pátria", partindo para o sul em 1865.

    Chegando em Uruguaiana, que estava ocupada pelo exército paraguaio, acompanhou o cerco aos paraguaios e ofereceu os termos de rendição ao comandante paraguaio, que os aceitou. Ainda em Uruguaiana, Dom Pedro II recebeu um novo embaixador britânico, que se desculpou publicamente em nome da rainha Vitória e do governo britânico, as quais foram aceitas e reiniciadas as relações diplomáticas. A Guerra do Paraguai só foi terminar 5 anos depois, com a morte de López em batalha em 1870 e durante todo esse período Dom Pedro II acompanhou de perto e auxiliou na construção de fábricas de armas, compra de navios e recrutamento de tropas, se recusando a aceitar acordos que não levassem a derrota completo do ditador. Após diversas vitórias no Paraguai e com a guerra quase no fim, Luís Alves retorna de maneira antecipada para o Brasil, inclusive contrariando ordens, pois sua saúde já se encontrava prejudicada ao extremo. Mesmo assim Dom Pedro II o condecorou com a Imperial Ordem de Pedro Primeiro e o elevou ao título de duque, o mais alto da nobreza brasileira, tornando-o a única pessoa a receber tal título durante o reinado de Dom Pedro II.

    Após este período, o Brasil voltou a prosperar bastante, no entanto, a escravidão continuava a atormentar Dom Pedro II, que deseja muito seu término, mas não de uma maneira abrupta que pudesse destruir a economia brasileira baseada nesse recurso, mas sim aos poucos, gradativamente. Após a proibição do tráfico, o próximo passo para atingir essa meta foi implantar a "Lei do Ventre Livre" em 1871, onde as crianças nascidas de mulheres escravas seriam livres. Entretanto somente em 1888 é que ocorreria a abolição completa da escravidão, mas nessa época Dom Pedro II já se encontrava com idade avançada, cerca de 63 anos, e com a saúde prejudicada, realizando tratamentos na Europa com frequência. Já consciente de que a perda de seus 2 filhos homens comprometida a sua sucessão ao trono, pois as filhas mulheres dificilmente seriam aceitas comandando o Império brasileiro, Dom Pedro II já se preparava para o fim da monarquia. A ideia republicana estava ganhando força nos quartéis entre os militares e após o final da escravidão, os grandes fazendeiros também começaram a apoiar a ideia. Dom Pedro II chegou até a sofrer um atentado em julho de 1889, quando um jovem atirou contra ele aos gritos de "Viva a República", aumentando ainda mais seu desânimo com o governo da nação. Como medida protecionista contra as armas dos militares, o governo reativou a Guarda Nacional para defender seus interesses em 1889, essa medida foi vista pelos republicanos como uma força de reação para enfrentá-los e antes que essa força crescesse, resolveram agir rapidamente. No dia 15 de novembro de 1889, os republicanos se rebelaram e realizaram um golpe de Estado, instituindo a República e depondo Dom Pedro II do trono. Ao saber da notícia, Dom Pedro II não esboçou nenhuma reação, aceitando e concordando com os termos, evitando assim qualquer derramamento de sangue em seu nome.

    Dessa forma, se inicia o período da República brasileira, após 58 anos de reinado prósperos de Dom Pedro II, ele foi exilado juntamente com toda a sua família para Europa. Imperatriz Teresa Cristina faleceu na cidade do Porto 3 semanas após a sua chegada, em seguida, Dom Pedro II foi morar em Paris. No ano de 1891, logo após um passeio, prolongado pelo rio Sena exposto ao frio intenso, Dom Pedro II acabou pegando um resfriado, que evoluiu rapidamente para uma pneumonia, provocando-lhe a morte.


    • República dos Estados Unidos do Brasil (1889 - 1964):

Brasão república estados unidos - AVH

     ► A Primeira República ou República Velha (1889-1930):

      ■ Governo Provisório (1889-1891):

    - Marechal Manuel Deodoro da Fonseca - 1º Presidente da República (1889–1891):

    O movimento da proclamação da república foi essencialmente militar, não havendo participação popular, sendo liderado apenas pelos oficiais do exército, dentre eles se destacava o Marechal Deodoro, o qual assumiu a presidência da República, se tornando o primeiro presidente do Brasil. Neste primeiro momento, foram tomadas ações para garantir a continuidade do golpe e finalizar de vez com a monarquia. A família imperial brasileira foi banida do território brasileiro e seus bens confiscados pelo estado. As províncias se transformaram em estados e foram nomeados governadores para cada um deles, a Igreja e o Estado foram separados e em 1891 foi promulgada a primeira constituição republicana do Brasil, colocando um fim no governo provisório. A política econômica adotada permitia que os bancos emitissem moeda sem qualquer exigência de lastro em ouro, na tentativa de fazer com que as empresas pudessem pagar seus operários e aumentar o mercado consumidor, estimulando as indústrias. Contudo, o que realmente aconteceu, foi um elevação inflação que desvalorizou rapidamente a moeda da época, o Réis. No final de 1891, o Marechal Deodoro ainda tentou um golpe de estado, decretando dissolução do legislativo e estado de sítio, no entanto, ouve uma enorme reação e ele acabou renunciando ao cargo, assumindo como presidente seu vice, o Marechal Floriano Peixoto.

      ■ República da Espada (1891-1894):

    - Marechal Floriano Vieira Peixoto - 2º Presidente da República (1891–1894):

    Ele assumiu o governo durante um período de crise econômica, tentou diversas medidas populares como redução de impostos, mas mesmo assim, teve que enfrentar a Revolução Federalista e a Revolta da Armada. Ao término de seu mandato, ocorreram eleições, com vitória de um não militar, Prudente de Morais, colocando um fim na no período conhecido como República da Espada.

      ■ República Oligárquica (1894-1930):

    - Prudente José de Moraes Barros - 3º Presidente da República (1894–1898):

    Neste período, se inicia a política do "café-com-leite", pois ela foi dominada pelas oligarquias paulistas (maiores produtores de café) e mineiras (maiores produtores de leite), que se alternavam no poder em comum acordo. Para garantir o acordo, eram utilizadas as ferramentas do coronelismo e voto do cabresto.

    - Manuel Ferraz de Campos Sales - 4º Presidente da República (1898–1902):

    Campos Sales é eleito diante da política do "café-com-leite" e mantém a mesma conduta, criando ainda a política dos governadores, onde o Governo Federal apoiava os governos estaduais sem restrições e em troca eram favorecidos. Conforme essa política, o poder federal não influenciaria na política interna dos estados e os governos estaduais não influenciariam na política dos municípios, garantindo a autonomia política e a tranquilidade nacional. Campos Sales indicou abertamente Rodrigues Alves para sucessor na presidência da república.

    - Francisco de Paula Rodrigues Alves - 5º Presidente da República (1902–1906):

    No governo de Rodrigues Alves, o mesmo esquema político se mantém, onde o Presidente da República, apoiava os atos dos governadores estaduais, em troca os governadores davam apoio e suporte político ao governo federal, colaborando com a eleição de candidatos, para o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados, que dessem total apoio ao Presidente da República. Dessa forma, as bancadas dos estados no Senado Federal e na Câmara dos Deputados não ofereciam oposições ao presidente da república, que poderia conduzir livremente seu governo.

    - Afonso Augusto Moreira Pena - 6º Presidente da República (1906–1909):

    Afonso Pena assumi a presidência e mantém o mesmo sistema político, os presidentes da república seriam sempre ex-presidentes de estado, o que garantia que teriam grande experiência administrativa. Entretanto, Afonso Pena morre em 1909, faltando um ano para o término de seu mandato e seu vice Nilo Peçanha assume a presidência.

    - Nilo Procópio Peçanha - 7º Presidente da República (1909–1910):

    Nilo Peçanha quebrou a "Política dos Estados" apoiando um candidato militar, o Marechal Hermes, que conseguiu vencer o candidato Rui Barbosa apoiado por São Paulo, nas eleições seguintes, proporcionando o retorno de um governo militar ao Brasil.

    - Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca - 8º Presidente da República (1910–1914):

    Marechal Hermes após eleito, iniciou uma perseguição a todos os governadores dos estados que não o apoiaram nas eleições. Esse período ficou conhecido como "Política das Salvações", resultando em uma espécie de guerra civil, onde se tentava, com o apoio do governo federal derrubar todos os governadores.

    - Venceslau Brás Pereira Gomes - 9º Presidente da República (1914–1918):

    Venceslau Brás era o vice-presidente do Marechal Hermes, ele conseguiu ser eleito presidente na eleição seguinte, através do retorno a política do Café-com-Leite, após os estados de São Paulo e Minas Gerais se reconciliarem com o Tratado de Ouro Fino e seu nome foi proposto a pessoa reconciliadora entre Minas Gerais e São Paulo em 1913. Minas Gerais não aceitou a candidatura de Pinheiro Machado, apoiado por Marechal Hermes e São Paulo não aceitou a candidatura Rui Barbosa. Venceslau Brás assinou a declaração de guerra do Brasil contra o eixo na 1ª Guerra Mundial, devido o afundamento de navios mercantes brasileiros na costa européia, levando o Brasil a participar da grande guerra. O pós-guerra também foi um período bem conturbado, com grandes alterações na estrutura mundial, finais de impérios e revoluções.

    - Delfim Moreira da Costa Ribeiro - 10º Presidente da República (1918–1919):

    Delfim Moreira era candidato a vice-presidente de Rodrigues Alves, contudo, Rodrigues Alves morreu de Gripe Espanhola durante as eleições e com vitória de sua chapa, Delfim Moreira assumiu então a presidência, até que fossem convocadas novas eleições. O senador Epitácio Pessoa, que estava participando da Conferência de Paz em Paris, foi eleito presidente nas eleições seguintes e logo que retornou ao Brasil, Delfim Moreira lhe passou o cargo e retornou à vice-presidência até a sua morte logo em seguida.

    - Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa - 11º Presidente da República (1919–1922):

    Epitácio Pessoa foi eleito através da política dos estados, a qual estava trazendo um maior desenvolvimento da região sudeste brasileira em detrimento das outras, fato este que começava a incomodar os restante da nação. Em seu governo teve também que enfrentar o período de crise pós Primeira Guerra Mundial.

    - Artur da Silva Bernardes - 12º Presidente da República (1922–1926):

    Artur Bernardes também foi eleito através do mesmo esquema político, recebeu um país em crise, com constantes rebeliões, decretos e constantes renovações do estado de sítio.

    - Washington Luís Pereira de Sousa - 13º Presidente da República (1926–1930):

    Washington Luís assumiu a presidência representando o lado paulista e se caracterizou por um governo conciliador, suspendeu o estado de sítio, abriu diversas novas estradas, intermediou conflitos e reprimiu movimentações através de proibições a reuniões e imprensa. Ao indicar Júlio Prestes, um outro paulista, para a sucessão presidencial e que acabou vencendo as eleições, Washington Luís rompeu com a regra da alternancia no poder da política do café-com-leite, à oligarquia mineira ficou extremamente descontente e se uniu a oligarquia do Rio Grande do Sul. Os estados envolvidos na Aliança Liberal arquitetaram uma revolta armada, não deixando Júlio Prestes assumir a presidência. O Exército se aproveitando da desordem se mobilizou, formando uma junta governamental constituída por generais do Exército.

    - Augusto Tasso Fragoso, José Isaías de Noronha e João de Deus Mena Barreto - Junta Governativa Provisória (1930):

    A Junta Governativa Provisória depôs oficialmente Júlio Prestes, que fugiu junto com Washington Luís e transferiu o poder para Getúlio Vargas, iniciando o período conhecido como a "Era Vargas".


     ► A Era Vargas (1930-1945):

    - Getúlio Dornelles Vargas - 14º Presidente da República (1930–1945):

     ► A Segunda República (1930-1937):

      ■ Governo Provisório (1930–1934):

    A Junta Governativa Provisória passou o poder para o líder do movimento revolucionário Getúlio Vargas encerrando a chamada República Velha. Ele se tornou líder do Governo Provisório possuindo amplos poderes, governando través de decretos que tinham força de lei. Getúlio Vargas incentivou a geração de empregos, regulamentou a sindicalização das classes patronais e operárias e restabeleceu relações amistosas com a Igreja Católica, tornando o ensino religioso obrigatório nas escolas públicas. No entanto, sua relação com o estado de São Paulo não era boa, havia conseguido obter apenas 10% dos votos do estado e como uma forma de retaliação, indicava apenas gestores de outras regiões para conduzir as diretrizes de SP. Essa conduta deflagrou a revolução de 9 de julho de 1932, onde um grande contingente de voluntários civis e militares travaram uma luta armada contra o "Governo Provisório", que acabou sendo derrotada militarmente pelas forças de Getúlio Vargas 3 meses depois.

      ■ Governo Constitucional (1934–1937):

    Em 1934 ocorrem eleições indiretas para a presidência da república, onde Getúlio Vargas venceu com cerca de 75% dos votos e passaria a ser considerado agora oficialmente presidente. Getúlio construiu usinas siderúrgicas e tentou incentivar a industrialização do Brasil, mas com a onda crescente de radicalização político-ideológica no Brasil, surgindo partidos de inspiração fascista e comunista, ele direcionou seu foco para o combate delas. Mandou fechar partidos e prender partidários, com o medo dos apoios estaduais, foram reduzidas as forças e armamentos das tropas dos estados, proibindo a utilização de artilharias e veículos de combate, levados para reforçar o exército brasileiro. Diante do crescimento da instabilidade política, Getúlio apoiado pelo exército resolve implantar o Estado Novo em 1937.

     ► A Terceira República ou Estado Novo (1937–1945):

    Enquanto eram preparadas as eleições presidenciais para janeiro de 1938, a ser disputadas por José Américo de Almeida e Armando de Sales Oliveira, foi conspirado um suposto plano comunista para a tomada do poder (Plano Cohen), como resposta a ele, Getúlio institui o Estado Novo na forma de um golpe de Estado, fechando o Congresso Nacional e outorgando a Constituição de 1937. Com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, o Brasil se manteve neutro até 1942, quando decidi romper relações diplomáticas com a Alemanha nazista, Itália fascista e Japão imperial. O envio de tropas brasileiras para combater na linha de frente somente ocorreu em 1944, com a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Com o final da Segunda Guerra Mundial, se iniciaram as pressões para o fim do Estado Novo. Getúlio foi deposto em outubro de 1945 pelos mesmos militares que o haviam apoiado, iniciando a realização de eleições federais, colocando um fim na 2ª ditadura civil militar brasileira.

      ■ Governo Provisório (1945–1946):

    - José Linhares - 15º Presidente da República (1945–1946):

    Com a renúncia forçada de Getúlio Vargas, tomou posse o Ministro José Linhares, que conduziu a uma nova Constituição a ser promulgada e a novas eleições a serem realizadas.

     ► A Quarta República ou República Nova (1946-1964):

    - General Eurico Gaspar Dutra - 16º Presidente da República (1946–1951):

    Dutra assumiu o governo em clima de liberdade, os mandatos presidenciais foram reduzidos de 6 para 5 anos, os jogos foram considerados proibidos por lei e surge, diante de pressões internacionais, uma aversão ao comunismo soviético, sendo considerado o Partido Comunista Brasileiro (PCB) fora da lei em 1947, seguido pelo rompimento de relações diplomáticas com a União Soviética em 1948.

    - Getúlio Dornelles Vargas - 17º Presidente da República (1951–1954):

    Nas eleições seguintes, vence novamente Getúlio Vargas, surgindo agora com uma nova ideologia, que ficou conhecida como "Nacionalismo". Ela inicia com a valorização do petróleo brasileiro e posteriormente a criação da Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras). Ele tentou criar uma estabilização econômica e cambial, mas não conseguiu concretizar seus planos para a nação, sendo pressionado em diversas frentes, ele se desestabiliza e comete suicídio em 1954.

    - João Fernandes Campos Café Filho - 18º Presidente da República (1954–1955):

    Após o suicídio de Getúlio, Café Filho que era o vice-presidente assumi a presidência da república, no entanto, em novembro de 1955, ele foi afastado da presidência por motivos de saúde.

    - Carlos Coimbra da Luz - 19º Presidente da República (1955–1955):

    Após o afastamento de Café Filho, quem assumiu em seu lugar, foi o presidente da Câmara Carlos Luz, que foi deposto rapidamente por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

    - Nereu de Oliveira Ramos - 20º Presidente da República (1955–1956):

    Com a deposição de Carlos Luz , foi eleito Nereu Ramos presidente da República pelo Congresso Nacional apenas para completar o período, que foi presidente por apenas dois meses e 21 dias (11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956).

    - Juscelino Kubitschek de Oliveira - 21º Presidente da República (1956–1961):

    Juscelino Kubitschek inicia seu mandato já enfrentado tentativas de golpe e se caracteriza pelo elevado desenvolvimento da nação, cujo lema que era "desenvolver 50 anos em apenas 5 anos". Em 1960, ele inaugurou Brasília e a transformou na nova capital do Brasil, transferindo-a do Rio de Janeiro e a colocando na região central do Brasil. Ele também priorizou investimentos com infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos, energia elétrica e armazenagens, bem como na industrialização do país, com a implantação de indústrias de bens de consumo duráveis e de bens de produção, como as indústrias automobilísticas, eletrodomésticos, cimento, papel, celulose, construção naval, mecânica pesada, entre outras.

    - Jânio da Silva Quadros - 22º Presidente da República (1961–1961):

    Nas eleições de 1960 quem vence é Jânio Quadros, assumindo a presidência em 1961, mas renunciou em agosto do mesmo ano, pois iniciou o governo de forma contraditória, tomando medidas impopulares, como a de proibir o uso de biquínis, proibir as brigas de galo e a condecoração do revolucionário socialista argentino Ernesto Che Guevara, provocando a discórdia geral. Ele também aumentou as tarifas públicas e se acredita que tentou o auto-golpe no ato de sua renuncia, esperando que o congresso não aceitasse sua renúncia por causa de seu vice João Goulart, que pertencia à esquerda trabalhista e dessa forma, ele voltaria obtendo plenos poderes, no entanto, o congresso aceitou sua renúncia de imediato.

    - Paschoal Ranieri Mazzilli - 23º Presidente da República (1961–1961):

    Como João Goulart se encontrava na China no momento da renúncia de Jânio Quadros, quem assumi a presidência de forma provisória foi Ranieri Mazzilli, o então presidente da Câmara dos Deputados. Ele governou durante apenas alguns meses apenas para passar o cargo para "Jango".

    - João Belchior Marques Goulart - 24º Presidente da República (1961–1964):

    João Goulart que também era conhecido como "Jango", era o vive-presidente de Jânio Quadros e no momento da renuncia, ele se encotnrav ana China, retornando logo em seguida, ao Brasil para assumir a presidência. Entretanto, os ministros militares do governo Jânio Quadros, General Odílio Denys do Exército, o Brigadeiro Gabriel Grün Moss da Aeronáutica e o Almirante Sílvio Heck da Marinha, formaram uma junta militar informal que tentou impedir a posse de Jango, alegando o "perigo comunista" a se instalar no Brasil. Para amenizar a situação e permitir o governo de Jango, foi implantado o sistema de governo Parlamentarista, onde quem realmente toma as decisões não é o presidente e sim o parlamento. Em 1963, Jango antecipa um plebiscito sobre o sistema de governo e consegue aprovar o retorno do presidencialismo. Ele então, iniciou planos de desenvolvimento social e econômico, onde defendia as reformas agrárias e urbanas, medidas anti-inflacionárias e tentaria captar investimentos estrangeiros. Os planos foram rejeitados pela grande maioria, todos os lados atacaram suas ideias e diante da insatisfação geral, surge um movimento militar anti-esquerda que se espalhou rapidamente pela nação, diversos líderes de esquerda foram presos ou exilados e Jango foi deposto pelo golpe de estado e obrigado a se exilar no Uruguai.

    - Paschoal Ranieri Mazzilli - 25º Presidente da República (1964–1964):

    Com o exílio de Jango no Uruguai, Ranieri Mazzilli que ainda era o presidente da Câmara dos Deputados, assumi novamente a presidência da república. No entanto, o poder passou a ser exercido por uma junta militar que ficou conhecida como Comando Supremo da Revolução, composta pelos ministros General Artur da Costa e Silva, o Vice-Almirante Augusto Rademaker Grünewald e o Tenente-Brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo.


    • República Federativa do Brasil (1964 - até a atualidade):

Brasão república estados unidos - AVH

     ► A Quinta República ou Ditadura militar (1964-1985):

    - Marechal Humberto de Alencar Castello Branco - 26º Presidente da República (1964–1967):

    A Ditadura militar surge como um regime nacionalista, desenvolvimentista e de oposição ao comunismo, apoiado e financiado pelos Estados Unidos da América. No momento da intervenção militar das tropas do exército pelas ruas, já se encontrava a caminho da costa brasileira uma força militar naval norte americana composta de um porta-aviões, seis contra-torpedeiros, um porta-helicóptero e quatro petroleiros, que ficou conhecida como "Brother Sam". Foi eleito para presidente pelo Comando Supremo da Revolução o Marechal Castelo Branco, que tinha como discurso de que a intervenção militar tinha caráter corretivo e que era temporária, contudo, se iniciou uma forte repressão às atividades políticas de esquerda que passaram a ser consideradas atos terroristas. Castelo Branco foi quem inaugurou a adoção de Atos Institucionais (AI), que foram muito utilizados como instrumentos de repressão a opositores e através deles, fechou associações civis, proibiu greves, interveio em sindicatos e cassou mandatos de políticos por dez anos, como ocorreu com do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

    - Marechal Artur da Costa e Silva - 27º Presidente da República (1967–1969):

    O Marechal Costa e Silva teve o seu nome indicado pelas Forças Armadas e foi referendado pelo Congresso Nacional, durante seu governo, o movimento militar passou a se constituir num regime de linha dura. Uma onda de protestos surgiu em todo o país, provocando com enfrentamentos constantes entre as forças de segurança nacional contra os manifestantes pró-comunismo, militantes de esquerda e estudantes. Elas evoluíram para grandes manifestações reivindicatórias e de contestação ao regime e a intolerância praticada pelo governo.

    No final de 1969, Costa e Silva é acometido por uma trombose grave, para evitar que o Vice-Presidente Pedro Aleixo que havia votado contra o AI-5 assumisse, uma junta governativa provisória militar composta pelo General Aurélio de Lira Tavares que era ministro do Exército, pelo Almirante Augusto Rademaker que era ministro da Marinha e pelo Brigadeiro Márcio Melo que era ministro da Aeronáutica, assumiu o governo.

    - General Emílio Garrastazu Médici - 28º Presidente da República (1969–1974):

    A junta governativa provisória transfere o governo para o General Emílio Médici, que assumi em 1969 como presidente. Em seu governo se intensificam as campanhas de prisão, tortura e morte, praticadas nos "porões da ditadura", em represália ao aumento dos atentados e os sequestros praticados pelas guerrilhas. Diversos programas de redistribuição de terras e de Estímulo à agroindústria são também implantados e aproveitando o cenário de conjuntura internacional favorável, as prioridades do governo passaram a ser crescer e desenvolver. O Brasil começou a crescer mais depressa que os outros países latino-americanos e por isso apelidaram esse período de Milagre econômico. No entanto, o crescimento se baseou mais no crescimento do produto interno bruto (PIB), devido a maior abertura e os investimentos de capitais estrangeiros, pois a fome aumentou nas classes mais baixas da população. Durante o governo Médici conseguiram terminar com os movimentos guerrilheiros e subversivos no Brasil.

    - General Ernesto Beckmann Geisel - 29º Presidente da República (1974–1979):

    O General Geisel assumi na sequencia a presidência da república, em um período grave de ajustamento e redefinição de prioridades, elevado endividamento externo, com diversas flutuações de desempenho, grandes dificuldades inflacionárias e em recessão, pois o milagre econômico chegava ao seu final. A guerra no Oriente Médio provocou uma elevação nos preços do petróleo e com isso uma alta nos juros internacionais, aumentando também a divida externa, divida interna e gerando inflação. No final do governo Geisel se inicia um processo de abertura lenta, gradual e segura do regime ditatorial rumo a um processo de transição para a democracia plena.

    - General João Baptista de Oliveira Figueiredo - 30º Presidente da República (1979–1985):

    Durante o governo do General Figueiredo o poder volta a se concentrar nas mãos do presidente, que passa a suplantar o poder dos ministros militares, intensificando o processo de abertura política para a redemocratização do país. Em 1984, se inicia então, um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil, que ficou conhecido como "Diretas Já". Em 1985, o congresso nacional aprovou a emenda constitucional que acabava com alguns vestígios da ditadura, sendo aprovada a eleição direta para presidente, direito ao voto para os analfabetos, os partidos comunistas deixaram de ser proibidos, entre outras.

     ► A Sexta República ou Nova República (1985 - até a atualidade):

    - José Sarney de Araújo Costa - 31º Presidente da República (1985–1990):

    Tancredo Neves ganha essa primeira eleição a presidência que ainda foi indireta, mas não chega a tomar posse, vindo a falecer antes. então seu vice-presidente, José Sarney, assume a presidência da república em seu lugar. Inicialmente Sarney e sua equipe econômica comandada por Dilson Funaro (então ministro da Fazenda na época), lançam o "Plano Cruzado", que consistiam em um conjunto de medidas para conter a inflação, se utilizando do congelamento geral de preços e a pela criação de uma nova moeda, o Cruzado (Cz$) que passava a valer mil cruzeiros (Cr$). No entanto, após curto período tempo, passada as eleições, os preços foram descongelados e a inflação acelerada retorna. Outros planos e novo congelamento de preços são implantados tentando conter a inflação mas não conseguiram atingir seus objetivos.

    - Fernando Affonso Collor de Mello - 32º Presidente da República (1990–1992):

    Em 1989 se inicia a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, onde é eleito o presidente Collor, que no entanto, acaba sendo denunciado sob suspeita de corrupção, uma investigação detalhada é iniciada (CIP) e suas conclusões acabam levando ao pedido de impeachment (afastamento) do presidente em 1992.

    - Itamar Augusto Cautiero Franco - 33º Presidente da República (1992–1995):

    Com o afastamento de Collor, seu vice-presidente Itamar Franco assume a presidência, em sua administração é adotado o Plano Real, que foi um plano econômico inédito no mundo. Ele foi executado pela equipe do ministro da fazenda na época, Fernando Henrique Cardoso (FHC). Verificando que a hiperinflação era um fenômeno emocional de separação de unidades monetárias de troca e contas, o plano concentrou os índices de reajuste de preços em apenas um, que foi denominada de Unidade Real de Valor (URV), sendo esta em seguida, transformada em moeda corrente (o real), controlando assim, o maior problema econômico do Brasil que era a inflação.

    - Fernando Henrique Cardoso - 34º Presidente da República (1995–2003):

    Devido o sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, concorre a presidência e é eleito presidente nas eleições diretas de 1994. Em seu governo tentou aumentar a segurança social, melhorar a administração pública e reduzir a tributação, reduzindo os gastos excessivos do setor público e melhorando a eficiência do governo, resultando em estabilidade econômica. Abriu a economia brasileira para tentar captar uma maior quantidade de investimentos estrangeiros e privatizou diversas empresas estatais. suas medidas receberam elevadas cotas de aprovação da população, proporcionando sua reeleição por votação direta para um segundo mandato em 1998.

    - Luiz Inácio Lula da Silva - 35º Presidente da República (2003–2011):

    Após mais de uma década tentando se eleger presidente, finalmente o ex-metalúrgico e sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, pertencente ao Partido dos Trabalhadores (PT) tradicional partido de esquerda, consegue se eleger presidente da república por votação popular direta. Em seu governo, ele investiu em diversos projetos sociais, reduziu as taxas de inflação e de juros e aumentou a renda per capita, colocando o Brasil como um país promissor em escala mundial.

    - Dilma Vana Rousseff - 36º Presidente da República (2011–2016):

    Em 2010 pela primeira vez uma mulher é eleita por votação direta presidente da república, Dilma Rousseff também pertencente ao PT, continou os projetos de Lula, seguindo pelo mesmo caminho, investindo também em transportes, energia, cultura, meio ambiente, saúde, área social e habitação. Devido aos bons resultados alcançados, Dilma é reeleita para um segundo mandato nas eleições de 2014. Em 2015 o Brasil entra em um processo de crise econômica, resultando em um efeito crescente insatisfação popular com o governo. Devido a pressão novas investigações publicas foram efetuadas e muita irregularidade foi encontrada, essas irregularidades cometidas durante o governo de Dilma acabaram iniciando um processo de impeachment contra a presidente. Em 2016, o Senado Federal aprova a admissibilidade do processo, Dilma Rousseff é afastada do exercício do cargo e o vice-presidente Michel Temer é empossado no cargo como Presidente da República.

    - Michel Miguel Elias Temer Lulia - 37º Presidente da República (2016-):

    Devido ao impeachment de Dilma, Michel Temer assumi a presidência da república em 2016. Em seu governo, Temer instituí reformas polêmicas, como o teto para os gastos públicos, reformas na qualidade do ensino médio, trabalhistas e na previdência. Contudo, os índices de desemprego atingem elevados índices e as investigações com os gastos públicos sob suspeitas de mal uso do dinheiro público continuaram.

Dados da Civilização:
Nome: República Federativa do Brasil
Idade: 1500 d.C.
Local: América do Sul

Referências:
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- Bello, José Maria, História da República, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1976.
- Calmon, Pedro (1975). História de D. Pedro II. 1–5. Rio de Janeiro: José Olímpio.
- Calmon, Pedro (2002). História da Civilização Brasileira. Brasília: Senado Federal. OCLC 685131818.
- Debes, Célio, Júlio Prestes e a primeira República, São Paulo, Imprensa Oficial, 1983.
- Garcia, Nelson Jahr, Estado Novo - Ideologia e propaganda política, São Paulo, Loyola, 1982.
- Graça Filho, Afonso de Alencastro (2004). A economia do Império brasileiro. São Paulo: Atual. ISBN 978-85-357-0443-3.
- Manuela Carneiro da Cunha, História dos Índios no Brasil, editora Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, 1992. ISBN 8571642605, 9788571642607.
- Parker, Phyllis (1977). O Papel dos Estados Unidos da América no Golpe de Estado de 31 de Março. [S.l.]: Civilização Brasileira.
- Rezende, Maria José de (2013). A Ditadura Militar no Brasil - Repressão e Legitimidade 1964-1984.
- Rodrigues, José Carlos (1863). Constituição política do Império do Brasil. Rio de Janeiro: Typographia Universal de Laemmert.
- Vargas, Getúlio Dorneles, A nova política do Brasil, José Olympio Editora, 1939.
- Vainfas, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002.
- Walter A. Neves, Luís Beethoven Piló, O povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos, editora Globo, 2008. ISBN 8525044180, 9788525044181.

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