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Cartago

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    Cartago (em inglês Carthage, em grego Καρχηδών, em latim Carthago ou Karthago e em fenício Qart-ḥadašt) cujo nome significa "Nova Cidade", foi uma grande cidade da antiguidade, se originou como uma colônia fenícia no norte da África no ano de 814 a.C., localizada a leste de onde é hoje o lago de Túnis, onde é hoje uma estação arqueológica e turística (patrimônio mundial pela UNESCO) em um bairro da cidade de Túnis, na Tunísia.

    Essa região era habitada por povos líbios, aparecendo desde 1200 a.C. em citações egípcias. Os fenícios que eram grandes comerciantes e navegadores, descobriram que povos ibéricos possuíam metais que podiam ser bem negociados no oriente médio e no mediterrâneo e criaram uma rota de comércio marítimo com esses povos. Para isto, começaram a montar diversos entrepostos comerciais ao longo do caminho pelo mediterrâneo. Lixus no Marrocos foi um dos primeiros entrepostos comerciais, datado de 1 110 a.C., se tornando um grande cidade posteriormente. Útica estava situada a cerca de 40 km a noroeste de Cartago e foi fundada pelos fenícios por volta do ano de 1101 a.C., se tornando mais tarde, a capital da província romana de África Proconsular entre 146 a.C. e 25 d.C., Cartago surge como umas das mais antigas em seguida.

    • A Origem Lendária (814 a.C.):

    Segundo a lendas contadas pelos romanos e gregos, Cartago foi fundada pela princesa de Tiro Dido (em grego) ou Elissa (Alissar em fenício). A princesa Elissa era filha do rei Mattan I (840-832 a.C.) e irmã de Pigmalião (831-785 a.C.), ambos foram reis de Tiro. Elissa era casada com seu tio Acerbas, sumo sacerdote de Melqart que possuía autoridade e riqueza comparável ao rei. Com a morte de Mattan I em 832 a.C., Pigmalião assumi o trono em parceria com sua irmã em 831 a.C., entretanto, surge uma rivalidade enorme entre a elite religiosa e a monarquia, e entre Pigmalião e Acerbas. Temendo perder o poder e tentando se apoderar da riqueza, Pigmalião assassina Acerbas no templo e engana sua irmã sobre a morte do marido, no intento de assumir todo o poder. No entanto Elissa descobre a verdade e temendo pela própria vida, finge que iria se mudar para o palácio de Pigmalião e foge de Tiro com sua guarda pessoal, alguns sacerdotes e familiares no ano de 825 a.C., indo para uma colônia fenícia na ilha de Chipre. Em seguida Elissa navega parando em outras ilhas do Mediterrâneo, indo parar na costa da África em 814 a.C. e encontrando com o rei berbere Iarbas, solicita um pequeno pedaço de terra para um refúgio temporário, até que ela pudesse continuar sua jornada. Ela pede a quantidade de terra que poderia ser englobada pelo couro de apenas um boi, o rei Iarbas concordou, no entanto Elissa cortou o couro de boi em tiras bem finas, de modo que ela conseguiu o suficiente para cercar toda uma colina. Este assentamento provisório foi tão bem administrado por Elissa, que se tornou permanente e prosperou rapidamente, sendo fundada a cidade-estado que ficou conhecida como Cartago ou "Nova Cidade". Cartago foi ajudada em sua construção pela colônia fenícia vizinha Utica e por trabalhadores berberes que depois vieram a se mudar para Cartago.

    No épico romano Eneida de Virgílio, a rainha Elissa é mostrada como uma personagem muito importante, grande administradora que em apenas 7 anos construiu um reino de sucesso. Ela recebe Eneias, lhe oferece asilo e aos seus homens, entretanto um espírito lhe entrega uma mensagem dos deuses de que ele tem que continua sua missão de navegar para a Itália para fundar Roma e não pode ficar em Cartago. Diante de toda essa prosperidade de Cartago, o rei Iarbas exigiu que Elissa se casasse com ele ou então ele iria iniciar uma guerra contra Cartago. Elissa temendo Iarbas e preferindo permanecer fiel ao seu primeiro marido, cria um funeral cerimonial em homenagem final ao seu primeiro marido, em preparação para o casamento com Iarbas e durante o funeral se mata com uma espada como auto-sacrifício para salvar a cidade e não ter que se casar com Iarbas. Ela foi martirizada se tornando uma deusa protetora de Cartago.

    • A Capital Fenícia (574 a.C.):

    No ano de 574 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor atacou e conquistou a cidade-estado e capital fenícia Tiro. Cartago se declarou independente de Tiro, atraindo grande contingente da população fenícia de toda a região de Tiro, se tornando a capital da confederação das colônias fenícias. A prosperidade de Cartago acaba conduzindo há uma grande rivalidade com os gregos, principalmente no território da Sicília, onde o lado oriental era controlado pela grande cidade-estado grega de Siracusa, a mais importante da ilha e o ocidental por pequenas colônias fenícias, que já estavam em transição para se tornarem cidades cartaginesas.

    • A dinastia Magonida (550-340 a.C.):
    Essa dinastia foi fundada por Mago I (550-530 a.C.) quando após um trabalho muito bem sucedido como general, que o levou a ser eleito pelo senado como rei de Cartago. Sob o reinado de Mago I, Cartago se estabeleceu como poder militar dominante na região oeste do Mar Mediterrâneo. Ele foi sucedido pelo seu filho Hasdrubal I (530-510 a.C.), que juntamente com seu irmão Hamilcar I, lançaram uma expedição contra Sardinia. Devido suas vitórias na Sardinia, Hasdrubal I foi homenageado diversas vezes, até falecer em uma batalha dessa expedição. Ele foi sucedido pelo seu irmão Hamilcar I (510-480 a.C.), que preparou um enorme exército e iniciou um expedição contra a Sicília, dando início as Guerras Sicilianas, onde acabou morrendo na Batalha de Himera. Ele foi sucedido pelo seu filho Hanno o Navegador (480-440 a.C.), que ganhou notoriedade por ter navegado além dos "Pilares de Hércules" (atual estreito de Gibraltar), fazendo incursos pela costa atlântica da África e fundando colônias, contudo após a instalação da República Cartaginesa, Hanno perdeu seus poderes, mantendo apenas o título de rei.

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    • As Guerras Sicilianas (480-307 a.C.):

    - A Primeira Guerra Siciliana (480 a.C.):

    No ano de 485 a.C. Gelão I rei de Gela, conquistou Siracusa e tentou unificar a Sicília conquistando as outras cidades da ilha. Conquistou em seguida as cidades de Camarina e Megara em 483 a.C., Cartago lança um ataque contra Gelão I em proteção as colônias fenícias. Cartago responde ao pedido de ajuda de Terrilus, tirano de Himera, depois dele ser deposto por Theron que havia se aliado a Gelão em 483 a.C., montando assim uma nova expedição liderada por Hamilcar para defender a Sicília. A aliança entre Gelão e Theron estava prestes a dominar toda a Sicília e representava uma grande ameaça a Cartago. O general Hamilcar preparou uma grande força militar de cerca de 100 mil homens, para efetuar o ataque. Existem teorias de que Cartago pode ter se aliado aos Persas que neste momento estavam atacando a Grécia e que pode ter recebido tropas auxiliares para a batalha, no entanto, não existem comprovações do fato.

    No caminho para a Sicília, contudo, o mal tempo provocou severas perdas a frota púnica, desfalcando Hamilcar de grande parte de suas tropas. Ao desembarcar em Ziz (o nome Punico para Panormus ou Palermo atual), Hamilcar foi derrotado por Gelão I na Batalha de Himera em 480 a.C., que teria ocorrido no mesmo dia da Batalha de Salamina, morrendo durante a batalha. Essa derrota provocou profundas mudanças no modo de vida cartaginês, o antigo sistema de governo de nobreza enraizada há anos no poder foi expulso e substituído pela República Cartaginesa. O rei ainda permaneceu como governante simbólico, mas ele passou a ter muito pouco poder e a maior parte do poder foi confiada ao Conselho dos Anciãos. Gelão I realiza um tratado de paz impondo a Cartago o pagamento de 2.000 talentos como reparação. Cartago acabou ficando fora da Sicília durante os próximos 70 anos.

    Na Sicília as cidades gregas floresceram bastante durante este período, as atividades comerciais prosperaram muito, elevando a riqueza das principais cidades, como Siracusa e Akragas. Contudo, esse cenário não durou muito e novos conflitos enfraqueceram essas comunidades gregas. Enquanto essas cidades gregas da Sicília prosperavam por 70 anos depois de Himera, Cartago também prosperou, conquistou a metade fértil do norte da Tunísia moderna e se fortaleceu fundando novas colônias no norte da África, como Leptis e Oea (Tripoli atual). Cartago também patrocinou a viagem de Mago Barca no deserto do Saara até Cyrenaica e Hanno. No entanto, as colônias ibéricas se separaram nesse período com a ajuda dos ibéricos, cortando o maior suprimento de prata e cobre de Cartago. Esse novo cenário acabou levando a ocorrência da segunda guerra siciliana.

    Após a morte de Hanno quem assumi o título de rei é Himilco I (460-410 a.C.), que foi também um grande navegador, mas em oposição a Hanno, Himilco I cruzou os "Portões de Hércules" e se direcionou ao norte, contornando a costa europeia, explorando e estabelecendo comércio com povos dos atuais países de Portugal, França e Inglaterra. Após a morte de Himilco I, ele foi sucedido pelo neto de Hamilcar Mago I, Hannibal Mago I (410-406 a.C.), que reiniciou as Guerras Sicilianas, atendendo ao chamado de ajuda de Segesta. ele obteve várias campanhas de sucesso da Sicília, até morrer de praga em 406 a.C. durante o cerco a Agrigento.

    - A Segunda Guerra Siciliana (410-340 a.C.):

    Em 416 a.C. as cidades gregas na Sicília continuavam se enfrentado, a cidade de Selinus invadiu a cidade de Segesta que solicitou ajuda para se defender, inicialmente a Cartago que se recusou e em seguida para Atenas, que veio em seu socorro. Contudo, após a intervenção ateniense, Esparta inicia sua participação no conflito atuando ao lado contrário de Atenas. Selinus e seus aliados novamente derrotaram Segesta e a aliança ateniense em 411 a.C. Sem outras opções Segesta se submete ao comando de Cartago, que agora decide enviar tropas para impedir a invasão. Hannibal Mago ajudou Segesta a derrotar Selinus em 410 a.C., tentou encerrar o assunto diplomaticamente, como não conseguiu, enviou uma maior quantidade de tropas e conseguiu capturar Selinus depois de ganhar a Batalha de Selinus. Aproveitando o posicionamento das tropas e a situação, para recuperar seus tempos de dominação na Sicília, Cartago decide atacar as outras cidades menores, com o general Aníbal Giscão conquistando Himera na Segunda Batalha de Himera em 409 a.C. e retornando em seguida para Cartago com grande prestígio.

    Um general renegado de Siracusa, Hermocrates, reuniu um pequeno exército e atacou as cidades recém conquistadas por Cartago, morrendo em seguida numa tentativa de golpe em Siracusa. Em retaliação, Hannibal Mago liderou uma segunda expedição cartaginesa para conquistar as cidades sicilianas em 406 a.C. Porém, desta vez, os cartagineses encontraram uma forte resistência, durante o cerco de Akragas, as forças cartaginesas foram assoladas por uma praga e o próprio Hannibal Mago morre de peste durante o cerco a cidade de Agrigento em 406 a.C. Ele foi sucedido por seu primo Himilco II (406–396 a.C.), que capturou as cidades de Akragas, Gela, Motya, Camarina e ainda derrotou o exército de Dionísio I, tirano de Siracusa. Contudo, a praga retornou a assolar o exército cartaginês, levando Himilco a concordar com um tratado de paz que deixou os cartagineses no comando de todas as conquistas recentes, com Selinus, Thermae, Akragas, Gela e Camarina como vassalos tributários, chegando ao auge do poder cartaginês na Sicília.

    Em 398 a.C. Dionísio I de Siracusa reuniu um grande exército e quebrou o tratado de paz, atacando e conquistando a cidade de Motya. Himilco II respondeu rapidamente, liderando uma expedição cartaginesa que recuperou Motya e que também capturou Messina, chegando até a sitiar Siracusa. O cerco foi bem sucedido até o ano de 397 a.C., porém em 396 a.C. a praga assolou novamente as forças cartaginesas devastando-as, que acabaram entrando em colapso. Cartago perdeu suas novas conquistas gregas, mantendo o controle apenas os territórios ocidentais. Nenhum tratado foi assinado para sinalizar o fim da guerra. Após essa derrota Himilco II retornou a Cartago, assumiu a responsabilidade pela derrota, se trancou em sua casa se recusando a receber visitas e acabou morrendo de fome, ele foi sucedido Mago II (396–375 a.C.).

    Dionísio I após resolver os problemas em seu reinado, reiniciou as hostilidades contra Cartago em 383 a.C., Mago II rapidamente reage enviando tropas, mas teve que manter parte de seu exército enfrentando rebeliões na África e na Sardenha. Dionísio I derrota Mago II na Batalha de Cabala, provocando a sua morte. Mago II foi sucedido pelo seu filho Himilco Mago ou Mago III (375–344 a.C.) que com dificuldades em enviar novos reforços, tenta um tratado de paz com Dionísio I, que exige que Cartago evacuasse toda a Sicília. Não aceitando a exigência, Himilco Mago, reinicia a guerra com forças renovadas e consegue derrotar o exército de Dionísio I na Batalha de Cronium. Dionísio I tenta então criar um tratado de paz, mas que agora o forçava a pagar 1000 talentos e deixava Cartago no controle da Sicília ocidental. Dionísio I, não contente com as regras do tratado de paz, voltou a atacar a cidade cartaginesa de Lilybaeum em 368 a.C., entretanto, sua derrota o levou a cancelar a guerra e sua morte no ano seguinte (367 a.C.), sendo sucedido por Dion de Siracusa, que levou também há um período prolongado de paz entre Siracusa e Cartago, existindo apenas pequenos conflitos e influências políticas.

    Himilco Mago foi sucedido por Hanno III (344–340 a.C.) que tenta um golpe de estado contra o Conselho dos Anciãos para restaurar o poder monárquico completo, mas ele falha e é executado, a sua morte marca o ponto final na dinastia Magonida.

    • A dinastia Hannoniana (340-308 a.C.):

    Essa dinastia foi iniciada por Hanno o Grande (340–337 a.C.), sendo sucedido por Gisco (337–330 a.C.) e Hamilcar II (330–309 a.C.) neto de Hanno.

    - A Terceira Guerra Siciliana (315–307 a.C.):

    Em 315 a.C. Agathocles tirano de Siracusa, sitiou a cidade de Messana (atual Messina) e a cidade de Akragas, quebrando os termos do tratado de paz. Hamilcar II liderou com sucesso o contra-ataque cartaginês. Ele derrotou Agathocles na Batalha do rio Himera em 311 a.C., Agathocles teve que se retirar para Syracuse enquanto Hamilcar ganhava o controle sobre o resto da Sicília. Em seguida Hamilcar II sitiou Siracusa, desesperado Agathocles adotou a estratégia de atacar Cartago na África, secretamente liderou uma expedição de 14 mil homens para o continente africano, visando atacar a capital do império cartaginês, a cidade de Cartago. O ataque foi bem sucedido, assustada Cartago solicita o retorno das tropas que estavam sitiando Siracusa, fazendo com que Hamilcar II e a maior parte de seu exército da Sicília retornasse a África. Os dois exércitos se encontraram na primeira Batalha de Tunes Branca, ao lado de fora de Cartago. O exército cartaginês sob o comando de Hamilcar II, que foi derrotado e morto por Agathocles. Hamilcar II foi sucedido por Bomilcar (309–308 a.C.) durante o período em que Cartago foi sitiada pelas forças de Agathocles, tentou tomar o governo da cidade em 308 a.C. e acabou sendo capturado e morto, o que levou Cartago a se tornar uma república.

    As infantaria de elite cartaginesa conhecida "Banda Sagrada" era composta por cidadãos cartagineses, o que não era comum na época, pois estes homens eram de famílias cartaginesas ricas. Eram uma pequena unidade de infantaria muito pesada composta de cerca de 2.000 a 3.000 homens, se distinguiam pelo "esplendor de sua força, a lentidão e a ordem", sendo treinados desde jovens para serem duros lanceiros de falange e devido a suas posições sociais, eram capazes de adquirir armas e armaduras de alta qualidade. Lutavam em uma formação de falange organizada tradicional no estilo helênico. Depois de sua destruição em 310 a.C., a Banda sagrada desaparece dos registros históricos. Quando a infantaria cidadã cartaginesa aparece nas fontes históricas durante as guerras posteriores, seus números são significativamente mais altos, implicando em uma convovação de todos os cidadãos disponíveis devido à crise. Forças de cidadãos maiores resultaram na Batalha de Bagradas durante a Primeira Guerra Púnica, a Guerra dos Mercenários e a Terceira Guerra Púnica, mas a "Banda Sagrada" não é mencionada em nenhum dos relatos dessas guerras.

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    As forças de Agathocles não conseguiram ultrapassar as fortificadas muralhas da cidade, sendo obrigado a ocupar o norte da Tunísia até serem derrotados 2 anos mais tarde, em 307 a.C., quando Agathocles escapa e volta para a Sicília, negociando um tratado de paz com os cartagineses.

    • A Guerra Pírrica (280-275 a.C.):

    Pirro de Épiro ou Pyrrhus de Epirus (318-272 a.C.), foi o rei de Épiro e da Macedônia que verificando a fragilidade das cidades-estados sicilianas e da Magna Grécia, iniciou uma série de ataques, chegando a se confrontar com as tropas cartaginesas e romanas. Durante as às campanhas italianas de Pirro, ele recebeu pedidos ajuda militar das cidades sicilianas de Agrigento, Siracusa e Leontini para remover o domínio cartaginês sobre aquela ilha. Pirro concordou e fortificou as cidades sicilianas com um exército de 20.000 soldados de infantaria e 3.000 de cavalaria e 20 elefantes de guerra, apoiados por cerca de 200 navios. Inicialmente, a campanha siciliana de Pirro contra Cartago foi um sucesso, afastando as forças cartaginesas e capturando a cidade-fortaleza de Eryx, embora não tenham conseguido capturar Lilybaeum.

    Após essas derrotas, Cartago solicitou um tratado de paz, mas Pirro se recusou a efetuar qualquer tratado, a menos que Cartago estivesse disposto a renunciar inteiramente às suas reivindicações sobre a Sicília. De acordo com Plutarco, Pirro pretendia conquistar Cartago e, para isso, começou a preparar uma expedição. No entanto, seu tratamento implacável das cidades sicilianas em seus preparativos para esta expedição e sua execução de dois governantes sicilianos, que ele alegava estarem planejando contra ele, levaram a tal aumento de animosidade em relação aos gregos, que Pirro se retirou da Sicília e voltou a realizar expedições no sul da Itália.

    As campanhas de Pirro na Itália foram fracas, o que levou Pirro a retornar para Épiro. Para Cartago, isso significou um retorno ao seus status antigo na Sicília. Para Roma, no entanto, o fracasso de Pirro em defender as colônias da Magna Grécia significou que Roma poderia as absorver em sua "esfera de influência", possibilitando a completa dominação da península italiana. A dominação da Itália por Roma, era a principal etapa que levaria suas forças militares a ter acesso as principais potências do mediterrâneo, iniciando os futuros conflitos entre Roma e Cartago, conhecido historicamente como as Guerras Púnicas.

    • As Guerras Púnicas (264-146 a.C.):

    - A Primeira Guerra Púnica(264-241 a.C.):

    Em 288 a.C., um grupo de mercenários campânios conhecidos como Mamertinos ocuparam a cidade de Messana (atual Messina), local estratégico no nordeste da Sicília, o ponto mais próximo da península itálica. Ele mataram todos os homens e tomaram as mulheres. Na mesma época, um conjunto de tropas formadas por campânios civitas tomaram a cidade do Régio, que ficava do outro lado do estreito de Messina, na península Itálica. Em 270 a.C., os romanos recuperaram Régio e puniram severamente os revoltosos. Na Sicília, os mamertinos arrasaram a zona rural e passaram a enfrentar o ataques de Siracusa. O tirano de Siracusa Hierão II, derrotou os mamertinos perto de Milas, às margens do rio Longano. Depois da derrota, os mamertinos pediram ajuda para os romanos e para os cartagineses, os cartagineses agiram primeiro, devido a oportunidade de novas conquistas nessa região estratégica e ameaçaram Hierão II a não atacar mais os mamertinos, enviando uma guarnição cartaginesa para Messana. Os mamertinos, prevendo uma dominação cartaginesa, pediram uma aliança formal aos romanos. A rivalidade entre Roma e Cartago já havia iniciado e estava crescendo bastante desde a Guerra Pírrica.

    Em Roma surgiu um grande debate sobre a questão de aceitar ou não o pedido de ajuda dos mamertinos, fato este que sem dúvida levaria a uma guerra contra Cartago. Os romanos não queriam ajudar um bando de mercenários que haviam tomado injustamente uma cidade e ainda estavam se recuperando da Batalha de Régio. Entretanto, o domínio do local era estratégico e crucial para o a conquista da região e não queriam ver esse poder na mão dos cartaginêses. Roma finalmente decidiu "ajudar" os mamertinos e enviaram uma expedição militar composta de duas legiões, comandada por Ápio Cláudio Cáudice com ordens de ocupar Messana.

    Os romanos desembarcaram em Messana em 254 a.C., derrotaram as forças de Siracusa e de Cartago que mantinham um cerco na região e marcharam para o sul e cercando Siracusa. O cerco foi breve e forçou Siracusa fazer um tratado de paz com os romanos, no qual Siracusa se tornaria um aliado dos romanos, pagaria uma indenização leve de prata para Roma e abasteceria com suprimentos o exército romano na Sicília. Logo após a derrota de Siracusa, as outras cidades menores da Sicília trocaram de lado e passaram a apoiar os romanos.

    Cartago, verificando que a situação estava se agravando e que Roma estava decidida a conquistar os territórios cartagineses na Sicília, começa a se preparar para a guerra. Começou a preparar um grande exército mercenário na África para enviar a Sicília para enfrentar os romanos. Este exército era composto por 50.000 homens de infantaria, 6.000 de cavalaria e 60 elefantes de guerra.

    Em 262 a.C. se iniciou a Batalha de Agrigento, quando os romanos enviaram 4 legiões comandadas pelos cônsules Lúcio Postúmio Megelo e Quinto Mamílio Vítulo para cercar Agrigento, que era uma cidade com posto fortificado cartaginês. A guarnição de Agrigento conseguiu solicitar reforços e defender inicialmente a cidade. Uma força cartaginesa comandada por Hanno, destruiu a base de suprimentos romana em Erbesso, antes de confrontar as tropas romanas em Agrigento. Sem os suprimentos os romanos se enfraqueceram e foram cercados pelos cartagineses, sendo obrigados a construir uma linha de defesa. Passado alguns dias sem alimentos e em más condições de assentamento, epidemias e fome começaram a surgir no acampamento. Percebendo que essa situação era insustentável, os romanos decidiram atacar, conseguido uma vitória sobre o exército cartaginês em 261 a.C.. A cidade de Agrigento foi saqueada e escravizada pelos romanos.

    Após a vitória na Batalha de Agrigento, os romanos conseguiram capturar navios cartagineses que eram considerados o "estado da arte", ou seja, os melhores conhecidos naquela região e copiaram a tecnologia empregada nos trirremes e quinquerremes cartagineses. Rapidamente os navios romanos se adaptaram a essa tecnologia naval, se tornando também os melhores da época. Os romanos chegaram até a incrementar um equipamento especial de abordagem chamado de "o corvo", que começou a fazer diferença nas batalhas, facilitando as abordagens dos "legionários marinheiros" de barcos romanos para barcos cartagineses. Essa tecnologia foi decisiva na batalhas navais seguintes.

Trirreme - AVPH

    Após perder a Batalha Naval das ilhas Líparas par ao general cartaginês Aníbal Giscão, Roma se prepara melhor e parte para o ataque sob o comando do cônsul Caio Duílio, encontrando Aníbal Giscão perto da ilha de Milas. Com a ajuda da tecnologia do "corvo" os romanos conseguiram tomar os primeiros 30 navios cartagineses que se aproximaram. Levando Aníbal Giscão a rever a situação e a partir em retirada para evitar maiores perdas. Sendo esta a primeira vitória naval romana sob Cartago. Caio Duílio após a essa vitória leva suas tropas para combater na Sicília em terra firme, as tropas do general cartaginês Amílcar em 260 a.C.. Amílcar consegue acumular uma série de vitórias sobre os romanos em 259 a.C., contudo, no ano seguinte os romanos conseguem recuperar parte dos territórios perdidos.

    Verificando a falta de resultados gerados pelas batalhas na Sicília, Roma resolve "atacar a cabeça da serpente", ou seja, atacar Cartago na África. Para isto preparou um enorme exército e uma grande frota naval, indo enfrentar os cartagineses na Batalha Naval do Cabo Ecnomo em 256 a.C.. Os romanos comandados pelos cônsules Marco Atílio Régulo e Lúcio Mânlio Vulsão atacaram a marinha cartaginesa comandada por Hanno e Amílcar, conseguindo derrotá-los. Após essa vitória, Roma abriu caminho para efetuar o desembarque na costa africana e começar os ataques em terra. As tropas romanas vencem o Cerco de Aspis e a Batalha de Adis, forçando Cartago a solicitar um tratado de paz. Contudo, os termos do tratado foram tão severos que Cartago decidiu que a melhor decisão seria continuar o confronto.

    Cartago contrata um brilhante estrategista mercenário espartano chamado Xantipo, que reorganizou o exército de Cartago aos moldes macedônios, reconhecendo os pontos fortes das tropas montadas cartaginesas, as fraquezas da infantaria e protegeu essas fraquezas com as poderosas elefantarias. Xantipo conduziu os cartagineses a vitória na Batalha de Túnis em 255 a.C., derrotando as tropas romanas e capturando o comandante Marco Atílio Régulo. Após essa derrota, os romanos acabam se retirando da África e retomando os ataques na Sicília. Em 247 a.C. Cartago enviou o general Hamílcar Barca (275-228 a.C.), pai do famoso general Haníbal Barca, para a Sicília para defender as cidades cartaginesas dos ataques romanos. Contudo, após a derrota cartaginesa na Batalha Naval das ilhas Égadas em 241 a.C., Hamílcar Barca ficou sem apoio naval e sem o recebimento de suprimentos, o que o deixou sem saída, sendo forçado a negociar a paz e finalizando a Primeira Guerra Púnica com vitória para o lado romano. Cartago manteve apenas Córsega, Sardenha e a África, sendo obrigado a entregar a Sicília e as pequenas ilhas entre a Sicília e a África e a pagar indenizações anuais a Roma.

    - A Guerra Mercenária (240-238 a.C.):

    A Guerra Mercenária ou Guerra da Líbia foi uma revolta de exércitos mercenários anteriormente empregados por Cartago, apoiados por assentamentos líbios revoltantes contra o controle cartaginense. A guerra começou como uma disputa sobre o pagamento de dinheiro aos mercenários entre os exércitos mercenários que combateram a Primeira Guerra Púnica em nome de Cartago. Como Cartago perdera a maior parte de sua riqueza, devido às indenizações impostas por Roma como parte do tratado de paz, a disputa cresceu até que os mercenários tomaram Túnis pela força das armas e ameaçaram diretamente Cartago, que então cedeu às exigências dos mercenários. O conflito teria terminado se não houvessem dois comandantes mercenários, Spendius e Mathos, persuadido os recrutas líbios no exército a aceitarem sua liderança e convencido de que Cartago se vingaria por sua participação na revolta. Eles também persuadiram os exércitos mercenários combinados com cidades líbias a se rebelarem contra Cartago e várias outras cidades, explodindo para uma revolta em larga escala.

    O exército mercenário aliado aos líbios superava fortemente as tropas cartaginesas exauridas pela guerra contra Roma. Cartago despreparada, se saiu muito mal no inicio da guerra, especialmente sob o comando de Hanno, o Grande. Hamilcar Barca assumiu o comando supremo das tropas e conseguiu reverter a situação, derrotando os rebeldes em 237 a.C..


    - Período de grande prosperidade entre guerras (237-218 a.C.):

    Hamilcar Barca retornou para a Hispânia (atuais Espanha e Portugual) e consegue obter diversas conquistas expandindo grandemente o território cartaginês na região. Treinou seus filhos na arte da guerra e transmitiu a eles seu ódio por Roma. Após a sua morte, seu genro Hasdrubal (270-221 a.C.) assumi o comando das tropas, sucedendo-o com extrema habilidade, ele consolidou a fundação de Nova Cartago na Hispânia, estabelecendo-a como a capital da nova província da Hispânia. Por um tratado com Roma, ele fixou o rio Ebro, no norte da Espanha, como a fronteira entre os dois poderes. Após a morte de Hasdrubal, quem assumi o comando do exército cartaginês na Hispânia é Hannibal Barca (247-182 a.C.), o mais famoso general cartaginês e filho mais velho de Hamilcar Barca e que havia sido treinado brilhante pelo nas artes de combate e herdado um gigantesco ódio por Roma. Durante este período Cartago prosperou comercialmente e estava conseguindo pagar as dívida de guerra com Roma até de forma adiantada.

    - A Segunda Guerra Púnica(218-201 a.C.):

    A guerra com Roma foi reiniciada devido uma disputa pela hegemonia da cidade de Saguntum, que era uma cidade costeira ibérica helenizada com contatos diplomáticos com Roma. Depois de grande tensão dentro do governo da cidade, culminando no assassinato dos partidários de Cartago, Hannibal Barca sitiou Saguntum em 219 a.C.. Saguntum pediu ajuda a Roma, mas os apelos não foram ouvidos. Após um cerco prolongado e uma luta sangrenta, em que o próprio Hannibal foi ferido, os cartagineses assumiram o controle da cidade. Saguntum era uma cidade localizada além do rio Ebro e conforme o acordo de Hasdrubal com Roma, esse ataque havia ocorrido em território de domínio romano e quebraria o tratado de paz.

    Hannibal Barca contava na Hispânia com um dos maiores exércitos helenístico conhecidos, possuía cerca de 90.000 soldados de infantaria, 12.000 de cavalaria e 37 elefantes de guerra. Assim que a guerra foi declarada, ele partiu no final da primavera de 218 a.C. de Nova Cartago (atual Cartagena, Espanha) para o norte ao longo da costa. A partir do rio Ebro, ele dividiu o exército em três colunas e subjugou as tribos que encontrou até os montes Pireneus, deixando um destacamento de 11.000 homens como uma guarnição para a região recém conquistada. Em seguida, ele entrou no território da Gália por uma rota interior e conseguiu evitar o confronto com os aliados romanos ao longo da costa. Conseguiu evitar outros conflitos com romanos utilizando uma rota desconhecida que o levou até o pé dos Alpes no outono. Através da diplomacia, ele conseguiu estabelecer parcerias com as tribos locais, recendo suprimentos, tropas e guias, que os levaram por rotas desconhecidas dos romanos para cruzar os Alpes.

    Enquanto isso, uma legião romana iniciava o ataque a Hispânia, se encontrando com tropas cartagineses em Cissa. Roma vence a Batalha de Cissa em 218 a.C., fazendo com que as tropas cartigensas recuassem para além do rio Ebro. Cartago envia uma frota naval para efetuar um ataque surpresa a Lilybaeum, na Sicília, contudo, o ataque foi mal sucedido, abrindo caminho para o contra-ataque romano a Cartago. Hannibal Barca já havia previsto possíveis ataques a capital e havia enviado cerca de 20 mil homens da Hispânia para ajudar a defender Cartago. Em 215 a.C. Cartago sofre outra derrota marítima par aroma tentando recuperar a Sardinia.

    Hannibal Barca se aliou aos principais inimigos romanos na região, conseguindo cruzar os alpes e chegar no norte da Itália com 28.000 soldados de infantaria, 6.000 de cavalaria e 30 elefantes de guerra. Entre esses elefantes se destacava o que conduzia o próprio Hannibal Barca, chamado de Surus "O Sírio", pois os elefantes de guerra utilizados por Cartago eram elefantes de guerra norte africanos e Surus era um elefante de guerra Sírio, uma subespécie de elefante asiático gigante, que Hannibal havia recebido de presente. Os elefantes asiáticos eram conhecidos por sua maior capacidade em obedecer ordens, fazer manobras e de não entrar em "Berserker" (estado de insanidade temporária) durante as ações de combate. Essas duas subespécies de elefantes se encontram hoje extintas, devido a excessiva exploração pelo homem.

Surus

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Elefantes de Guerra africano

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    Roma envia diversas unidades militares para enfrentar Hannibal, mas a genialidade estratégica deste, o leva a se esquivar de uma legião romana bem constituída comandada por Publius Cornelius Scipio e a atacar e vencer uma tropa menor de cavalaria e infantaria leves na Batallha de Ticinus. Essa vitória incentivou diversas tribos os gaulesas castigadas pelos romanos a entrarem no confronto, apoiando Hannibal, incorporando assim cerca de 40 mil homens ao exército cartaginês. Após saber da derrota, Roma solicita o retorno da Sicília, a legião comandada pelo consul Sempronius Longus, que estava se preparando para invadir a África e que agora iria ajudar a legião de Publius Cornelius Scipio a enfrentar Hannibal.

    Contudo Hannibal bloqueou o caminho impendido que as duas legiões se unissem formando um grande exercito. Sempronius Longus tentou atravessar o bloqueio e conseguiu obter algumas pequenas vitórias, levando-o a acreditar que devido o tamanho similar das tropas dele com as de Hannibal, poderia enfrenta-lo sozinho, iniciando a Batalha de Trebia. Sempronius Longus atacou de forma precipitada Hannibal e foi surpreendido por um ataque em sua retaguarda realizado por Mago Barca, irmão mais novo de Hannibal. As tropas romanas foram arrasadas, apenas 20.000 homens conseguiram se retornar ao acampamento. Após essa vitória, Hannibal conseguiu assegurar sua posição no norte da Itália e atraiu mais 20.000 homens de tribos gauleses para entrar na guerra contra Roma.

    Em 217 a.C. assumem dois novos cônsules em Roma Gnaeus Servilius Geminus e Gaius Flaminius, que iniciam a reunião de duas legiões para enfrentar Hannibal. Cada um assumiu uma legião e partiu para o norte de Roma visando bloquear o acesso de Hannibal a região central da Itália. Essas duas legiões se juntaram há uma terceira força militar composta dos sobreviventes das batalhas anteriores comandada por Publius Cornelius Scipio. No início da primavera de 217 a.C., Hannibal decidiu avançar e cruzar a cordilheira dos Apeninos, evitando as posições romanas e seguiu pela única rota não vigiada para a Etrúria através da foz do rio Arno. Contudo esta rota atravessava enorme pântano, que neste ano estava mais inundado que o normal, essa ausência de lugares para o repouso, obrigou o exército a marchar por vários dias sem descansar, provocando uma fadiga geral e a perde de vários homens e alguns elefantes.

    Chegando na Etrúria, ainda na primavera de 217 a.C., Hannibal devastou uma área que estava sob proteção do cônsul Gaius Flaminius, forçando-o a vir a seu encontro. Quando os 2 exércitos se encontraram, Hannibal enviou apenas parte de suas tropas, que fingiram fugir das tropas romanas, que rapidamente iniciaram a perseguição até as margens do Lago Trasimeno, onde a força total de Cartago estava aguardando para emboscar o exército romano. A emboscada foi um sucesso total, levando Hannibal a conseguir a vitória na Batalha do Lago Trasimeno, com o mínimo de perdas em seu exército, com a destruição quase total da legião romana e a morte do cônsul Gaius Flaminius, eliminando a única força que poderia impedir seu avanço até Roma.

    Apesar das insistências de seus generais, Hannibal não atacou Roma, em vez disso, ele marchou para o sul da península itálica na esperança de conquistar aliados entre a população grega e itálica. A derrota no lago Trasimeno colocou os romanos em um imenso estado de pânico, temendo pela própria existência de sua cidade. O Senado decidiu recorrer à medida tradicional de emergência de nomear um ditador, um comandante-chefe temporário que uniria a autoridade militar, que normalmente era dividida entre os dois cônsules, durante seis meses. O procedimento usual exigia a presença de um cônsul para nomear o ditador. Como um cônsul (Flamínio) estava morto e o outro (Servílio) fora com o único exército no norte da Itália, o Senado resolveu eleger um ditador em si. Como isso era inconstitucional, a pessoa nomeada, Quintus Fabius Maximus, recebeu o título de provocador (ditador em exercício) embora tivesse os mesmos poderes que um ditador.

    Quintus Fabius Maximus evitou enfrentar Hannibal em batalha campal, ao invés disso, enviava pequenos destacamentos para enfrentar tropas cartaginesas que estivessem isoladas. Hannibal continuou a pilhar a Itália sem oposição, alguns aliados romanos aterrorizados começaram a mudar de lado, acreditando que Roma era incapaz de protegê-los. Tendo devastado toda a Apúlia, Hannibal decide marchar para a Campânia que era uma das províncias mais ricas e férteis da Itália. Quintus Fabius Maximus verificou uma grande oportunidade de prender a força cartaginesa na planície de Campânia e forçar Hannibal a lutar nas montanhas, onde sua cavalaria perderia a força. Fabius assegurou que todos os desfiladeiros que oferecessem uma saída da Campânia fossem bloqueados e atacou o exército cartaginês a noite iniciando a Batalha Noturna de Ager Falernus. Hannibal prevendo a intenção do inimigo em explorar suas fraquezas, evitou a batalha fingindo atacar do alto da montanha, enquanto escapava por um desfiladeiro que estava desprotegido. Este foi um duro golpe para o prestígio de Fabius.

    Fabius tornou-se impopular em Roma, já que suas táticas não levaram a um rápido fim da guerra. E nas eleições de 216 a.C. elegeram o cônsul Gaius Terentius Varro, que defendia uma estratégia de guerra mais agressiva e Lucius Aemilius Paullus, que defendia uma estratégia no de meio termo entre ataque e defesa. Na primavera de 216 a.C., Hannibal tomou o grande depósito de suprimentos romanos em Canas, a mais importante fonte de suprimentos romana situada na planície de Apúlia. O Senado Romano autorizou a criação de exércitos de tamanho duplo pelos cônsules Varro e Paullus, uma força excepcional de 86.000 homens, a maior da história romana até aquele ponto. Os cônsules romanos resolveram confrontar diretamente Hannibal e marcharam em direção ao sul, para a Apúlia. Após uma marcha de 2 dias, encontraram o exército cartaginês na margem esquerda do rio Aufidus e acamparam a 10 km de distância.

    Hannibal, se utilizando de seu brilhantismo nas táticas de guerra, aproveitou a ânsia de Varro em atacar e o atraiu para uma armadilha, usando uma tática de envolvimento que eliminou a vantagem numérica romana, que superava em quase duas vezes o exército cartaginês, ao encolher a área de superfície onde o combate poderia ocorrer. Ele armou sua infantaria menos confiável no centro de um semicírculo, com as extremidades compostas pelas cavalaria gaulesas e númidas. As legiões romanas forçaram o caminho através do centro fraco, mas os mercenários líbios nas extremidades giraram em torno de seu avanço, ameaçando os flancos romanos. A investida da cavalaria de Aníbal foi irresistível e derrotou a cavalaria romana na ala direita, em seguida, varreu a retaguarda da linha romana e atacou a cavalaria romana de Varro à esquerda e por último, atacou as legiões romanas por trás. Como resultado, o exército romano foi cercado sem meios de fuga, cerca de 50.000 a 70.000 romanos foram mortos ou capturados, deixando seu legado de grande estrategistas e vencendo a Batalha de Cannae ou de Cannas em 216 a.C..

    Após a derrota dos romanos em Cannas, as cidades gregas na Sicília se revoltaram contra o controle político romano, o rei da Macedônia Filipe V, prometeu apoio a Cartago, iniciando Primeira Guerra Macedônia contra Roma também em 216 a.C.. O rei Hieronymus de Siracusa também formou uma aliança com Cartago. Mesmo assim, após todos os eventos favoráveis, Hannibal recusou-se a atacar Roma. A sobrevivência da civilização romana e a forma de vida de grande parte das civilizações atuais que conhecemos, dependeram desta decisão de Hannibal, em não atacar Roma, pois fragilizada como estava, Roma teria caído e estaria sob dominação de Cartago e o mundo moderno teria sido influenciado pelas tradições e pelo estilo de vida cartaginês. Hannibal se limitou a enviar uma delegação a Roma para negociar uma paz e outra oferecendo a libertação de seus prisioneiros de guerra romanos, mas Roma rejeitou todas as ofertas.

    Em 212 a.C. as vitórias cartaginesas atingem seu ponto máximo, com diversas batalhas bem sucedidas para o lado cartaginês e principalmente as comandadas por Hannibal. No entanto, a partir do ano de 211 a.C., o exército romano começou a mostrar sinais de recuperação. Conseguindo obter inicialmente uma série de vitórias na Ibéria sob o comando de dos irmãos Scipio, contra as tropas cartaginesas da região. Em 209 a.C. conseguem capturar a capital cartaginesa da Ibéria, Nova Cartago. Nesse período, Hannibal ainda conseguiu obter algumas vitórias e empates nas batalhas. Contudo após o ano de 206 a.C., Roma consegue obter uma série de vitórias, dominando quase totalmente a Ibéria, a Sicília, ente outras regiões e iniciando um ataque a África sob o comando de Publius Cornelius Scipio Africanus. Um ano após seu desembarque na África, Cipião duas vezes derrotou as forças cartaginesas regulares, comandadas pelo general Hasdrubal Gisco e seus aliados numidianos ocidentais ou massaesylians comandados pelo rei Syphax, até que Syphax foi derrotado e feito prisioneiro. Seu rival Masinissa, líder dos numidianos orientais e aliado dos romanos apoderou-se de grande parte de seu reino e reforçou o apoio a Roma. Diante dessas dificuldades, os cartagineses solicitaram o retorno de Hannibal e dos outros generais, para a capital e começaram a pensar em tratado de paz.

    Em 203 a.C., Hannibal retorna a Cartago e assumi o comando do exército preparado para enfrentar Scipio Africanus. Uma conferência de paz foi organizada com última tentativa para evitar o confronto final, Hannibal e Scipio Africanus se encontraram pela primeira vez e apesar da admiração mútua entre eles, as negociações de paz fracassaram. Os preparativos para a batalha foram iniciados, os romanos tinham superioridade na cavalaria e os cartagineses tinham superioridade na infantaria. Contudo, o exército romano era mais bem armado e treinado do que o cartaginês, Hannibal havia se recusado a liderar este exército na batalha, porque ele não esperava que eles estivessem preparados para enfrentar os soldados romanos, mesmo assim foi obrigado a lidera-los na batalha, contando com a ajuda de alguns de seus soldados veteranos.

    No inicio da batalha Hannibal envia os elefantes de guerra, mas Scipio Africanus já havia encontrado uma forma de minimizar a ação do elefantes, ele colocou sua infantaria muito mais espaçada que o normal, proporcionando espaço para os soldados abrirem caminho para a passagem dos elefantes, evitando assim o esmagamento das tropas durante as investidas dos gigantescos animais. Scipio contra-atacou os elefantes com fogo, fazendo com que alguns elefantes recuassem e investissem contra as próprias tropas de Hannibal, causando desordem no exército pouco treinado. Se aproveitando da desordem, Scipio Africanus conseguiu dominar a cavalaria cartaginesa utilizando a cavalaria romana. Mesmo assim, Hannibal conseguiu estabilizar suas tropas e posicionar favoravelmente sua infantaria, conseguindo praticamente empatar a batalha. Entretanto, após o retorno da cavalaria romana, que atacou a retaguarda das tropas cartaginesas, formando uma ataque em duas frentes, fez com que a formação cartaginesa se desintegrasse e desmoronasse. Após essa derrota em 201 a.C., Hannibal convenceu os cartagineses a aceitar a paz.

    Cartago perdeu a Hispânia para sempre e Roma estabeleceu firmemente seu poder em grandes áreas. Roma impôs uma indenização de guerra de 10.000 talentos (300 toneladas de prata), limitou a marinha cartaginesa a 10 navios (para afastar os piratas) e proibiu Cartago de levantar um exército sem permissão romana. Os númidas aproveitaram a oportunidade para capturar e saquear o território cartaginês. Roma,após essa vitória, deu um passo fundamental para sua dominação do mundo mediterrâneo.

    Hannibal inicialmente se afastou do poder, mas inevitavelmente sua forte personalidade e respeitada figura, o conduziram há um cargo importante administrativo na cidade. Verificando a prosperidade alcançada rapidamente por Cartago, Roma exige o exílio de Hannibal em 195 a.C., ele acaba indo para a antiga capital fenícia Tiro, mas acaba recebendo um convite com honrarias de Antiochus III da Síria rei do império Seleucida, que se preparava para enfrentar o exército romano. Após a derrota do império Seleucida por Roma na batalha de Magnesia em 190 a.C., Hannibal foi recebido com hospitalidade na corte real armênia do rei Artaxias I, que estava em guerra com alguns aliados romanos. Em seguida se refugia com Prusias I, rei da Bitínia, que após ser descoberto é ameaçado por Roma a expulsar Hannibal para evitar o conflito. Se acredita que Hannibal cometeu suicídio em 181 a.C., tomando veneno ao se ver cercado por soldados romanos especialmente contratados para caçá-lo e capturá-lo.

Hannibal - AVPH


    - A Terceira Guerra Púnica(149–146 a.C.):

    Em 151 a.C., a Numídia lançou outra invasão fronteiriça em solo cartaginês, sitiando a cidade púnica de Oroscopa. Cartago lançou uma grande expedição militar, composta de 25.000 soldados, para repelir os invasores númidas. Como resultado, Cartago sofreu uma derrota militar e foi obrigado a pagar outra dívida de 50 anos para com a Numídia. Imediatamente depois disso, Roma mostrou descontentamento com a decisão de Cartago de travar uma guerra contra seu vizinho sem o consentimento romano e disse a Cartago que, para evitar uma guerra, ela deveria "satisfazer o povo romano".

    Em 149 a.C., Roma declarou guerra contra Cartago. Os cartagineses fizeram uma série de tentativas para apaziguar Roma e receberam a promessa de que, se trezentos filhos de cartagineses bem-nascidos fossem enviados como reféns para Roma, os cartagineses manteriam os direitos sobre suas terras e autogoverno. A cidade púnica de Utica, desertou e se aliou a Roma, sendo enviado para lá, um exército romano de 80.000 homens. Os cônsules romanos exigiram que Cartago entregasse todas as armas e armaduras. Depois que estas foram entregues, Roma exigiu adicionalmente que os cartagineses se mudassem pelo menos 16 quilômetros para o interior e a cidade de Cartago deveria ser queimada. Quando os cartagineses souberam disso, eles abandonaram as negociações e a cidade foi imediatamente sitiada, dando início à Terceira Guerra Púnica.

    Depois que a principal expedição romana desembarcou em Utica, os cônsules Manius Manilius e Lucius Marcius Censorius lançaram um ataque em duas frentes contra Cartago, mas foram repelidos pelo exército dos generais cartaginenses Hasdrubal e Himilco Phameas. Censorius perdeu mais de 500 homens, quando foram surpreendidos pela cavalaria cartaginesa enquanto coletavam madeira ao redor do lago de Túnis. Uma frota de navios romanos foi incendiada navios de fogo cartagineses. Manilius foi substituído pelo cônsul Calpurnius Piso Caesonius em 149 a.C. depois de uma severa derrota do exército romano em Nepheris, uma fortaleza cartaginesa ao sul da cidade. No outono de 148 a.C., Piso foi espancado enquanto tentava invadir a cidade de Aspis. Em seguida sitiou a cidade de Hippagreta, no norte, mas seu exército foi incapaz de derrotar os Punics lá antes do inverno e teve que se retirar. Quando as notícias desses contratempos chegaram a Roma, ele foi substituído como cônsul por Scipio Aemilianus, que subjugou Nepheris em 146 a.C. e conseguiu invadir Cartago. Os cartagineses suportaram o cerco com sucesso até então e embora os cidadãos púnicos oferecessem uma forte resistência, eles foram gradualmente empurrados para trás pela esmagadora força militar romana e mortos sem piedade.

    Muitos cartagineses morreram de fome durante a última parte do cerco, enquanto muitos outros morreram nos últimos seis dias de luta. Quando a guerra terminou, os 50.000 cartagineses remanescentes, uma pequena parte da população original pré-guerra, foram vendidos como escravos pelos vencedores. Cartago foi sistematicamente queimada durante 17 dias, suas muralhas e edifícios foram totalmente destruídos. Os territórios cartagineses remanescentes foram anexados por Roma e reconstituídos para se tornar a província romana da África. Existe a lenda de que Roma mandou semear a cidade de Cartago com sal para garantir que nada mais crescesse naquele local, no entanto, a utilização do local da cidade posteriormente pelos romanos leva a descrença nessa atitude, pois Cartago foi declarada ager publicus e que foi compartilhada entre os agricultores locais e os romanos. O norte da África se tornou uma fonte vital de grãos para o império romano e a "Cartago romana" era o principal centro de transporte desses suprimentos para a capital, se tornando uma das principais cidades da África romana na época do Império.

Dados da Civilização:
Nome: Civilização Cartaginesa
Idade: 814 a.C.
Local: Mediterrâneo

Referências:
- Ayrault Dodge, Theodore (1995). Hannibal: A History of the Art of War Among the Carthaginians and Romans Down to the Battle of Pydna, 168 BC. Da Capo Press.
- Carthage, a history, Serge Lancel.
- John Iliffe (13 August 2007). Africans: The History of a Continent. Cambridge University Press. p. 31. ISBN 978-1-139-46424-6.
- John Bagnell Bury; Stanley Arthur Cook; Frank E. Adcock; Martin Percival Charlesworth; John Boardman; N. G. L. Hammond; A. E. Astin; Iorwerth Eiddon Stephen Edwards; Michael Whitby; D. M. Lewis; Andrew Lintott; Cyril John Gadd; F. W. Walbank; J. A. Crook; Alan K. Bowman; Edward Champlin; Elizabeth Rawson; Averil Cameron; Andrew William Lintott; Peter Garnsey; Bryan Ward-Perkins (1928). The Cambridge Ancient History. Cambridge University Press. p. 368. ISBN 9780521233484.
- Lendering, Jona (1995–2010). "First Punic War: Chronology". Livius: Articles on Ancient History. Retrieved 27 November 2010.
- Livy. The History of Rome by Titus Livius: Books Nine to Twenty-Six, trans. D. Spillan and Cyrus Edmonds. London: Henry G. Bohn, 1868.
- Sabatino Moscati (January 2001). The Phoenicians. I.B.Tauris. p. 654. ISBN 978-1-85043-533-4.
- Scullard, Howard Hayes: A History of the Roman World, 753 to 146 BC. Routledge, 2002, page 316. ISBN 0-415-30504-7.
- Sidwell, Keith C.; Jones, Peter V. (1997). The world of Rome: an introduction to Roman culture. Cambridge University Press. p. 16. ISBN 0-521-38600-4.

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