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Roma

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    O Império Romano foi uma das maiores civilizações que já existiram no Mundo, em seu período áureo (entre os anos de 100 e 200 da era cristã), chegou a ter uma população composta entre cerca de 50 a 90 milhões de pessoas (que representava quase 20% da população do Planeta na época), cobrindo uma área de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados, que se estendia por quase toda a Europa, Ásia Menor, Norte da África, bem como todas as margens do mar Mediterrâneo, formando o "Mare Nostrum" (Mar nosso). Essa civilização perdurou por quase 1200 anos, passando por diversos estilos de governo, onde se destacam os períodos de monarquia, república e império. Suas contribuições permanecem até os dias atuais em nossa política, leis, artes, linguás, literatura, religião, estratégias de guerra e em muitas outras áreas.

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    • A Pré-História Romana (6.000-800 a.C.): Evidências de ocupação humana nômades (ferramentas e armas de pedra e objetos de cerâmica) na região da península itálica datam de 6.000 a.C., contudo o desenvolvimento de culturas fixas, pequenos povoados e a prática de agricultura e pecuária se iniciaram apenas em 1.400 a.C.. No período anterior a fundação de Roma, próximo de 900 a.C., a região já era ocupada por aldeias fortificadas de povos com origem indo-européia que vieram da Europa Central em ondas sucessivas que se iniciaram em 2.000 a.C., sendo os Rumi no monte Palatino, os Titientes no Quirinal e os Lúceres nos bosques ao Norte. Estes povos descendem de indo-europeus que migraram do Norte dos Alpes uns 400 anos antes, que podem ter se misturado com outros povos mediterrânicos e do Norte de África. Em 800 a.C. a essa região já era habitada por diversos povos, os Latinos a Oeste, os Sabinos no vale superior do rio Tibre, os Úmbrios no nordeste, os Samnitas ao Sul, os Oscos e outros menores espalhados por entres esses povos. Todos eles deviam o espaço com outros 2 grandes grupos étnicos, os Etruscos que estavam estabelecidos ao Norte na Etrúria, que era uma zona correspondente ao atual Norte do Lácio e a Toscana e os Gregos que estavam em processo de desenvolvimento de várias colônias no extremo sul da península itálica (que viria a ser conhecida pelos romanos como Magna Grécia) e na Sicília.

    • A Roma Mitológica (1.182-753 a.C.): Conforme o mito da criação de Roma, ela foi fundada em 21 de Abril de 753 a.C., pelos irmão gêmeos Romulus e Remus (Rômulo e Remo), que eram descendentes do príncipe troiano Aeneas (Enéias) e netos do Rei latino Numitor de Alba Longa. Segundo a lenda escrita pelo historiador grego Dionysius de Halicarnassus e recontada de forma similar pelo poeta romano Virgil (Virgílio) na Eneida, o príncipe Aeneas filho de Anquises com a deusa Vênus foi destinado pelos deuses a encontrar uma Nova Troia, pois a guerra perdida para os Gregos em 1.182 a.C. destruíu toda a Tróia original. Aeneas reuniu os sobreviventes de Troia e fugiram para o Mar Mediterrâneo, onde enfrentaram um série de aventuras, que incluíam uma passagem por Cartago recém fundada, na época da Rainha Dido, indo finalmente desembarcar na costa italiana, próximo as regiões de Anzio e Fiumicino a sudoeste de Roma, na cidade de Laurentum ou Lavinium (em homenagem a bela princesa Lavínia, a filha do rei Latino). A ideia dos homens troianos era de se reabastecerem e partir novamente para outros locais, no entanto as mulheres troianos gostaram tanto do local que não quiseram mais retornar para os navios. Em uma das versões da lenda, uma mulher troiana chamada Roma induziu as outras mulheres a queimarem os barcos para impedir o retorno dos homens ao mar e após o evento e passada a raiva inicial, os homens gostaram de ideia de morar no local e homenagearam o local com o nome da mulher que havia colocado fogo nos barcos, Roma. Aeneas conheceu a princesa Lavínia e se apaixonaram a primeira vista, contudo Lavínia já era noiva de Turnus ou Turno (rei dos rútulos). Aeneas se casou Lavínia começando uma guerra com Turnus. Aeneas e os troianos venceram a guerra e mataram Turnus, anexando suas terras e seu povo, criando assim um novo reino Lavinium ou Lavínio. O filho de Aeneas chamado Iulus (Julius ou Julho), que também era conhecido como Ascânio, governa a cidade durante 30 anos até que resolve se mudar e fundar sua própria cidade, Alba Longa, criando uma linhagem de reis que após 400 anos iria culminar no 11º rei de Alba Longa, o rei Procas e no mito da fundação de Roma pelos irmãos de Romulus e Remus.

    O rei Procas era o pai dos príncipes Numitor e Amulius (Amúlio), após a morte de Procas, seu filho mais velho e legítimo herdeiro Numitor assumiu o trono. Entretanto seu irmão Amulius não aceitando essa sucessão, capturou e aprisionou seu irmão. Para evitar que a linhagem legítima de seu irmão tivesse continuidade, o agora rei Amulius assassina os descendentes varões de Numitor e obriga sua belíssima sobrinha Rhea Silvia (Reia Sílvia) a se tornar vestal (sacerdotisa virgem, consagrada a deusa Vesta). Rhea engravidou do Deus Marte (deus romano da guerra) e teve com ele 2 filhos gêmeos semi-deuses chamados Romulus e Remus que teriam nascido próximo de 771 a.C.. Amulius com medo das crianças se voltarem contra ele e da profecia de que eles iriam derrubar seu reinado, prende Reia em um calabouço e manda jogar seus filhos no rio Tibre. No entanto, o Deus Marte interveio e os protegeu, fazendo com que os servos tivessem pena das crianças e apenas colocando o cesto nas margens do rio no sopé do monte Palatino, onde foram encontrados por uma loba que os amamentou e os protegeu durante anos até que foram encontrados por um pastor chamado Faustulus (Fáustulo), ao pé da Figueira Ruminal (Ficus ruminalis), na entrada de uma caverna chamada Lupercal, que os levou para sua casa e os adotou como filhos juntamente com sua esposa Acca Larentia. Romulus e Remus cresceram com essa família praticando a caça, a corrida e exercícios físicos. Costumavam saquear as caravanas que passavam pela região à procura de espólios. Em um desses saques, Remus foi capturado e levado para Alba Longa. Faustulus, seu pai adotivo, revela a Romulus sua história de origem, ele então parte para a cidade de Alba Longa, liberta seu irmão, mata Amúlio, restaura seu avô Numitor como rei e dá a sua mãe todas as honrarias que lhe eram devidas. Verificando que não teriam futuro na cidade, os gêmeos decidem partir da cidade, eles são acompanhados pelos "indesejáveis", para fundarem uma nova cidade no local onde foram abandonados. Romulus escolheu o nome da cidade de Roma e queria construí-la no monte Palatino, enquanto Remus havia escolhido o nome Remora e queria construí-la no Aventino, a escolha gerou uma acirrada discussão entre os irmãos que terminou com a morte de Remus, deixando um legado violento e de constante derramamento de sangue para a nova cidade que passou a ser conhecida como Roma em homenagem ao seu fundador Romulus que significa "pequeno garoto de Roma".

    Segundo a lenda Romulus é então considerado o primeiro governante de Roma, ele permitiu que homens de todas as classes de pudessem se tornar cidadãos de Roma, incluindo desde homens livres a até escravos, sem fazer distinções, tornando a cidade inicialmente similar a um santuário. Isto no entanto atraiu muitos indigentes, exilados e pessoas não desejadas. Este evento gerou uma grande quantidade de mão-de-obra para a cidade, mas causou grande desalinhamento na proporção entre homens e mulheres. Romulus tentou negociar com as tribos vizinhas casamentos arranjados, mas a reputação dos homens de Roma não eram boas e a maioria das propostas foram rejeitadas. Para conseguir mulheres para estes homens, Romulus então convidou as tribos vizinhas para um festival em Roma e durante este festival, ele raptou todas as mulheres solteiras, este evento ficou conhecido como o "Rapto das mulheres sabinas" e deu origem a uma guerra com os Sabinos liderados pelo rei Tito Tácio. Devido as forças serem de igual tamanho a solução para o conflito foi compartilhar o reinado de roma e da região com o rei Sabino. Romulus selecionou então 100 dos homens mais nobres para formar o senado romano como uma forma conselho para auxiliar o rei, estes homens ficaram conhecidos como "Patres" e seus descendentes se tornaram os patrícios.

    • A Roma Antiga "Regnum Romanum"- O Reinado dos 7 reis (753-509 a.C.): as informações sobre os reis de Roma são consideradas imprecisas, devido grande parte do acervo que continha os relatos originais terem sidos destruídos durante as diversas vezes em que a cidade foi invadida e saqueada ao longo dos milênios. O rei (rex) tinha funções executiva, judicial e religiosa, contudo seus poderes eram limitados pelo senado ou "conselho de anciãos", que poderia vetar as leis apresentadas pelo rei. Segundo os relatos apresentados nas obras de Virgílio (Eneida) e Tito Lívio (Ab Urbe condita libri) apenas os reis lendários são mencionados. Romulus ou Rômulo (753–717 a.C.), fundou a cidade (as vezes Remo é considerado também como primeiro rei junto com Rômulo). A passagem do mito onde os irmãos foram amamentados por uma loba, possuí uma tentativa de explicação, se utilizando do argumento de que a palavra romana "lupa" era utilizada tanto para fêmeas de lobo, quanto para mulheres sem carácter, criando a teoria de que os gêmeos poderiam ter sido criados desde o início por uma mulher e não por uma loba. Após a morte de Romulus, se iniciou um período de entre-reino ("interregnum") que durou 1 ano, no qual os senadores assumiam o governo e escolhiam quem seria o novo rei de Roma. Foi então escolhido o Sabino Numa Pompilius ou Numa Pompílio (717–673 a.C.), devido sua reputação de justiça e piedade. Ele iniciou diversos projetos de construção em roma, como o Palácio Real Regia, o complexo das virgens Vestal, um novo templo para o Deus Janus (Jano, guardião dos portais), criou as instituições religiosas, os sacerdotes e os ritos, reformou o calendário romano, ajustando para um calendário anual solar e lunar, adicionando os meses de janeiro e fevereiro, para totalizar 12 meses. Era visto pelo povo como um homem bondoso e amante da paz, que semeou ideias de piedade e de justiça na mentalidade romana.Organizou o território circundante de Roma em distritos, para uma melhor administração, e repartiu as terras conquistadas por Rômulo entre os cidadãos, organizando a cidade em grêmios e ofícios. Seu longo reinado que durou cerca de 43 anos ficou marcado pela paz e pelas reformas religiosas, sua morte ocorreu de forma pacífica e natural.

    Após a morte de Numa Pompilius, ocorreu um novo período de interregnum e o novo sucessor escolhido pelo senado foi o latino Tullus Hostilius ou Túlio Hostílio (673–642 a.C.), que era contrário as práticas pacíficas de Numa Pompilius, no início de seu reinado, ele entrou em guerra com Alba Longa, destruindo a cidade, escravizando a população, e enviando-a a Roma, anexando a região ao território de Roma, em seguida entrou em guerra com outros povos, os Fidenae (Fidenas) e os Veii (Veios) e os Sabinos. Ele também erigiu um novo edifício para abrigar o senado, a Cúria Hostília. Sua morte foi inexplicada e envolta em mistério, pois descuidou sua atenção das divindades, levando ao aparecimento de uma praga sobre Roma, que afetou muitos romanos, incluindo o próprio rei. Quando Tullus solicitou ajuda ao deus Júpiter, este respondeu com um raio que reduziu Tullus e sua residência as cinzas.

    Seu reinado chegou ao fim após 32 anos de duração e foi seguido por um novo período de interregnum se seguiu e a escolha dos senadores desta vez buscou a paz e a religiosidade, como havia sido o governo de Numa Pompilius e para isso elegeram rei o neto de Numa Pompilius, Ancus Marcius ou Anco Márcio (640–616 a.C.), que apenas enfrentou guerras para defender as fronteiras romanas, fortificou o monte Janículo, na margem ocidental do rio Tibre para defender melhor a região, construiu a Ponte Sublícia, que foi a primeira ponte de Roma, construiu a Prisão Mamertina, que foi a primeira prisão romana, construiu o porto romano de Óstia na costa do Tirreno, assim como as primeiras fábricas de salga, aproveitando a rota fluvial tradicional do comércio de sal, a via Salária que abastecia os agricultores sabinos. Seu longo reinado que durou cerca de 24 anos, morrendo de morte natural e sendo recordado como um dos grandes reis de Roma. Ele foi o último dos reis latino-sabinos de Roma.

    Lucius Tarquinius Priscus ou Tarquínio Prisco (616–579 a.C.), foi o primeiro rei de origem etrusca, ao chegar em Roma foi adotado por Ancus Marcius como pupilo e após sua morte ascendeu ao trono como seu sucessor. Enfrentou várias guerras contra os sabinos e os etruscos, se saindo vitorioso na maioria delas, praticamente dobrando de tamanho as extensões de terras romanas e trazendo enorme quantidade de tesouros para Roma. Ele também aumentou o senado com 100 novos senadores, que representariam as regiões etruscas recentemente conquistadas. As vagas de senadores passaram a totalizar 300. Tarquinius Priscus expandiu o exército, atingindo cerca de 6.000 soldados de infantaria e 600 ginetes, construiu em Roma um grande sistema de esgoto, o Fórum Romano, o "Circus Maximus" (Circo Máximo) e criou os Jogos Romanos. Ele foi assassinado pelos filhos de Anco Márcio após 38 anos de reinado.

    Servius Tullius ou Sérvio Túlio (578–535 a.C.)assumiu o reinado como escolhido pelo senado, ele era genro de Tarquinius Priscus. Lutou diversas batalhas contra os etruscos, onde saiu vitorioso da grande maioria delas. Os saques de guerra ajudaram a patrocinar as construções em Roma, a primeira muralha verdadeira de Roma que ficou conhecida como "As muralhas servianas" ("The Servian Wall"), que cercavam as sete colinas romanas, e o templo dedicado a Diana. Servius dividiu a sociedade romana em classes censitárias, sendo composta por quatro "tribos" urbanas (tribus urbanae), baseadas em sua localização espacial dentro da cidade e em 16 tribos rurais (tribus rusticae) estabelecendo a assembleia tribal (comitia tribuna). Servius tentou também tornar seu exército mais parecido com modelos gregos (falanges hoplitas) e etruscos, baseado em infantarias pesadas, sendo composto por 6.000 infantes e 600 ginetes. Seu longo reinado que durou 44 anos, terminou com seu assassinato numa conspiração planejada por sua filha Túlia e seu genro Tarquínio, que viria a ser seu sucessor.

    O último rei de Roma Lucius Tarquinius Superbus ou Tarquínio o Soberbo (534–509 a.C.), que era Filho de Tarquinius Priscus e genro de Servius Tullius. Sua forma de governar era baseada no terror, na violência e no assassinato para manter o controle sobre Roma. Tarquinius finalizou a construção do templo de Júpiter, revogou diversas reformas constitucionais de seus predecessores, aboliu e destruiu os santuários e altares sabinos da rocha Tarpeia, enfurecendo o povo romano. Tarquinius representou o típico tirano romano e colocou um fim em seu reinado de terror quando aceitou a violação de uma patrícia romana chamada de Lucrécia por seu filho Sextus Tarquinius (Sexto Tarquínio). Os familiares patrícios de Lucrécia convocaram o senado, que decidiu a expulsão de Tarquínio em 509 a.C., essa expulsão inicia o fim da influência etrusca em Roma e estabelece a constituição republicana. O senado aboliu a monarquia, convertendo Roma em uma república no mesmo ano, Lúcio Júnio Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino se converteram nos primeiros cônsules do novo governo de Roma. Uma Conspiração chamada de Tarquiniana foi planejada por patrícios, membros da família real e do senado que eram apoiantes da monarquia, tentando restabelecer a monarquia, contudo foi desmantelada e os conspiradores foram condenados a morte. Tarquinius Superbus fugiu para a cidade de Túsculo e depois para Cumas, onde morreu em 495 a.C.

    Após 650 a.C., os Etruscos passaram a ser a civilização dominante na península Itálica, se expandiram para diversas regiões incluindo a romana e do Lácio. Roma mesmo não estando sob controle direto dos Etruscos, sofria enorme influência deles, acabando por absorver seus costumes e tecnologia, como se verifica através do sistema romano de esgotos criado em Roma (Cloaca Máxima), pontes (Ponte Sublícia), entre outras obras de engenharia típicas da civilização etrusca, bem como a adoração aos deuses Juno, Minerva, e Júpiter, possivelmente correspondentes aos deuses etruscos Uni, Menrva e Tinia. Contudo a civilização etrusca entrou em decadência logo após o início do período de República Romana.

    • A República Romana (509 a.C.- 44 d.C.): foi um período de grande prosperidade para Roma, que se transformou de uma pequena cidade no maior império da Antiguidade em apenas cerca de 300 anos. Os patrícios romanos montaram toda uma organização social e administrativa que os beneficiavam e os mantinham no controle de quase todos os altos cargos da República. A organização política desenvolvida era baseada no governo de dois cônsules que tinham mandato de um ano e eram escolhidos pela Assembleia Centurial. Quando em épocas de guerra quem assumia o governo era um ditador, os quais eram escolhidos para um mandato de seis meses sem renovação, possuindo plenos poderes para administrar a crise. Contudo o verdadeiro poder se mantinha nas mãos do senado, que era composto pelos patrícios mais influentes, possuindo mandato vitalício. Eles eram responsáveis pela nomeação dos cargos políticos, controlavam as finanças e tomavam decisões militares. Outra instituição também importante era a assembleia centurial, que era composta pelas forças militares. Eram agrupados em centúrias, compostas por patrícios e plebeus, eles votavam as leis que seriam aplicadas em Roma, elegiam os os cônsules e os pretores.

    A queda da monarquia e a instituição de uma república em roma foi vista pelas civilizações da região como uma fraqueza, que poderia ser aproveitada para a conquista de Roma. Os Sabinos tentaram se aproveitar dessa oportunidade e realizaram diversas incursões militares nos povos próximos de Roma e contra a própria Roma também. Entretanto, Roma se aliou aos povos vizinhos formando uma aliança militar defensiva. Essa aliança foi vencedora na Batalha do Lago Regilo, em 493 a.C. e a partir desse marco, Roma passou a ser o poder dominante na região. Os Sabinos perderam sua superioridade militar, os Etruscos começaram a sofrer ataques e saques dos Gauleses e acabaram concentrando seu poder militar apenas em sua região. Sem adversários a altura, Roma iniciou seu processo de expansão militar, conquistando os Veios, os Volscos (Volsci) e os Équos (Aequi) em 392 a.C., contudo em 390 a.C. Roma foi atacada pelos Gauleses liderados por Brennus (Breno), que encontrou as defesas romanas nas margens do pequeno rio Allia, há 15 km de Roma. Os romanos foram derrotados e os gauleses marcharam diretamente para Roma. A maioria dos romanos fugiram da cidade, contudo alguns permaneceram e organizaram um última linha de defesa. Os gauleses conseguiram invadir diversas partes da cidade, saqueando e colocando fogo em seguida. Depois de 7 meses de cerco, os gauleses concordaram em deixar Roma livre se recebessem a quantia de 450 kg em ouro. Os romanos concordaram em pagar, no entanto, durante o pagamento os supervisores romanos verificaram que os gauleses estavam usando escalas adulteradas para pesar, contando menos ouro do que realmente estava sendo pago. Os romanos então se revoltaram e atacaram os gauleses com bravura, resultando na vitória romana. Uma lenda romana conta que, ao descobrirem a trapaça, o general romano Camillus convocou os romanos ao ataque com a frase "Com ferro, não com ouro, roma comprará sua liberdade".

    Este evento atrasou o expansionismo romano, contudo, Roma foi reconstruída rapidamente e iniciou suas investidas para o norte, marchando para conquistar a Etrúria e alguns territórios gauleses, dificultando assim a ocorrência de novas invasões. Em 345 a.C. Roma inicia uma campanha militar visando a conquista do sul, invadindo facilmente a região dos Latinos, contudo encontrou grande dificuldade ao enfrentar os samnitas, iniciando as "Guerras Samnitas". A primeira Guerra Samnita ocorreu entre 343-341 a.C., a segunda guerra samnita ocorreu entre 327-321 a.C. onde Roma sofreu uma derrota e foi forçada trazer outras legiões distantes para auxiliar na guerra, continuando em 316-304 a.C. e a terceira guerra samnita entre 298-290 a.C., quando Roma saiu vitoriosa e continuou a expansão para o sul. Nesta época Roma já havia conquistado metade da península Itálica e se encaminhava para a conquista do extremo sul da península em 281 a.C., a Magna Grécia. Os romanos asseguravam suas conquistas fundando colônias romanas em áreas estratégicas recém conquistadas.

    Dominada a península Itálica, se iniciaram as conquistas das margens do Mar Mediterrâneo, onde a principal civilização era Cartago, rivalizando em poderia econômico e militar com Roma. Cartago era uma antiga colônia fenícia do norte da África (atual Tunísia) que estava apresentando elevada prosperidade comercial, dominava a região central do Mediterrâneo, enviava caravanas comerciais para os locais mais distantes do mundo conhecido e seus solos eram extremamente férteis e cultiváveis. Para se expandir pelo Mediterrâneo, Roma teria que derrotar Cartago. As guerras entre Roma e Cartago ficaram conhecidas como "Guerras Púnicas", devido o fato de que os romanos chamavam os cartagineses de fenícios, que em latim é poeni, derivando em púnica. Essas guerras se iniciaram em 264 a.C. e geraram diversas batalhas terríveis com reveses para ambos os lados.

    As Guerras Púnicas foram umas das mais difíceis guerras enfrentadas pelos romanos, os cartagineses contra atacaram com extrema habilidade militar, chegando até a invadir e saquear Roma. A primeira guerra púnica ocorreu entre 264-241 a.C., pois em 264 a.C. a cidade de Messana pediu ajuda de Cartago para se defender de ataques de Hiero II de Siracusa, Cartago ajudou, no entanto, não deixou a cidade após terminada a ameaça. Messana solicitou ajuda a Roma para expulsar os cartagineses, Roma verificando que Messana e sua vizinha Siracusa (atual Sicília) eram muitos próximas de suas colônias na Magma Grécia e ela estaria sujeita a ataques, resolveu entrar em guerra contra Cartago. Os romanos eram bem experientes em batalhas terrestres, contudo, não tinham muita experiencia em batalhas navais. Já os cartagineses eram umas das maiores potências navias do mundo na época e tinha como general o brilhante estrategista Hamilcar (Amílcar) Barca. Roma conseguiu com extrema dificuldade, após mais de 20 anos, vencer Cartago e assinaram um tratado de paz que beneficiava o lado romano. Esse tratado imposto por Roma acabou revoltando os cartagineses e deram origem a outro conflito.

    A segunda guerra púnica ocorreu entre 218-202 a.C., quando Cartago descontente com as imposições de Roma, iniciou um ataque ambicioso. Hamilcar Barca, general da primeira guerra púnica, treinou seus filhos Aníbal (Hanibal), Hasdrubal (Asdrúbal) e Magão na arte guerra para o substituírem como generais e transmitiu seu ódio a Roma para eles. Aníbal (248-182 a.C.) se destacou com brilhantismo nesta arte, se tornando o maior general cartaginês e um dos maiores estrategistas da história. Ele montou um poderoso exército e partiu da Hispânia, atravessou os Pireneus e os Alpes com o objetivo de conquistar o norte da península Itálica. Ele derrotou os romanos em grandes batalhas campais como a do lago Trasimeno e a de Canas, mesmo estando em inferioridade numérica, se utilizando de estratégias brilhantes. Uma das principais armas de Aníbal era sua elefantaria de guerra, pois no norte da África existia uma subespécies de elefante africano que era muito utilizada em batalhas. Aníbal sempre lutava em seu gigantesco elefante de guerra chamado Surus. Os elefantes investiam contra as infantarias inimigas causando terror e pisoteando os soldados inimigos, muitas vezes os elefantes levavam soldados armados com flechas ou lanças em suas costas. Roma não estava preparada para enfrentar algo similar e já estava em guerra, enfrentando outro inimigo poderoso, a Macedônia. Mesmo contanto com grandes generais como Marcus Claudius Marcellus, Quintus Fabius Maximus e Publius Cornelius Scipio (Públio Cornélio Cipião), os romanos tiveram que abandonar Roma e contra atacar Aníbal na forma de guerrilha. Após mais de 10 anos de ocupação de Roma, com o término da primeira guerra macedônica em 205 a.C., as tropas romanas foram direcionadas para Cartago, efetuando um ataque. Aníbal foi chamado de volta a Cartago para defender a cidade, no entanto, os romanos já haviam aprendido a lição, se utilizando de estratégias similares as de Aníbal e se preparando para se defender dos elefantes de guerra. Aníbal foi finalmente derrotado por Públio Cornélio Cipião Africano na Batalha de Zama em outubro de 202 a.C., colocando um fim na segunda guerra púnica. Ao final Roma consegue conquistar a Hispania e Siracusa, retornando então sua atenção para a Macedônia, iniciando a segunda e a terceira guerras macedônicas, terminando na conquista em 168 a.C. e em seguida se prepara e retoma o conflito com Cartago.

    A terceira guerra púnica ocorreu entre 149-146 a.C., quando 2 anos antes em 151 a.C. a Numídia resolve invadir Cartago e pede ajuda para Roma, pois ambos foram aliados contra Cartago na 2ª Guerra Púnica. roma enviou embaixadores a Cartago e estes verificaram que Cartago já havia recuperado boa parte de sua importância, que em breve poderia desafiar Roma novamente e enviam a mensagem a Roma "Cartago deve ser destruída". Quando a guerra entre Cartago e Numídia começa, Roma declara que Cartago agiu sem seu consentimento e declara guerra contra Cartago. Cartago resistiu bravamente aos primeiros ataques, contudo não aguentou o severo ataque do General romano Scipio Aemilianus que destruiu as muralhas e invadiu a cidade, destruindo-a completamente, escravizando e vendendo todos os habitantes e tomando o controle de toda a região, se tornando a Província romana conhecida como África. As Guerras Púnicas terminaram com a vitória Romana em 146 a.C., Roma destruiu Cartago e tentou apagá-la do mapa e da história, arando as terras e jogando sal para garantir que nada mais properasse naquela terra. Com a queda de Cartago, Roma dominou o norte da África.

    Verificando a fragilidade da Macedônia após a morte de Alexandre "O Grande" e acreditando que venceriam facilmente os cartagineses, os romanos se prepararam e atacaram a Macedônia em 215 a.C., iniciando as "Guerras Macedônicas". A primeira guerra macedônica ocorreu entre 215-205 a.C., a segunda guerra macedônica ocorreu entre 200-196 a.C. e a terceira guerra macedônica ocorreu entre 171-168 a.C., terminando com a vitória romana, que abriu caminho para a conquista da Grécia e da Ásia Menor. Em 146 a.C., os Romanos arrasaram a cidade de Corinto, anexando a Grécia ao seu império e transformando Roma na cidade mais importante da parte ocidental do Mediterrâneo.

    Na Península Ibérica existiam diversas colônias cartaginesas, que até utilizavam o nome Nova Cartago. Em 155 a.C. Roma inicia a "Guerra Lusitânica" que ocorreu entre 155-139 a.C., que acabou resultando na conquista romana da Península Ibérica. A Guerra Jugurtina que ocorreu entre 122-105 a.C., as Guerras Mitridáticas ocorreram entre 88-63 a.C., as Guerras da Gália 58-51 a.C. famosas pelo comando de Júlio César, que ao retornar de suas sucessivas vitórias ficou tão famoso e idolatrado pelas tropas que se tornou imperador. O mar Mediterrâneo foi inteiramente controlado pelos romanos, que o chamavam de “Mare Nostrum” (Mar Nosso) e não existiam mais inimigos conhecidos com poderio militar similar ao romano.

    Roma viveu durante este período uma significativa explosão populacional, os agricultores passaram a utilizar escravos obtidos durante as conquistas para trabalhar no campo e passaram a viver nas cidades. Se inicia também a construção de monumentos e grandes estruturas públicas, entre elas o Teatro de Pompeu, erigido pelo general Gneu Pompeu Magno. Júlio César após regressar das conquistas gálicas, encontrou uma Roma dividida politicamente e socialmente em 2 grupos distintos, um composto pelos super ricos, que eram a minoria e outro composto pelo proletariado formado basicamente de agricultores pobres, que eram a maioria da população. Neste cenário turbulento e cheio de revoltas, foi que Caio Júlio César utilizando de sua grande popularidade com o exército e com o proletariado, proporcionou a união dos 2 grandes líderes desses 2 grupos: Marco Licínio Crasso, que em tempos anteriores hava financiado sua carreira e Pompeu Gnaeus Magnus, o qual Julio César havia casado sua filha. Dessa maneira Julio César, se aliando aos 2 homens mais poderosos de Roma, chegou ao poder formando o Primeiro Triunvirato romano (governo de 3 homens) em 60 a.C., satisfazendo assim os interesses de todos. Contudo essa aliança não durou muito, em 54 a.C. Julia (filha de César casada com Pompeu) morreu durante o parto do primeiro filho. César tentou fortalecer sua aliança com Pompeu oferecendo sua sobrinha-neta em casamento, mas a proposta foi recusada. Pompeu preferiu se casar com Cornélia Metela, filha de Metelo Cipião, que era um dos maiores adversários de César no senado. Em 53 a.C., Crasso foi morto na Batalha de Carras durante a invasão romana do Império Parta. Sua morte culminou no final do triunvirato, pois com a morte de Júlia a aliança entre César e Pompeu já havia se enfraquecido bastante. A República agora estava muito próxima de uma guerra civil. Pompeu tinha sido nomeado pelo senado como o único cônsul em Roma e possuía o apoio completo da aristocracia conservadora.

    - A Guerra Civil:
    Em 50 a.C. após 8 anos de guerras, a Gália estava completamente conquistada, permanecendo assim pelos próximos 500 anos. César fez fortuna vendendo milhares de gauleses como escravos e também vendeu os bens e produtos saqueados nas cidades da Gália. O mandato de Júlio César como governador terminou nesse mesmo ano juntamente com sua imunidade processual. O senado, liderado por Pompeu, ordenou que César dispensasse suas legiões e retornasse para Roma. Contudo sem essa imunidade que César possuía como magistrado, ele poderia ser pelos senadores. Pompeu e a aristocracia romana acusaram César de insubordinação e traição. Júlio César então verificou que não tinha opção a não ser lutar pelos seus direitos. A lei romana proibia que qualquer general entrasse na Itália com seu exército. Mesmo assim, em janeiro de 49 a.C., César cruzou o rio Rubicão com apenas a 13ª legião, dando início a guerra civil.

    Pompeu não conseguiria se defender adequadamente e acabou fugindo para o sul da Itália para recrutar mais tropas, acompanhado pela maioria dos senadores. César perseguiu-os até o litoral sul, contudo Pompeu conseguiu fugir pelo mar para a Grécia junto com o senado, pois César não tinha uma frota naval para continuar a perseguição. César então marchou para a província da Hispânia, deixando a Itália sob controle de seu segundo em comando, o general Marco Antônio. Na Hispânia, César derrotou os partidários de Pompeu e conseguiu capturar navios suficientes para ir atrás de Pompeu, enfrentando-o na Ilíria, onde quase foi derrotado na Batalha de Dirráquio, conseguindo fugir com apenas parte de suas tropas. Em 9 de agosto de 49 a.C., Pompeu e César se enfrentaram na importante Batalha de Farsalos, onde mesmo em desvantagem numérica de quase 3 para 1, César derrotou Pompeu praticamente vencendo a guerra civil.

    Retornando a Roma, César foi nomeado ditador com Marco Antônio como seu vice-comandante. Pompeu e o senado após a derrota se separaram, Pompeu fugiu para o Egito, contudo logo César descobriu sua localização e retomou sua caçada, ao chegar ao Egito, César foi presenteado pelas autoridades locais com a cabeça de Pompeu. César ficou furioso e ordenou a prisão e execução dos responsáveis, permanecendo em seguida algum tempo a mais no Egito para acompanhar a guerra civil que estava ocorrendo entre o jovem Ptolemeu XIII e sua irmã e co-regente Cleópatra VII. César resolveu apoiar Cleópatra VII, apoiando a resistência ao cerco de Alexandria e em seguida, derrotando Ptolemeu XIII na Batalha do Nilo de 47 a.C., colocando Cleópatra como governante do Egito. Para comemorar a vitória, realizaram uma festa luxuosa, mostrando aos romanos as maravilhas do Egito.

    César e Cleópatra se tornaram amantes e moraram juntos em Alexandria durante mais de 1 ano, pois não poderiam se casar devida há uma lei romana que não reconhecia o casamento entre um cidadão romano com uma não romana. Contudo apenas um relacionamento com uma bárbara não era considerado adultério e dessa forma os dois tiveram um filho nomeado Cesarião. Cleópatra visitou Roma e morou por um tempo na vila de César nas margens do rio Tibre. César no final de 48 a.C., foi novamente nomeado como ditador, com um mandato de um ano e após reiniciar o processo de reconstrução de Roma e resolver alguns problemas no Egito, partiu para o Oriente Médio, para conquistar facilmente a vitória contra o rei Fárnaces II de Ponto. Marchou em seguida para o norte da África para derrotar as forças romanas aliadas do senado, conquistando em 46 a.C., uma vitória decisiva sobre as tropas de Catão (o Jovem). Derrotando em seguida outra tropa senatorial sob comando de Metelo Cipião na batalha de Tapso. Os filhos de Pompeu haviam fugido para a Hispânia e estavam formando uma última resistência contra César. No entanto, César marchou para a Hispânia e os enfrentou na batalha de Munda em 45 a.C., derrotando assim a última resistência armada contra ele. e dessa forma renovando sua posição de comandante supremo de Roma.

    Júlio César acumulou muito poder para si, retirando-o das mãos da aristocracia e do senado, que passaram a temer o retorno da monarquia, com César como rei. Um grupo de senadores denominados de "os Liberatores" começaram a conspirar e a planejar o assassinato contra César, afirmando que ele havia se tornado um tirano e somente a morte dele restauraria a velha República Romana. Em 44 a.C., a conspiração contra César se concretizou, Marco Antônio tendo ouvido algo sobre um possível assassinato, rapidamente foi avisar César, contudo os conspiradores interceptaram Marco Antônio, fazendo com que chegasse atrasado e restasse apenas a opção de fugir. Segundo Plutarco, o senador Tílio Cimbro apresentou uma petição a César para revogar o exílio imposto ao seu irmão. Os outros conspiradores se aproximaram sob o pretexto de oferecer apoio e cercaram César, que dispensou o pedido, no entanto Cimbro agarrou seu ombro e o puxou pela túnica, César se assustou com a atitude de Cimbro, achando-a violenta demais, na sequencia Casca pegou sua adaga e partiu para o pescoço de César, que conseguiu evitar o golpe pegando Casca pelo braço. Casca então gritou por socorro, sendo socorrido por todos do grupo, cerca de 60 homens incluindo Brutus, que esfaquearam César 23 vezes, mesmo após a sua queda ao chão como consequência das primeiras facadas.

    Após o assassinato de César, surgiram novas disputas pelo poder entre os liberatores e os cesarianos. Marco Antônio, um dos principais amigos de César juntamente com Otaviano (jovem adotado por César e herdeiro dele) e Lépido, se uniram formando o Segundo Triunvirato. Esta aliança em 42 a.C., proporcionou grande poder a eles, possibilitando contra atacar seu inimigos, os assassinos de César, derrotando-os. Após o término das disputas com os liberatores, Roma foi dividida entre os membros do triunvirato, Lépido ficou com a parte africana denominada de Africa, Antônio com as províncias do leste e Otaviano com a Itália, a Hispânia e a Gália. Seguiu-se então um período de tréguas e paz interna, com os governantes se dedicando as conquistas externas até o término do triunvirato em 38 a.C., que foi renovado por mais 5 anos. Marco Antônio iniciou uma campanha contra os partas, no entanto, foi derrotado em 36 a.C., em seguida saqueou a Armênia em 34 a.C. Otaviano combateu Sexto Pompeu que estava na Sicília em 36 a.C., Otaviano solicitou ajuda a Lépido que prometeu mas não enviou, cometendo assim um ato de traição e sendo forçado a se retirar o poder. Na sequencia Otaviano fez campanha na Ilíria entre 35 e 33 a.C. e após a vitória redirecionou sua atenção para Marco Antônio, iniciando uma campanha contra ele. No começo foi apenas política e após formar as alianças necessárias, evoluiu para militar. Marco Antônio fugiu para o Egito com sua amante Cleópatra VII, visando se proteger com a união entre seus exércitos. No entanto, Otaviano atacou o Egito com uma grande força que resultou em sua vitória na batalha de Ácio em 31 a.C., Marco Antônio e Cleópatra fugiram para Alexandria e se suicidaram. Com mais esta conquista para Roma, uma nova era se iniciava com a formação de um dos maiores impérios que já existiram na história de nosso Planeta.

    • O Império Romano (27 a.C.-772 d.C.):

    - O Principado (27 a.C.-284 d.C.):

    Após a morte de Marco Antônio, Otaviano passa a governar de forma absoluta e em 27 a.C. ele é proclamado Otaviano príncipe (do latim "princeps" ou "primeiro cidadão") pelo senado e pelo povo de Roma, ganhando o título de Augusto (do latim "augustus" ou "o venerado"). Iniciando a primeira época do período imperial, o Principado. Este período é marcado pelo final da guerra civil que durou quase um século, dando início a uma época de estabilidade social, prosperidade econômica e paz ("Pax Romana ou Pax Augusta"). Esta paz se manteria pelos próximos dois séculos. Neste período quase não houveram revoltas nas províncias e as que ocorreram foram rapidamente controladas, pois sendo o único no governo de Roma, Augusto possuía plenos poderes. Ele iniciou diversas reformas militares, políticas e econômicas, recebeu o poder de nomear os próprios senadores e comandar plenamente os governadores das províncias, abrindo caminho para a migração de governante para imperador.

    Otaviano Augusto (27 a.C.-14 d.C.) implementou a sucessão dinástica, criando assim a dinastia Júlio-Claudiana e sendo sucedido por Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Ele destruiu a maioria dos valores da república, criando outros com base no império, transformando Roma no centro de poder do mundo na época, que se estendia por quase todo o mundo conhecido na época. Neste período a literatura romana cresceu rapidamente, disseminando o latim por quase todo o império. Para se comparar com Júlio César, Augusto também alterou o calendário adicionando seu nome no mês de Agosto e alterando a quantidade de dias deste mês de 30 para 31, ficando assim do mesmo tamanho que o mês de Júlio. Foi construído durante seu reinado por Marco Vipsânio Agripa o famoso Panteão Romano que sobrevive até os dias atuais. Augusto morreu em 14 d.C., deixando a civilização romana em seu auge de todos os tempos.
Panteão - AVPH


    Augusto foi sucedido por Tibério Cláudio Nero César (14–37) que era filho de outro casamento da esposa de Augusto, Lívia Drusilla com Tibério Cláudio Nero. Foi durante o reinado de Tibério que Jesus foi crucificado na província romana da Palestina. Sua mãe Lívia, se divorciou do seu pai com 19 anos e grávida, se casou com Augusto Otaviano em 38 a.C. Tibério se casou mais tarde com a filha de Augusto, Júlia, a Velha, sendo adotado formalmente por Augusto em 4 d.C. Tibério chegou a sucessão graças a uma série de mortes dos possíveis sucessores que estavam na sua frente. Tibério realizou grandes conquistas na fronteira norte do império, no entanto, ele é mais lembrado como um governante obscuro, recluído e sombrio. Após a morte de seu filho, Júlio César Druso em 23, seu governo declinou e o seu reinado terminou em terror. Tibério se exilou em 26 d.C., deixando a administração de Roma nas mãos de seus 2 prefeitos pretorianos Lúcio Élio Sejano e Quinto Névio Cordo Sutório Macro, adotando seu sobrinho-neto Calígula como sucessor no trono imperial após a sua morte, que ocorreu em 37 d.C.

    Calígula ou Caio Júlio César Augusto Germânico (37–41) era o filho mais novo de Germânico que, por sua vez, era sobrinho do imperador Tibério. Germânico é considerado um dos maiores generais da história de Roma. O apelido de Calígula tem origem nas sandálias militares utilizadas na época conhecidas como cáligas, os soldados das legiões comandadas por Germânico achavam graça o filho do chefe utilizando as vestimentas militares. Calígula ficou conhecido pela sua natureza extravagante e cruel, sua administração inicial apresentou uma crescente prosperidade e gestão impecável, entretanto, uma grave doença pela qual passou, transformou seu jeito de reinar. nos seus últimos anos de vida esteve envolvido numa série de escândalos, cometeu incesto com suas irmãs, matou alguns homens apenas por diversão e nomeou um cavalo para governar um consulado. No ano 41 ele foi assassinado por pretorianos e senadores, liderados pelo prefeito do pretório Cássio Quereia. No mesmo dia em que foi assassinado, o seu tio Cláudio foi declarado imperador pelos pretorianos. Uma das primeiras ações de Cláudio como imperador foi ordenar a execução dos assassinos do seu sobrinho.

    Cláudio ou Tibério Cláudio César Augusto Germânico (41–54) é nascido na atual Lyon, na Gália, foi o primeiro imperador romano nascido fora da península Itálica. Cláudio dedicou a maior parte de sua vida aos estudos e se destacou em matérias como matemática, gramática, geometria e história. Aprendeu medicina, grego e etrusco, mantendo-se longe da política até que seu sobrinho Calígula, o nomeou como cônsul e senador. Após a morte de Calígula, Cláudio era o único homem adulto da sua família na linha sucessória, por este motivo e por sua aparência fraca e inexperiência política, a guarda pretoriana o proclamou imperador, com a intensão de pensando talvez que seria um títere fácil de controlá-lo facilmente. O seu governo foi de grande prosperidade administrativa e militar, ele expandiu as fronteiras do Império Romano, conquistando a Britânia, a Lícia e a Trácia. A conquista da Britânia foi um marco para seu governo, pois era um objetivo buscado a muito tempo e era também muito atrativo devido às suas riquezas naturais. Cláudio foi pessoalmente a Britânia levando consigo reforços militares e entre eles, elefantes de guerra, elevando enormemente seu carisma entre os legionários, os elefantes causaram grande pavor nos britânicos. Cláudio foi assassinado por envenenamento no ano 54, aos 64 anos de idade, possivelmente por sua esposa Agripina, que desejava se livrar dele e tornar o filho Nero imperador.

    Nero Cláudio César Augusto Germânico (54–68) era sobrinho de Cláudio e foi adotado por ele como seu sucessor. Seu governo foi focado principalmente na diplomacia e no comércio, ele ordenou a construção de diversos teatros e promoveu jogos e provas atléticas. Apresentou um grande sucesso diplomático e militar contra o Império Parta, a uma revolta dos britânicos, bem como uma melhora das relações com Grécia. No entanto, seu reinado é associado à tirania e à extravagância, foi responsável por uma série de execuções, incluindo a da sua própria mãe e de seu meio-irmão Britânico, foi um implacável perseguidor dos cristãos e possivelmente o responsável pelo grande incêndio de Roma, até que no ano de 68 ocorreu um golpe de estado que envolveu vários governadores romanos e acuado Nero cometeu o suicídio. Com a sua morte desapareceu a dinastia Júlio-Claudiana e o império submergiu em disputas e guerras civis que ficaram conhecidas como o ano dos 4 imperadores.

    O ano de 69 ficou conhecido como o dos 4 imperadores, por que após a morte de Nero, ocorreu uma rápida sequencia de falecimentos dos sucessores ao trono. Sérvio Sulpício Galba (68-69) foi governador da Germânia e procônsul da África, após a morte de Nero ele foi proclamado imperador e marchou sobre Roma com o apoio de Otão, obtendo o reconhecimento tanto do senado quanto dos pretorianos. No entanto, perdeu todos os seus apoiadores devido à decisões políticas austeras. Otão por não ter sido nomeado sucessor retirou seu apoio e iniciou um complô contra o imperador Galba, que culminou após apenas 7 meses de governo, no assassinato de Galba, deixando o Império em uma guerra civil. Marco Sálvio Otão (69) foi imperador romano por apenas 3 meses até o seu suicídio após a derrota em batalha por Vitélio. Aulo Vitélio Germânico (69) foi imperador romano durante apenas 8 meses, foi aclamado imperador pelas legiões romanas da Germânia, atacou e venceu as tropas de Otão na Primeira Batalha de Bedriaco, entretanto, foi derrotado pelos exércitos de Vespasiano na Segunda Batalha de Bedriaco.

    Os exércitos das províncias do Egito e Judeia proclamaram Vespasiano ou Tito Flávio Sabino Vespasiano (69–79) como imperador, que foi proclamado imperador pelos seus próprios soldados em Alexandria, dando início a curta dinastia Flaviana. A caminho do trono imperial, Vespasiano se aliou ao governador da província da Síria, Caio Licínio Muciano, que ajudou Vespasiano a derrotar Vitélio. Vespasiano criou ambiciosos projetos de construção, como o grandioso Anfiteatro Flávio, conhecido popularmente como Coliseu Romano. O período de seu governo ficou marcado por uma administração econômica e eficaz na capital e nas províncias do império. Vespasiano faleceu em 79 vítima de uma doença e foi sucedido no trono pelo seu filho mais velho, Tito. Tito Flávio Vespasiano Augusto (79-81) ganhou enorme reputação em Roma após ter derrotado os judeus, sitiando e destruindo Jerusalém no ano 70, colocando fogo e demolido o templo da cidade. Seu governo apesar de curto foi de grande popularidade, sendo considerado um bom imperador por vários historiadores. Durante seu reinado ocorreram dois eventos catastróficos, o primeiro foi a erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 que destruiu as cidades de Pompeia e Herculano e o segundo foi o grande incêndio de Roma do ano 80, os quais ele enfrentou com grande grande generosidade, oferendo ajuda e atenção as vítimas. Outro grande marco de de seu governo foi a inauguração da obra de seu pai, o anfiteatro Flávio, mais conhecido como Coliseu Romano, embora o mesmo ainda estivesse incompleto. Tito faleceu donte com elevada febre no ano 81 e foi sucedido pelo seu irmão menor, Domiciano. Tito Flávio Domiciano (81-96) foi proclamado imperador pela guarda pretoriana de forma pacifica, logo após a morte de seu irmão. Seu reinado ficou conhecido como autocrata, despiedado e eficiente, com programas pacíficos, culturais e econômicos que resultaram em prosperidade para os séculos seguintes de Roma. Sua morte por assassinato resultante de uma conspiração palaciana, representou o final da dinastia Flaviana e o começo da dinastia Antonina.

Roma - AVPH

    Após a morte de Domiciano em 96, o senado no dia seguinte elegeu um de seus mais renomados membros, Nerva, como imperador. Marco Coceio Nerva (96-98) é considerado pelos historiadores como um imperador sábio, moderado, interessado na economia e que procurava resolver os problemas financeiros de Roma. Entretanto, possuía uma falta de habilidade para tratar com as tropas, fato este que gerou uma rebelião da guarda pretoriana no ano de 97, que o forçou a adotar o popular Trajano como herdeiro e sucessor. Ele e seus 4 sucessores são considerados os "5 bons imperadores" de Roma. A adoção de Trajano como herdeiro finalizou com a tradição dos imperadores anteriores, que sempre nomeavam algum filho, parente ou filho adotivo. Nerva sofreu um ataque cerebrovascular seguido de febres e faleceu em sua casa no ano de 98. Foi sucedido por Marco Úlpio Nerva Trajano (98-117) cuja administração levou o Império Romano a atingir sua maior extensão territorial de toda a história, devido a novas conquistas no leste sob os impérios Parta que abrangia a Armênia, Assíria e Mesopotâmia e os Dácios da atual Romênia. É também lembrado pelos seus programas de obras públicas, governo liberal e as políticas sociais. Trajano adotou seu sobrinho Adriano, para sucedê-lo após sua morte que ocorreu no ano de 117. Públio Élio Trajano Adriano (117-138) foi considerado um dos chamados "5 bons imperadores", reformou o Panteão e construiu o Templo de Vênus e Roma. Adriano viajou para quase todas as províncias do Império Romano, gostava principalmente da Grécia e a sua cultura. Verificando que após Trajano o império romana se tornou gigantesco, Adriano deixou as expansões de lado e se preocupou em manter e consolidar as defesas dos territórios conquistados. Realizou diversos acordos diplomáticos, construiu fortificações na Germânia e a famosa Muralha de Adriano na Inglaterra no de 122, que marcou durante séculos a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia. Adriano havia escolhido como sucessor o grego Lúcio Élio Vero, contudo este faleceu. Adriano adotou o senador T. Aurélio Fúlvio Boiônio Antonino, sob a condição de que este adotasse um parente distante de Adriano, o jovem Marco Ânio Vero e Élio Vero, que era filho de Lúcio Élio Vero. Adriano morreu em Roma no ano de 138.

    Tito Aurélio Fúlvio Boiônio Ário Antonino Pio (138-161) foi o quarto dos “cinco bons imperadores”, seu governo foi um dos mais duradouros, sendo menor apenas que o de Augusto, era baseado em uma política de austeridade, sem grandes edificações ou conquistas militares, apenas uma pequena expansão no norte da Britânia resultando na construção da Muralha de Antonino um pouco mais ao norte que a Muralha de Adriano. Antonino faleceu de febres no ano de 161. César Marco Aurélio Antonino Augusto (161–180) ascendeu ao trono conforme acordado com Adriano, seu reinado foi marcado por guerras no oriente com os partas e no norte com os germanos. É considerado o último dos "cinco bons imperadores" e lembrado como um governante bem-sucedido e culto. Vero casou-se com uma das filhas de Marco Aurélio e foi eleito co-imperador e auxiliando o imperador em diversos conflitos, permanecendo leal até sua morte no ano 169 em batalha. Marco Aurélio faleceu no ano 180 em uma expedição contra os marcomanos, deixando seu filho Cómodo como herdeiro. Lúcio Aurélio Cómodo (180-192) que contrariando a política do pai, encerrou as guerras e negociou a paz com germanos. No entanto, seu reinado foi marcado pela incapacidade de exercício do poder e excesso de violência, iniciando o período de declínio do império Romano. Cómodo foi estrangulado durante o banho no ano de 192, sua morte deu início a um período de grande instabilidade política em Roma.

    Públio Hélvio Pertinax (193) foi proclamado imperador romano na manhã seguinte ao assassinato de Cómodo, dando início à crise que ficou conhecida como "ano dos cinco imperadores". Seu curto reinado durou apenas 86 dias, devido diversos conflitos com a guarda pretoriana, foi assassinado quando um grupo de soldados descontentes que haviam recebido apenas metade do pagamento prometido, invadiram o palácio e mataram Pertinax. Marco Dídio Severo Juliano (193) decidiu candidatar-se ao posto de imperador e correu ao quartel da guarda pretoriana para oferecer aos soldados uma generosa quantia em dinheiro para obter a fidelidade deles em sua candidatura a imperador. Contudo Tito Flávio Sulpiciano teve a mesma ideia e havia chegado primeiro ao quartel, dessa forma foi iniciado um leilão, para ver quem pagaria mais pelo apoio da guarda pretoriana e que seria proclamado imperador. Dídio Juliano ofereceu 50 mil sestércios a cada soldado vencendo o leilão e marcando o seu governo como um dos mais corruptos e de caráter corrompido da história. Diante dessa vergonhosa atitude não demorou para que ocorressem revoltas, o governador da Síria Pescênio Níger e Septímio Severo da Panônia Superior se auto proclamaram "imperadores", iniciando marcha contra Dídio Juliano. Desesperado o imperador tentou todas as medidas possíveis contra Septímio Severo decretando-o inimigo público, juntou todas os soldados aliados e até elefantes que eram usados nos circos foram enviados para batalha visando colocar medo nas tropas inimigas. Mas nada adiantou, Severo enviou mensagem à guarda pretoriana, garantindo-lhes a vida se entregassem os assassinos de Pertinax e se não participassem da batalha. Os pretorianos aceitaram a proposta de Severo, abandonando Dídio Juliano, que até estava atrasado com os pagamentos do suborno. O cônsul Silio Messala convocou os senadores, os quais decidiram depor Dídio Juliano e eleger Septímio Severo como novo imperador, em seguida Dídio Juliano foi assassinado após governar por apenas pouco mais de 2 meses.

    Lúcio Septímio Severo (193-211) foi o primeiro cidadão nascido em uma província, sem ascendentes romanos, a se tornar imperador. Após assumir o poder teve que enfrentar guerras civis com Pescênio Níger na Síria e com Clódio Albino na Gália, contudo conseguiu vencer com facilidade os conflitos fundando uma dinastia que continuou com seus filhos. Seu reinado foi marcado pelo caráter militar, adotando leis que garantissem diversas melhorias para os soldados e travando uma série de campanhas de sucesso contra o Império Parta. Preocupado com a instabilidade mental de seu filho mais velho Caracala, Septímio tornou seu filho mais novo Geta o segundo em comando e sucessor. Públio Séptimio Geta (211) compartilhou o poder com seu pai desde de 209 e com seu irmão o império por apenas 10 meses, quando foi assassinado por ordem de seu irmão. Marco Aurélio Antonino ou Caracala (211–217) ficou caracterizado como imperador guerreiro, sua força como imperador provinha da habilidade com que conquistava a fidelidade dos soldados, compartilhando dos seus trabalhos braçais, chegando a moer em público a farinha para fazer seu pão de campanha. Contudo, sua política militar agressiva, à elevação dos soldos e a uma política de obras públicas ambiciosa, exigia elevados gastos, que a economia do Império Romano não podia suportar. Aliados a sua instabilidade mental, o tratamento brutal aos seus adversários e sua política fiscal muito severa, culminaram em seu assassinato no ano de 217 por uma conspiração planejada por seu prefeito pretoriano, Macrino.

    Marco Opélio Macrino (217-218) foi imperador romano por apenas 14 meses, proclamou-se imperador após assassinar Caracala, contudo tornou-se impopular rapidamente com o povo, com o senado e com os soldados após diminuir o soldo dos recrutas. Foi vítima de um golpe militar no ano de 218, enquanto tentavam fugir, após uma derrota. Júlia Mesa que era tia materna de Caracala, instigou uma revolta na 3ª Legião para que seu neto mais velho, Heliogábalo, fosse declarado imperador. Macrino foi derrotado na Batalha de Antioquia, depois da qual Heliogábalo ou Sexto Vário Avito Bassiano ou ainda Marco Aurélio Antonino (218-222) após se tornar imperador, com apenas 14 anos de idade, recebeu o poder imperial, iniciando um governo caracterizado por escândalos sexuais e controvérsias religiosas. Vislumbrando uma crescente oposição, sua avó Júlia Mesa e membros da guarda pretoriana, iniciaram outra conspiração no ano de 222, quando Heliogábalo com apenas 18 anos, foi assassinado e substituído pelo seu primo Alexandre Severo. Marco Aurélio Severo Alexandre (222-235) foi o último dos imperadores da dinastia dos Severos, iniciou guerra contra muitos inimigos ao mesmo tempo, como a Pérsia e povos alemães que haviam invadido a Gália, acumulando diversas batalhas perdidas. Seus soldados da XXII legião Primigenia se tornaram insatisfeitos e o assassinaram durante um motim na campanha alemã.

    Gaio Júlio Vero Maximino ou Maximino Trácio I (235-238) assassinou o imperador Alexandre Severo na Germânia Inferior e assumiu seu trono, ficando conhecido como o primeiro bárbaro que se tornou imperador romano e o primeiro imperador que nunca esteve na cidade de Roma. Seu governo é considerado o início da crise do terceiro século e o ano dos 6 imperadores (ano de 238). E ele ficou também famoso por ser o primeiro dos imperadores soldados do século III. Marco Antônio Gordiano ou Gordiano I (238) que foi nomeado imperador pelos africanos durante uma sublevação contra Maximino Trácio, governou por apenas 3 semanas juntamente com seu filho Marco Antônio Gordiano ou Gordiano II (238). Eles invadiram e tomaram o controle da cidade de Cartago saindo vitoriosos e conquistando a aprovação da população e dos líderes políticos locais. Em Roma o prefeito pretoriano de Maximus foi assassinado e a rebelião havia saído vitoriosa, o senado havia confirmado o novo imperador e a maioria das províncias haviam ficado contentes. Entretanto, surgiu a oposição de Capeliano, governador da Numídia e apoiador leal de Maximino Trácio, que invadiu a província da África com apenas uma legião e outras unidades veteranas. Gordiano II liderava uma milícia armada e não treinada, perdeu a Batalha de Cartago e foi assassinado e Gordiano I se suicidou enforcado com uma correia.

    Marco Clódio Pupieno Máximo (238) governou juntamente com Decio Caelio Calvino Balbino (238), foram eleitos imperadores pelo senado de Roma, após a morte de Gordiano I e de Gordiano II, para se opor a Maximino Trácio. Maximino Trácio sitiou Roma, contudo durante o cerco, as condições pioraram o Maximino Trácio, seu filho e seus administradores foram assassinados por soldados revoltados. No entanto a Guarda Pretoriana o assassinou também os dois governantes Pupieno e Balbino, ofendida pelo Senado e desejosa em ter uma pessoa sob controle deles no governo. Marco António Gordiano ou Gordiano III (238-244) era neto de Gordiano I e com a morte de todos os rivais ascendeu ao trono facilmente e com a ajuda de seus conselheiros continuaram a política de seu avô Gordiano I. Gordiano III foi derrotado e morto na Batalha de Misiche em 244 sendo sucedido por Filipe, o Árabe ou Marco Júlio Filipe (244-249). Filipe manteve boas relações com o senado e reafirmou as antigas virtudes e tradições romanas. Filipe foi vencido em batalha próximo de Verona, norte da Itália e morto após uma rebelião liderada por seu sucessor Décio. Caio Méssio Quinto Trajano Décio (249-251) verificou o poder crescente dos cristãos com as igrejas cheias de seguidores e os templos pagãos vazios, se determinou a reverter a situação, construindo templos pagãos, reforçando os cultos e sacrifícios em todo o império. Empreendeu a 8ª perseguição geral contra o cristianismo, com o Papa Fabiano sendo um dos primeiros a sofrer o martírio. Décio lutou contra os Godos que haviam invadido a província da Mésia Inferior (atual Bulgária) na Batalha de Abrito, na qual ele e seu filho foram derrotados e mortos. Foi o primeiro imperador a ser morto por um exército bárbaro.

    Caio Víbio Treboniano Galo (251-253) era governador da Mésia e assumiu o poder quando Décio morreu, continuou lutando contra os Godos e retornou a Roma. Emiliano passou a governar a província e a conduzir a guerra contra os Godos e com suas sucessivas vitórias, conseguindo inclusive invadindo o território inimigo, restaurou o ânimo das tropas que o proclamaram imperador. Marco Emílio Emiliano (253) retornou a Roma e enfrentou Treboniano Galo, que foi assassinado pelos seus próprios soldados. Valeriano, governador das províncias do Reno superior, parte para a Itália com um poderoso exército a fim de ajudar Treboniano, e com a notícia da morte dele, seus soldados o proclamam imperador. Cientes da superioridade das forças de Valeriano, os soldados de Emiliano resolvem assassiná-lo, de maneira similar ao destino de seu antecessor. Públio Licínio Valeriano (253—260) pertencia ao patriciado romano e assumiu o império dividindo-o com seu filho Galiano. Valeriano foi para o oriente combater o Império Sassânida, foi derrotado e capturado pelo soberano Sassânida Sapor I, morrendo no cativeiro no ano de 260. Públio Licínio Inácio Galiano (260-268) assume o poder imperial numa época de grande crise, obteve diversos sucessos e derrotas militares em quase toda a extensão do reino, devido a diversas invasões bárbaras e revoltas oportunistas em diversas províncias. Galiano morreu assassinado no ano de 268, em um episódio obscuro para o qual se suspeita da participação de seus generais, os quais premeditadamente já tinham escolhido Cláudio II como sucessor.

    Marco Aurélio Valério Cláudio ou Cláudio II "o Gótico" (268-270) era antepassado de Constantino I e sua primeira realização foi derrotar o general rebelde Auréolo e condená-lo a morte. Venceu uma grande batalha, derrotando o exército godo que lhe rendeu o título de "o Gótico". Após diversas vitórias militares, morreu de peste no ano de 270 em Sirmio na província Sérvia de Voivodina. Marcos Aurélio Claudio Quintilo Augusto ou Quintilo (270) era irmão do imperador Cláudio II, assumiu o trono logo após a morte do irmão, entretanto, governou apenas durante alguns meses, pois Aureliano, antigo general de Cláudio, estava comandando as tropas nas províncias balcânicas e enfrentava repetidas invasões das tribos germânicas que tentavam cruzar o Danúbio. Perante diversas vitórias importantes, foi proclamado imperador pelas tropas de Panônia e iniciou marcha para destronar Quintilo que cometeu suicídio ao ver se derrotado.

    Lúcio Domício Aureliano (270-275) era um excelente comandante de tropas e estrategista, ficou marcado como o imperador soldado "restaurador do império", pois seu governo foi baseado em campanhas militares por todo reino, onde obteve diversas vitórias sobre os povos bárbaros como Godos, Francos, Alamanos, Gauleses, bem como reprimiu diversas revoltas internas, retomando os territórios perdidos durante os últimos séculos. Foi morto por um de seus escravos no ano de 275. Marco Cláudio Tácito (275-276) era um senador de idade elevada e foi eleito imperador pelo senado por exigência do exército, após 10 meses de governo foi assassinado pela guarda pretoriana. Marco Ânio Floriano (276) era irmão de Marco Cláudio Tácito, ele foi escolhido pelo exército para suceder Tácito, sem a aprovação do senado. Nos exércitos do oriente Probo foi eleito como imperador e os 2 imperadores partiram para o confronto se encontrando na Cilícia. Floriano contava com um exército maior, apoiado pelas províncias da Itália, Gália, Hispânia, Britânia, África Proconsular e Mauritânia, enquanto Probo era mais experiente como general. Probo evitou o confronto direto no início e reuniu forças, quando obteve superioridade numérica, os soldados de Floriano acabaram assassinando-o.

    Marco Aurélio Probo (276-282) chegou ao poder através de carreira militar, governou sob constantes agitações tanto militares nas províncias devido a invasões e revoltas, quanto política devido atritos com o Senado. Obteve diversas vitórias sob os bárbaros, contudo após comemorar uma de suas conquistas em Roma no ano de 282, retornou para o Danúbio, onde foi assassinado pelas próprias tropas. Marco Aurélio Caro (282-283) era prefeito da guarda pretoriana eleito pelo imperador Probo, após a sua morte ascendeu ao trono e seguiu o caminho da restauração da força do império, iniciado por Aureliano e Probo durante seu curto reinado, auxiliado por seus filhos Carino e Numeriano, garantindo alguma estabilidade ao império ressurgente. Obteve uma vitória há muito tempo esperada sobre o Império Sassânida, contudo faleceu logo após a batalha, por morte natural ou devido algum ferimento da batalha. Foi sucedido pelos seus filhos Marco Aurélio Carino Augusto (283-285) e Marco Aurélio Numeriano (283-284), que dividiram não-oficialmente o império entre Ocidente e Oriente. Carino ficou governando a parte ocidental e Numeriano a parte oriental. Após a morte de Caro, Numeriano volta para Roma e durante a viagem é morto, entretanto os exércitos romanos orientais não aceitaram Carino como sucessor de Numeriano e elegeram Diocles como imperador. Carino teve que enfrentar um general rebelde Marco Aurélio Sabino Juliano governador do Vêneto, após essa vitória Carino incorpora as tropas vencidas e decide enfrentar Diocleciano. Os dois exércitos se enfrentaram em Margo no Danúbio, onde Carino começava a obter a vitória, no entanto, foi assassinado por um de seus oficiais, resultando no final do conflito e a união dos exércitos sob o comando de Diocleciano.

    - O Dominato (284-772):

    Caio Aurélio Valério Diocleciano (284-305) instaurou o Dominato em Roma, isto é, uma monarquia despótica e militar de influencia helenística, onde o príncipe se transforma em senhor ou "dominus", governante absoluto "senhor e deus" acima de todos, que eram obrigados a se ajoelhar e beijar a ponta do manto real. Com isso o principado romano chega ao fim, os militares passam a ter mais importância que os civis e a nobreza burocrática mais importância que o senado. Diocleciano ascendeu socialmente pela via militar e se tornou comandante de cavalaria do imperador Caro, foi aclamado imperador pelas tropas após as mortes de Caro e Numeriano. Seu reinado ficou marcado pelo fim da Crise do terceiro século. Diocleciano indicou Maximiano, que era um colega militar oficial, para o cargo de co-imperador "Augusto" no ano de 285 e no ano de 293 indicou Galério e Constâncio como co-imperadores "césares", governantes de menor poder. Esses 4 governantes ou "Tetrarquia", conduziram o um governo conjunto dividindo o império em 4 partes, contudo era Diocleciano quem conduzia os principais eventos, como negociações militares, tratados diplomáticos e questões políticas. Esse sistema foi bem-sucedido, porém no ano de 305 Diocleciano enfraquecido por motivo de doença, abandonou o palácio imperial e se tornou o primeiro imperador romano a abdicar voluntariamente do trono. Se iniciou uma disputa de sucessão entre Magêncio, filho de Maximiano e Constantino, filho de Constâncio. Diocleciano viveu seus últimos anos em seu palácio na Dalmácia, cuidando de suas hortas e jardins. Durante este período ocorreu também a maior e mais sangrenta perseguição oficial ao cristianismo.

    Após a abdicação de Diocleciano juntamente com Maximiano em 305, o império ficou sob o governo Constâncio Cloro e Galério, e como novo césar, foi eleito Severo. Após 15 meses de ter se tornado imperador, Constâncio Cloro morreu e seu filho Constantino I foi eleito pelo exército de Iorque como augusto e imperador. Galério que pretendia se tornar imperador sozinho após a morte de Constâncio, foi obrigado a conceder a Constantino o título de césar e elevar Severo como augusto com o controle da província da Itália. Magêncio, iniciou uma revolta em Roma e forçou Severo a se suicidar. No ano de 306, Magêncio se declara imperador e ascende ao trono romano e em 307, chama seu pai para o ajudar no golpe e auxiliar no governo. Maximiano vai em apoio ao filho e tenta formar uma aliança com Constantino na Gália, dando sua filha Fausta em casamento no ano de 307. Galério, ao receber a notícia da morte de Severo, tentar invadir a Itália, mas fracassa e é obrigado a recuar, em busca de apoio, ele nomeia Licínio como Augusto da província da Ilíria no ano de 308 e Caio Valério Galério Maximino como "Filho do Augusto". No entanto, todas as negociações falham e Magêncio acaba brigando com seu pai Maximiano, a guarda pretoriana decidiu apoiar o filho, expulsando Maximiano para o sul da Gália. Constantino I marchou contra Maximiano e o derrotou fazendo-o acabar com a própria vida no ano de 309. Galério reconhece Constantino formalmente como Augusto em 310 e morreu em seu palácio em Nicomédia no ano de 311, após a sua morte, Maximino dividiu o império do oriente entre ele e Licínio. Constantino I se aproximou politicamente de Licínio, em contra partida Maximino se aproximou politicamente de Magêncio. Em 313 Maximino declara guerra contra Licínio e convoca um exército de 70.000 homens para atacá-lo, contudo sofreu uma grande derrota na batalha de Tzíralo, tendo que fugir para Tarso onde é morto.

    Em 312, Constantino I (306-337) invade a Itália, cruza os alpes e mesmo contando com uma força menor, ele vence a grande maioria das batalhas se utilizando das sábias estratégias militares. Ao chegar próximo a Roma Magêncio enfrenta-o pessoalmente com todo o seu exército Batalha da Ponte Mílvia, ao norte de Roma. Constantino I verificando que suas forças eram inferiores as de Magêncio, cria uma estratégia que o colocaria na História como o primeiro imperador romano cristão, pois o contingente de cristãos perseguidos próximo a Roma era gigantesco e eles estavam desejosos e ver o cristianismo prosperar. Aproveitando dessa situação, Constantino I se converte ao cristianismo a tornando a religião do estado, agregando assim todos os cristãos combatentes ao seu exército. Dessa forma, as forças de Constantino I derrotaram as de Magêncio, que foram obrigadas a recuar pelo rio Tibre, no caos da fuga, Magêncio caiu no rio e se afogou. Seu corpo foi exibido em Roma como prova da vitória de Constantino I, que em seguida aboliu definitivamente a guarda pretoriana que apoiava fortemente Magêncio. O comando do império ficou dividido entre Constantino I no ocidente e Licínio no oriente, no entanto ambos desejavam o poder absoluto. Licínio expulsou os funcionários cristãos da sua corte, criando um pretexto para Constantino I atacá-lo, quando Constantino I solicitou permissão para entrar no Império do Oriente durante uma campanha contra os sármatas e Licínio negou, iniciou o conflito que acabaria com a derrotar de Licínio e a unificação do império sob o comando do imperador único Constantino I "o Grande" em 324. Para resolver os problemas de elevada distância entre a capital Roma e as principais frentes militares, Constantino I reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio em 330, criando a Nova Roma que ficou mais conhecida como Constantinopla ou "Cidade de Constantino". Constantino I morreu no ano de 337, deixando império sob o comando de seus 3 filhos Constantino II, Constante I e Constâncio II.

    O Império Romano foi dividido em 3 regiões administrativas, Constantino II (337-340) que era o mais velho, governou a parte Ocidental (composta da Hispânia e da Gália), Constâncio II (337-361) que era o segundo filho, governou o Império Romano do Oriente em Constantinopla e Constante I (337-350) que era o terceiro filho, governou a parte central (composta da Itália e da Ilíria). Constantino II morreu em 340, Constante foi derrubado e morto em 350 pelo usurpador Magnêncio, tornando Constâncio II o único imperador legítimo. No mesmo ano Vetrânio proclamou-se imperador sendo reconhecido pelas do Danúbio. Constâncio II reconheceu Vetrânio como co-imperador na tentativa de jogar um usurpador contra o outro, contudo Magnêncio e Vetrânio montaram uma aliança. Magnêncio tenta também desenvolver uma aliança com Constâncio II propondo um esquema de casamentos, entretanto Constâncio II não aceitou e partiu para a guerra civil. Constâncio II foi para Sérdica encontrar Vetrânio com intenção oficial de reconhecer a existência de 2 imperadores legítimos, mas no instante final da declaração pública para as tropas, efetua um discurso no qual diz ser filho do grande Constantino digno de reger o império sozinho, sendo aclamado pelas tropas. Vetrânio entendendo que havia sido enganado e que não havia outra opção, renunciou ao cargo, tirou a coroa da cabeça e se ajoelhou reconhecendo Constâncio II como único imperador. Constâncio II partiu para enfrentar Magnêncio, para conduzir o oriente na sua ausência, Constâncio II convocou Constâncio Galo, promoveu ele o a césar no ano de 351 e para reforçar os laços, permitiu que ele se casasse com sua irmã Constantina. No início do confronto entre Constâncio II e Magnêncio, as tropas de Magnêncio venceram a maioria das batalhas, expulsando o exército de Constâncio II dos Alpes e conquistando algumas regiões vizinhas.

    Constâncio II transformou a guerra civil em uma "guerra santa" ao anunciar ter recebido sinais divinos apoiando sua causa. Na batalha decisiva de Mursa Maior o cenário se inverteu com a vitória de Constâncio II devido a traição da cavalaria de Magnêncio, nesta batalha perda de ambos os lados foi enorme. Em 353 Magnêncio é totalmente derrotado por Constâncio II. Constâncio Galo é condenado a morte devido má conduta no governo no ano de 354. Em 355 Cláudio Silvano, antigo general de Magnêncio, se proclama imperador pelas tropas gaulesas, levando Constâncio II reagir imediatamente, iniciando com ações diplomáticas que promoviam Cláudio Silvano há um elevado cargo militar, contudo as negociações falharam e Cláudio Silvano foi assassinado. Como Constâncio II não tinha filhos, resolveu nomear um de seus parentes mais próximos, Flávio Cláudio Juliano irmão de Constâncio Galo para ser seu segundo em comando, casando-o com sua outra irmã Helena. Em 360 Sapor II regente sassânida reiniciou as hostilidades invadindo e conquistando territórios romanos do oriente e Constâncio II parte em defesa do oriente e solicita apoio de tropas gaulesas a Juliano, no entanto, as tropas gaulesas se revoltam em ter que ir até o oriente lutar e proclamam Juliano de "Augusto", iniciando uma nova guerra civil. Constâncio II decide que a prioridade maior é no oriente e deixa a revolta para depois, contudo no ano de 361 Constâncio morre de febre.

    Flávio Cláudio Juliano (361-363) ficou conhecido como o último imperador pagão do mundo romano, pois nesta época o cristianismo já representava a maioria religiosa no império e Juliano colocava sua crença no paganismo sob a proteção de Zeus e Hélio, criando a “restauração pagã”. Juliano morreu no ano de 363 com apenas 20 meses de governo absoluto, em batalha contra os sassânidas. Joviano que era um dos guarda-costas de Juliano e o acompanhava na expedição, foi eleito pelos soldados como imperador. Flávio Joviano (363-364) para sobreviver a batalha com Sapor II, efetuou um tratado de paz que foi considerado vergonhoso, pois cedia grandes partes do Império Romano para o inimigo, algo que nunca havia ocorrido antes desde a fundação de Roma (1118 anos antes). A prioridade de Joviano era retornar há uma das capitais do império para assegurar sua coroação, contudo marchando de volta Joviano morreu de forma inexplicada. Ele foi sucedido por Flávio Valentiniano I (364-375), que foi proclamado imperador pelo exército romano em Niceia logo após a morte de Joviano. Seu governo ficou caracterizado como justo e tolerante, após a sua morte seus 2 filhos Flávio Graciano Augusto (375-383) e Valentiniano II (375-392) governaram juntos, contudo inicialmente Valentiniano II tinha apenas 4 anos quando ascendeu ao trono, sendo o império praticamente governado por Graciano. Ele apoiou fortemente a religião cristã e foi contra o paganismo, recusou os atributos pagãos dos imperadores, tirou o Altar da Vitória do senado, confiscou as rendas dos pagãos, proibiu as doações de propriedades para às Vestais e aboliu os privilégios dos sacerdotes e sacerdotisas pagãos. Graciano foi morto em 383 por um dos generais do Magno Clemente Máximo, o usurpador conde da Britânia que estava liderando uma revolta e se intitulando imperador da Britânia. No ano de 387, Magno Máximo cruzou os Alpes chegando a ameaçar Milão. O imperador Valentiniano II e sua mãe procuraram refúgio no oriente na corte de Teodósio I, que se casou com Gala, irmã de Valentiniano. No ano seguinte, Magno Máximo foi derrotado por Teodósio, quando estava prestes a conquistar a Itália. Teodósio restaurou o trono do ocidente a Valentiniano II, contudo no ano de 392, Valentiniano II foi encontrado morto em Vienne, na Gália.

    Teodósio I (379-395) havia sido nomeado co-imperador do Império Romano do Oriente no ano de 378 pelo imperador Graciano e após a morte de Valentiniano II, Flávio Eugênio é aclamado imperador do ocidente. Teodósio I não aceita a legitimidade de Eugênio e proclama seu filho Honório como Augusto do Ocidente. Iniciando outra guerra civil romana no ano de 394, onde Teodósio I ataca Eugênio na batalha do Frígido sofrendo uma derrota inicial, sendo posteriormente revertida a situação, com vitória de Teodósio I na batalha final e a consecutiva execução de Eugênio. Teodósio I se torna o último governador dos impérios do ocidente e oriente, pois após a sua morte, as duas partes do Império Romano se dividiram, em Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. Ele tornou o catolicismo a religião oficial do Império romano e morreu em Milão vítima de um edema vascular no ano de 395. Após a sua morte, seus filhos Flávio Honório (395-423) assume o trono imperial do ocidente e Flávio Arcádio (395-408) assume o trono imperial do oriente. Durante este período se iniciam as invasões bárbaras, sendo compostas principalmente pelos povos Godos, Visigodos, Ostrogodos, Vândalos, Anglos, entre outros. Estas invasões tiveram início devido a vários fatores sendo o principal, uma reação às incursões dos Hunos, que saqueavam e matavam quase todos os povos que estavam em seu caminho. Ocorreu também o saque de Roma pelos visigodos no ano de 410, que se tornou um dos eventos mais desastrosos da história de Roma, iniciando o período de enfraquecimento e declínio final do Império Romano do Ocidente. Flávio Arcádio se tornou o primeiro Imperador bizantino com a capital em Constantinopla, vindo a morrer no ano de 408 sendo sucedido por Teodósio II. Flávio Honório morreu de Hidropisia no ano de 423 sendo sucedido por Valentiniano III.

    • A Queda do Império Romano do Ocidente (476):.

    Flávio Teodósio ou Teodósio II (408-450) foi o segundo imperador bizantino ou do império romano do oriente, seu governo foi marcado pelas guerras com os vândalos, persas e hunos. Flávio Placido Valentiniano ou Valentiniano III (424-455) reinou durante a fase da decadência do império romano do ocidente, com uma forte dependência da ajuda de Teodósio II que governava o oriente. Perdeu a Bretanha e foi invadido pelos Vândalos e Hunos, a África romana foi conquistada pelos Vândalos no ano de 439, os imperadores do ocidente e do oriente enviaram forças conjuntas para a Sicília, na tentativa de contra-atacar os vândalos em Cartago e retomar a África, contudo perderam a guerra. No ano de 449 os Hunos comandados por Átila invadem a Itália, até que se deteve no rio Pó, onde recebeu uma delegação romana formada pelo prefeito Trigécio, pelo cônsul Avieno e pelo Papa Leão I, que o convenceram a sessar as hostilidades e retornar. Teodósio II morreu no ano de 450, vítima de um acidente durante uma cavalgada, ele foi sucedido por uma irmã Pulquéria que se casou com o general Marciano, tornando-o imperador. No ano de 455 Valentiniano III é assassinado por soldados da guarda pretoriana envolvidos em uma conspiração, ele foi sucedido por Petrônio Máximo (455) que provavelmente participou do assassinato de Valentiniano III, ele governou por apenas 2 meses e acabou fugindo de Roma com medo de Genserico, o rei vândalo de Cartago, que ameaçou invadir roma e durante a fuga foi preso e linchado pelo povo de Roma.

    Epárcio Ávito Augusto (455-456) foi aclamado por uma assembleia de senadores e soldados, recebeu a aprovação do Imperador Romano do Oriente Marciano e foi proclamado Imperador Romano do Ocidente. Uma grande fome em Roma despencou sua popularidade, iniciando uma revolta popular. Avito fugiu de Roma reuniu algumas tropas e tentou retomar Roma, contudo foi derrotado novamente, foi obrigado a renunciar o trono e seguir na carreira religiosa, sendo assassinado algum tempo depois. Ele foi sucedido por Flávio Júlio Valério Majoriano (457-461), nomeado pelo imperador romano do Oriente. No entanto, seu reinado foi curto, pois ele morreu lutando contra os Alanos. Ascendeu ao trono Líbio Severo (461-465) que foi proclamado imperador pelo exército com apoio do general Flávio Ricimero, que na verdade era quem comandava. A autoridade de Severo não era reconhecida em todas as províncias, gerando grandes dificuldades ao seu governo. Se acredita que severo morreu de morte natural. Ele foi sucedido por Procópio Antêmio (467-472), proclamado pelo imperador romano do Oriente Leão I, o Trácio, com a missão de recuperar o controle sobre as províncias persas, África e Gália, entretanto, ele não conseguiu e foi morto pelo próprio general Ricimero. Assumiu o poder Anício Olíbrio (472) que também era um marionete nas mãos de Ricimero, ele morreu 6 meses depois de edema pulmonar. É sucedido por Flávio Glicério Augusto (473-474) que foi elevado ao cargo por seu mestre dos soldados, no entanto, foi rejeitado pela corte em Constantinopla e deposto pelo comandante militar da Dalmácia Júlio Nepos.

   Flávio Júlio Nepos (474-475) foi o último imperador romano do Ocidente considerado legítimo, pois os seguintes eram de origem bárbara. Nepos era apoiado no governo oriental, no ocidente carecia de aliados, ele cometeu um erro fatal, que foi nomear Flávio Orestes para o cargo de mestre dos soldados. Orestes aliado ao senado, assumiu o controle do governo em Ravena e forçou Nepos a fugir de navio para a Dalmácia. Orestes era de origem germânica, sendo assim, não podia assumir o cargo imperial, porém indicou seu filho Rômulo, nascido de mãe romana, para o cargo. Rômulo Augusto (475-476) é considerado o último imperador romano do Ocidente, contudo Nepos continuou a governar na Dalmácia como imperador legítimo, reconhecido na Gália e na corte de Constantinopla. Flávio Odoacro, rei da tribo germânica dos hérulos, capturou Ravena, matou Orestes, depôs Rômulo e se autoproclamou governante da Itália pleiteando ao imperador oriental Zenão I que fosse nomeado patrício do Império Romano e vice-rei da Itália. Zenão I concordou, desde que Odoacro reconhecesse Nepos como imperador do Ocidente. Flávio Júlio Nepos (476-480) reassumi o comando do império ocidental, sendo assassinado no ano de 480, provavelmente por conspirar contra Odoacro, que em seguida, invadiu a Dalmácia e a anexou ao seu reino. Iniciando o período de domínio dos Reis bárbaros sobre Roma.

    • Os Reis Bárbaros (476-552):.

    Odoacro (476-493), foi derrotados pelos Ostrogodos da Itália e sucedido por Teodorico, o Grande (493-526), Atalarico (526-534), Teodato (534-536), Vitige (536-540), Ildibaldo (540-541), Erarico (541), Totila ou Baduila (541-552), Teia (552), que foi derrotado e morto pelo general bizantino Narses colocando um fim ao domínio ostrogodo na Itália.

    • A Reconquista Bizantina (553-568):.

    Flávio Pedro Sabácio Justiniano imperador Bizantino, tentando reconstruir o Império Romano do Ocidente e unir com o do Oriente restaurando a glória do grande império do passado, inicia o processo de Reconquista. O general Belisário foi responsável por conduzir as campanhas, reconquistando Cartago, Sicília, ilhas Baleares e parte da costa mediterrânea da Espanha, partindo em seguida para a reconquista da península Itálica, conquistando Roma com grande dificuldade. No entanto, a atenção de Justiniano se volta para o oriente contra os Sassânidas que estava a atacar o Império Bizantino, fazendo-o abandonar a campanha na Europa.

    • Reino Lombardo (568-774):.

    Os lombardos eram uma tribo sueva que viviam no norte da atual Alemanha, que conquistaram a península Itálica no ano 568 criando um Estado, contudo a península Itálica ainda estava dividida com partes sob o comando do Império Bizantino. Esse reino foi conquistado pelos Francos em 774 comandados por Carlos Magno ou Carlos I "O Grande". Os Estados Papais foram criados em 756 e se mantiveram sob a autoridade civil dos Papas com capital em Roma até 1870.

    • Reino Itálico (774-951):.

    Após a morte de Carlos Magno, com o enfraquecimento do poder imperial, os territórios do Reino Itálico ficaram em um estado de anarquia feudal, dominada pelos senhores locais, embora alguns fracos monarcas tenham ascendido ao trono, às vezes mesmo sendo coroados pelo papa. Durante este período a Itália foi governada pelos reis: Pepino de Itália (775-810), Guido I (891-894), Bernardo de Itália (810-818), Berengário II da Itália (900-925), Adalberto da Itália (925-931), Arduíno da Itália (931-951).

    • Sacro Império Romano-Germânico (951-1806):.

   Em 951, Oto I "O Grande" invadiu a Itália assumindo o título de rei dos Lombardos, reinando na Itália tendo os senhores feudais locais como seus vassalos, Oto I sendo viúvo, se casou com Adelaide que era a herdeira do trono italiano, criando o Sacro Imperador Romano-Germânico. Em 1002, os feudatários italianos se reuniram em um revolta contra o domínio alemão, mas encontraram dura resistência e foram derrotados. A influência imperial Romano-Germânico sobre a Itália somente foi perder força com a queda dos Hohenstaufen, próximo do século XIII, caindo fortemente com o Tratado de Vestfália, em 1648, se mantendo maior influência apenas nos territórios ao norte dos Estados Pontifícios e fora do território da República de Veneza.

   Durante este período a Itália foi governada pelos reis: Oto I (951-973), Oto II (973-983), Oto III (996-1002), Arduíno I (1002-1014), Henrique I (1014-1024), Conrado I (1027-1039), Henrique II (1046-1056), Henrique III (1084-1105), Henrique IV (1111-1125), Lotário I (1133-1137), Frederico I (1155-1190), Henrique V (1191-1197), Oto IV (1198-1218), Frederico II (1220-1250), Henrique VI (1312-1313), Luís I (1328-1347), Carlos I (1355-1378), Venceslau I (1376-1400), Sigismundo I (1433-1437), Frederico III (1452-1493), Maximiliano I (1508-1519), Carlos II (1519-1558), Fernando I (1558-1564), Maximiliano II (1564-1576), Rodolfo I (1576-1612), Matias I (1612-1619), Fernando II (1619-1637), Fernando III (1637-1657), Leopoldo I (1658-1705), José I (1705-1711), Carlos VI (1711-1740), Carlos VII (1742-1745), Francisco I (1745-1765), José II (1765-1790), Leopoldo II (1790-1792) e Francisco II (1792-1806 ).

    • Império Francês (1805-1814):.

    Napoleão Bonaparte 2 dias depois de se casar, deixou Paris para assumir o comando do exército francês na península Itálica e liderar a invasão. Em 1805 Napoleão anexa a cidade de Gênova e se proclama Rei da Itália, governando o norte da Itália e subjugando os Estados Pontifícios, porém Napoleão decidiu não marchar para Roma e destronar o Papa, acreditando que isso iria criar um vazio no poder que poderia ser aproveitado por seus inimigos. Napoleão foi derrotado na Batalha das Nações sendo obrigado a abdicar.

    • Casa de Saboia (1861-1946):.

    Após a queda de Napoleão até a unificação italiana em 1861 nenhum monarca reclamou o título de "Rei da Itália". O "Risorgimento" estabeleceu com sucesso a dinastia da Casa de Saboia sobre toda a península itálica. A capital deste reino foi estabelecida em Turim, sendo alterada para Florença em 1864. Veneza foi anexada ao reino 2 anos depois e Roma em 1870, quando foi alterada a capital novamente, agora para Roma. A Casa de Savoia governou a Itália até à constituição da atual República Italiana em 1946.

    • República Italiana (1946):.

    Constituição em vigor desde 1948.



    Referências:
- Adkins, Lesley; Roy Adkins (1998). Handbook to Life in Ancient Rome. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-512332-8.
- Andrew Fear, "War and Society," in The Cambridge History of Greek and Roman Warfare: Rome from the Late Republic to the Late Empire (Cambridge University Press, 2007), vol. 2, pp. 214–215; Julian Bennett, Trajan: Optimus Princeps (Indiana University Press, 1997, 2001, 2nd ed.), p. 5.
- Abbott, Frank Frost (2001). A History and Description of Roman Political Institutions Adamant Media Corporation [S.l.] ISBN 0543927490.
- Ando, Clifford (2010). «The Administration of the Provinces». A Companion to the Roman Empire Blackwell [S.l.].
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